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COLUNA VERTICAL



Domingo, 05.08.12

LOUVOR DOS RICOS

Alberto Gonçalves - Diário de Notícias de 29/7/12

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Nos sites da imprensa generalista, a notícia de que Alexandre Soares dos Santos é o novo homem mais rico de Portugal foi em geral recebida com comentários de puro ódio. (...)

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O "valor" de Alexandre Soares dos Santos ronda os 2 mil milhões de euros, pecúlio que, na Suécia, lhe concederia um reles sétimo posto na lista dos multimilionários. O sueco mais abonado possui quase vinte mil milhões. O norueguês mais rico, para continuar em nações de dimensão semelhante, dispõe de cerca de dez mil milhões. O dinamarquês mais rico? Quatro mil milhões. O holandês? Cinco mil milhões. O belga? Três mil milhões.

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A verdade é uma: sem acumulação de capital, a prosperidade não passa de retórica. Portugal conta com os ricos mais pobres da Europa, circunstância que em sociedades política e economicamente abertas traduz o atraso indígena (ou os limites indígenas à referida abertura) e não qualquer indício de progresso. Curiosamente, os "progressistas" de serviço continuam a querer erradicar a escassa riqueza em prol da penúria global com já Salazar sonhava. Bate certo, mas os "progressistas" não batem bem.

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Sábado, 04.08.12

O QUE É O PS?

Vasco Pulido Valente - Público de 28/7/12

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A pobre figura do secretário-geral do PS, como ninguém o nota ou longinquamente se parece importar com o que ele diz, resolveu mandar esta semana aos socialistas uma espécie de carta em que define a "acção política" do partido para o futuro. A carta (ou "mensagem") é muito curiosa. Ao que parece, os fins de António José Seguro são três. Primeiro, "promover o crescimento e reduzir a austeridade". Segundo, "evitar a degradação da classe média, dos mais pobres e das pessoas mais vulneráveis" (por esta ordem). E, terceiro, "preservar o Estado Social". Nada mais louvável; e nada que mostre com mais clareza o bom carácter do homem e, sobretudo, a mediocridade do político. No meio da crise, é às vezes confortador ouvir o óbvio, mesmo que seja rigorosamente inútil.
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Porque enfim, tirando a franja morta e quase esquecida da extrema-esquerda (o PC e o Bloco), que outro político não assinaria sem hesitar o programa de Seguro e que português não concordaria com ele? Mas subsiste um problema. O problema de saber o que distingue hoje, para além do acidental, o PS, o CDS e o PSD? Ou, de outra maneira (um pouco brutal), o que é hoje o "socialismo", quando os próprios moderados do "franquismo" já em 1975 proclamavam intenções que não diferiam muito das do presente PS. Houve um tempo em que o "socialismo" se distinguia. Só que entretanto se aliviou do marxismo (parabéns!) e deixou pelo caminho a "reforma agrária", a nacionalização da indústria e da banca, e até a sua velha ambição de dominar (como insistia o calão da época) os "cumes da economia".
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Agora partilha os fins (Seguro não se refere a métodos) de qualquer conservador. Nem o Estado-Providência é no fundo uma criação dele. Começou com Bismarck e continuou depois de 1947 com a ajuda da democracia cristã por essa Europa fora. O dr. Soares, por exemplo, ainda lamenta o enfraquecimento e a inoperância da "doutrina social da Igreja"; e não se engana. Neste aperto, António José Seguro com certeza que se pergunta com a melancolia que passeia pelo país: "Que raio é que distingue um "socialista" de um PSD ou de um CDS?". E, pelos vistos, não consegue responder porque não existe resposta, fora a tradição familiar, um gosto herdado e - lamento acrescentar - meia dúzia de asneiras longamente estimadas. E, claro, as clientelas, que o partido criou. Com esta matéria, não admira que ele esteja onde está: fora de cena.

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Sexta-feira, 03.08.12

DAR VOZ PELO RIBATEJO E PELOS TOUROS

Mirante de 2/8/12

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Os vereadores do PSD na Câmara de Abrantes querem que o município “dê a voz pelo Ribatejo e pelos toiros”, solicitando na reunião do executivo de segunda-feira que seja agendada uma proposta de sua autoria que visa declarar a Tauromaquia como Património Cultural e Imaterial de Abrantes. Pretendem ainda que a presidente da Câmara de Abrantes, Maria do Céu Albuquerque (PS), apresente na Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo uma proposta de teor idêntico para que se declare a Tauromaquia como Património Cultural e Imaterial do Ribatejo.

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Santana-Maia Leonardo e António Belém Coelho alegam que “num tempo de pensamento único formatado em que as turbas fascistas nos querem vestir o colete de forças do politicamente correcto”, torna-se “imperioso” que o município marque posição em defesa da festa brava. “A tauromaquia é não só uma das formas de expressão cultural mais enraizadas no Ribatejo como é a sua imagem de marca. Além disso, as touradas são, como toda a gente sabe, o único garante da perpetuação da raça dos toiros e da sua qualidade de vida”, justificam.

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Quinta-feira, 02.08.12

EM DEFESA DA HONRA

Santana-Maia Leonardo - in A Barca

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Temos sido governados, nos últimos anos, pela versão portuguesa da geração "Sexo, Drogas e Rock 'n Rooll". Ou seja, a geração da "realização pessoal". E em nome da realização pessoal, sacrificou-se tudo, até a família e os amigos. A honra foi um valor desprezado, denegrido e totalmente esvaziado por esta geração, ao ponto de praticamente ter desaparecido do nosso vocabulário.

 

Ora, a honra é a trave mestra do edifício dos valores. Não há instituição, comunidade ou sociedade que consiga manter-se de pé sem valorizar a gente honrada. Acontece que, nos últimos 40 anos, ao mesmo tempo que a gente honrada era perseguida, enxovalhada e ridicularizada por esta geração, os "chicos espertos" tomavam de assalto todas as instituições (partidos, autarquias, escolas, tribunais, Assembleia da República, Governo, Presidência da República, etc. etc.) e institucionalizavam, como ideologia da IIIª República, o "chico-espertismo". Estamos, agora, apenas, a colher o que semeámos..  

 

E num país governado por esta canalha, não se podia esperar dos nossos serviços secretos outra coisa a não ser andar a espreitar pelos buracos da fechadura ao serviço de um qualquer "chico esperto". E não sei mesmo o que mais me revolta: se esta geração de "chicos espertos" que implodiu todas as nossas instituições ou a cínica candura dos nossos comentadores que, tendo presenciado à derrocada das nossas instituições, ainda têm o descaramento de pedir ao povo para confiar no regular funcionamento das mesmas.

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Quinta-feira, 02.08.12

AS LINGUAGENS DO PODER

Paulo Rangel - Público de 31/7/12

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(...) O uso de uma linguagem mais coloquial, informal ou até rasteira põe em causa o respeito devido às funções públicas e aos eleitores em nome dos quais elas são exercidas. (...)

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É, aliás, deveras surpreendente o modo como tanta gente confunde a erudição ou cultura formal com a educação, civismo ou "polimento". A linguagem "popular" - usada pelas camadas com menos instrução e com menos poder social ou económico -, tal como qualquer outro tipo de linguagem, tanto pode ser usada num registo polido como num registo menos cuidado ou até rude.

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Por isso, Marcelo errou o alvo quando, para legitimar a sua indiferença ao registo em causa ("Que se lixem as eleições"), brandiu o exemplo de Jerónimo de Sousa. Jerónimo de Sousa é precisamente um caso de uso consistente da linguagem popular num registo sempre educado...

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O desempenho de funções políticas não tem de ser, como foi outrora, pomposo, solene, grave, sacral ou majestático. E muito menos tem de o ser no quadro de um regime republicano. Mas há-de pautar-se por uma linha irrepreensível de dignidade, de sobriedade e de respeito. E, por muito bem intencionadas ou calorosas que sejam as tiradas num tom mais informal, a verdade é que elas, especialmente em contexto institucional, arriscam-se a pôr em causa esses valores.

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Em democracia, é fundamental que os responsáveis políticos não se esqueçam que falam, não em nome próprio, mas em representação dos seus concidadãos e do interesse geral. Ora, esse vínculo à representação dos outros e ao interesse geral tem de reflectir-se, de um ou doutro modo, no estilo da comunicação.

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Quinta-feira, 02.08.12

GESTÃO DA COMUNICAÇÃO

Alberto Gonçalves - Diário de Notícias de 29/7/12

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(...) Não tarda, sempre que um membro do governo ou alguém conotado com o PSD disser "Bom dia!", logo saltará o dr. Zorrinho a explicar que o sujeito em causa afirmou claramente o nojo ao povo português e o desejo de que este padeça vítima de calamidades diversas. Para cúmulo, não adiantará ao sujeito tentar esclarecer o equívoco, já que o dr. Zorrinho usará o esclarecimento a fim de acusar o infeliz de maldades ainda piores. Consta que o dr. Zorrinho ensina Gestão da Comunicação. Ensina, não aprende.

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Quarta-feira, 01.08.12

BIBLICAMENTE ESTÚPIDO

Vasco Pulido Valente - Público de 27/7/12

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Num jantar com deputados do PSD, com alguns ministros e com a presidente da Assembleia da República, Pedro Passos Coelho disse que não queria saber para nada de eleições (que se "lixem" foi a expressão). Houve logo algumas pessoas biblicamente estúpidas para interpretar a frase de uma maneira que nem a ocasião, nem o contexto permitiam. Uns concluíram que primeiro-ministro se estava a "lixar" para a democracia. Outros - o que não passa de uma variante - que a opinião dos portugueses não lhe interessava. Quase ninguém percebeu (ou muita gente resolveu fingir que não percebia) o que Passos Coelho claramente comunicou às suas tropas. A saber: que o Governo não mexeria um dedo para ajudar o partido na série de eleições que se aproximam (Açores, câmaras, Parlamento Europeu).
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É preciso ter andado a dormir durante trinta anos para não perceber, apesar da crise, ou por causa disso mesmo, que as clientelas do PSD não pensam noutra coisa. Antes de Passos Coelho o PSD, longe do poder, era uma federação de câmaras, que se aliavam ou guerreavam, para fazer e desfazer as direcções nacionais. Muita gente com algum talento ou sem talento nenhum desapareceu politicamente naquele insuportável circo. E a vida do militante comum acabou por reduzir à intriga e às clientelas com mais força ou habilidade. O primeiro-ministro veio agora dizer que esse tempo acabou e que daqui em diante subordinará o partido ao interesse nacional, como ele o entende. A este acto de inteligência e coragem o público informado respondeu com comentários rasteiros, que envergonham um morto.
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Para começar, como já expliquei, a história inteiramente idiota de que Passos Coelho desprezava a democracia. Segundo, o protesto hipócrita e pequeno-burguês por ele se atrever a usar, numa espécie de comício, a terrível palavra "lixem". Isto que, em formas bem mais duras, se tornou habitual na imprensa inglesa ou americana ainda ofende o ouvido de certas damas da academia e da sociedade, que por aí despejam opiniões sem sentido. Vale a pena insistir numa atitude tão ridícula? Vale porque ela mostra bem a que ponto chega a má-fé e a obnubilação da esquerda. O PS e arredores preferiam com certeza que o primeiro-ministro se envolvesse nos sarilhos correntes do PSD e que, em nome deles, distorcesse a política geral do país, que eles no fundo não se importam que se lixe. E, afinal de contas, sempre iam ganhando uns lugarzitos para a malta em dificuldades. Nada de melhor ou de mais lúcido.

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Quarta-feira, 01.08.12

SENHOR ELECTRICISTA DA CÂMARA DE ABRANTES

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Senhor Electrecista de serviço

da Câmara Municipal de Abrantes,
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Com os meus cumprimentos, informo V.Exª. que, apesar das várias diligências promovidas junto das suas chefias, continua a manter-se a tradição: as lâmpadas que iluminam o Parque Radical, junto ao Castelo, continuam a acender-se, quando o sol ainda brilha.

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Na qualidade de munícipe pagante, rogo-lhe o favor de verificar o respectivo equipamento de controlo e promover as necessárias alterações. 

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Se, por acaso, não puder efectuar o trabalho dentro das horas normais de expediente, eu posso dar uma ajuda no pagamento das horas extraordinárias. 

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Renovo os melhores cumprimentos e prometo agradecer-lhe com o meu voto, nas próximas eleições autárquicas.

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Artur Lalanda

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