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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

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"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

11 Ago, 2012

A SOLUÇÃO FINAL

Alberto Gonçalves - Diário de Notícias de 29/7/12

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Numa altura em que quase toda a gente parece desorientada face à situação nacional, a excepção é a CGTP, que apresentou dez medidas ("urgentes" e sem dúvida sinceras) para combater o desemprego.

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Em resumo, a CGTP quer: melhorar os salários e as prestações sociais; 35 horas semanais ("sem redução de salário"); políticas de promoção do "direito ao trabalho e do trabalho com direitos"; Revitalização do Tecido Produtivo (com maiúsculas, não imagino porquê); programas de "gestão preventiva" que evitem os despedimentos; efectivar todos os "falsos recibos verdes"; "abandonar a intenção de reduzir o número" de funcionários públicos; permitir a contratação de novos funcionários públicos; manter os subsídios de desemprego enquanto durar a crise; proibir a redução de benefícios sociais aos desempregados; impedir o voluntariado aos destinatários do rendimento mínimo; proteccionismo económico e economia de substituição; criar um imposto extraordinário sobre as empresas; pleno emprego.

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É verdade que o último desígnio torna redundantes os anteriores, mas a CGTP não é famosa pelo rigor argumentativo. É também verdade que, bem espremidas, as medidas são mais do que dez, mas a CGTP nunca se notabilizou pela exactidão nas contas. De qualquer forma, eis um programa que inevitavelmente retiraria o país do buraco actual - e o depositaria na Fossa das Marianas. Aliás, caso fossem aplicadas metade das medidas propostas pela CGTP, Portugal deixaria de existir em poucos meses. (...)

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Antes solução nenhuma do que a final. Para os senhores que nos tutelam, a utilidade da CGTP é em suma idêntica à da pneumonia perante a gripe: mostrar que, por mal que isto esteja, haveria sempre quem nos deixaria bastante pior. Após contemplar o confrangedor Governo que escolheu, o cidadão médio volta-se para a esquerda e percebe que há escolhas mais aterradoras. Se uma mói, a outra mata. Ou mataria, se pudesse.