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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

Santana-Maia Leonardo - A Barca

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Desta vez vou explicar tudo muito devagar como se o leitor fosse uma daquelas pessoas muito inteligentes que gosta de fingir que é muita burra (ou vice-versa).

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PONTO UM: Vou cumprir o meu mandato de vereador da Câmara Municipal de Abrantes até ao fim. Aliás, na minha opinião, só há um motivo justificativo para não se cumprir um compromisso: o atestado de óbito.

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PONTO DOIS: Como toda a gente sabe, a escolha de candidatos para as próximas eleições autárquicas e a campanha eleitoral vão decorrer durante os últimos meses deste mandato. Ora, se eu vou cumprir o mandato até ao fim, tal significa inevitavelmente que só existe uma possibilidade de ser candidato às próximas eleições autárquicas: ser candidato à Câmara de Abrantes em lista apoiada pelo PSD.

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Com efeito, só com a tomada de posse do novo executivo termina o meu compromisso, logo, só a partir desse dia, ficarei liberto para ir para onde quiser. Mas só a partir desse dia, porque, até lá, o meu compromisso mantém-se de pé.

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Além disso, sinto o concelho de Abrantes como sendo o meu concelho. É onde tenho fixada a minha residência, onde pago os meus impostos, onde voto e ao qual tenho dedicado, praticamente, todos os meus tempos livres, sem qualquer outro interesse ou objectivo a não ser servi-lo o melhor que posso e sei.

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PONTO TRÊS: Não voltarei a ser candidato ao que quer que seja pelo PSD de Abrantes e por uma razão de fundo: existe incompatibilidade absoluta na forma como entendemos a política. Para mim, a política é um meio privilegiado para defender e pôr em prática as nossas convicções, ao serviço da comunidade e dos cidadãos, e não uma simples artimanha para governar a nossa vida e dos nossos apaniguados.

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Irei recordar para sempre como a experiência mais dolorosa de toda a minha vida a minha candidatura à Câmara de Abrantes pelo PSD. Foi a primeira vez, em toda a minha vida, em que, para não ser assassinado pelas costas (e fui alvejado várias vezes), tive de combater de costas para o inimigo.

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Para o PSD de Abrantes, o candidato ideal é o feijão-frade, o candidato das duas caras (duas, pelo menos): hoje é deste e amanhã daquele; diz uma coisa e depois faz outra; ainda é eleito de um e já é candidato por outro; foi eleito por um e faz o jogo do outro; etc. etc. etc.

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Diz o povo que só os burros é que não mudam. E nisso tem inteira razão. Mas é importante distinguir entre a mudança própria da evolução natural de todo o ser humano, fruto das suas aprendizagens e experiências, e o puro oportunismo, tão típico das pessoas sem carácter, capazes da maior cambalhota apenas para satisfazer as conveniências do seu umbigo.

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Deste mal não sofre apenas o PSD de Abrantes, como salta aos olhos do mais míope. Na verdade, os partidos portugueses estão cada vez mais cheios de dirigentes cuja palavra, como dizem os brasileiros, «é feita de papel higiénico. Só serve mesmo para limpar a bunda». Mas também é verdade que o povo gosta deste tipo de gente. Por alguma razão, eles têm tantos votos e ganham tantas eleições.