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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

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09 Nov, 2012

BECO SEM SAÍDA?

Vasco Pulido Valente - Público de 2/11/2012

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"Refundação do memorando" é uma expressão sem sentido: um memorando não se refunda. "Refundação do Estado" é uma expressão que não se aplica a Portugal: o Estado português não precisa de uma "refundação" como, por exemplo, a França e a Alemanha em 1945; o Estado português precisa de uma reforma. Esta incapacidade de escrever e falar de uma maneira direita e clara só serve para mostrar a confusão política e mental do Governo. Sobretudo quando o Governo está paralisado ou, pior do que isso, se meteu num beco sem saída: tem medo de fazer o que precisa e precisa de fazer exactamente aquilo de que tem medo. O espectáculo patético da discussão do Orçamento não deixou a menor dúvida de que as coisas não podem continuar assim e que, se continuam, continuam por uma única razão: não existe uma saída aceitável e constitucional para a situação estabelecida.

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Claro que este desastre não é uma surpresa para ninguém. É o resultado directo e previsível de uma longa série de erros. Há quem comece pelo fim. A coligação deixou o princípio para o fim. Quando devia agir dura e decisivamente, logo a seguir a ser eleita, preferiu ir sossegando o país com algumas panaceias, para manter uma aparência de "normalidade" ou, pelo menos, do que por aí se chama "confiança". De uma maneira ou de outra, quase toda a gente a preveniu de que se estava pouco a pouco, mas seguramente, a suicidar. Os príncipes que nos pastoreiam não se incomodaram. E, sem a catástrofe para onde nos levaram, não acordariam. Sucede que não acordaram com mais firmeza ou inteligência. Acordaram em pânico e aumentaram imediatamente a confusão.

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Descobriram agora a necessidade de uma reforma do Estado, que dantes não os preocupava excessivamente. E para reformar o Estado resolvram pedir ajuda ao PS, que nunca lhes tocará com um dedo. Se a coligação não sabe, o PS sabe que a reforma do Estado conduzirá inevitavelmente à destruição de uma boa parte da "classe média" indígena, porque o Estado a criou e o Estado a sustenta; e Seguro, com razão, não quer a mais leve responsabilidade no exercício. Apelar para ele é um sinal de impotência e fraqueza. Como é um sinal de impotência e fraqueza não anunciar previamente, e ponto a ponto, que reforma do Estado o Governo pretende, quando já desistiu ou, se preferem, fugiu de mexer no funcionalismo, na administração central, na administração local e nas dezenas de empresas que prometeu privatizar. A "opinião" berra por um ditador (que será, segundo por aí se explica) um ditador muito "democrático". E a coligação?

O Mirante de 8/11/2012

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Não chegou cheque nenhum mas também não sabemos se a carta que enviámos já chegou ao destinatário”. Foi deste modo que a presidente da Câmara Municipal de Abrantes, Maria do Céu Albuquerque (PS) respondeu aos vereadores do Partido Social-Democrata que, na reunião de 5 de Novembro, perguntaram se a RPP Solar já tinha pago a garantia bancária no valor de 1,1 milhões de euros que a autarquia tinha deliberado exigir. Santana Maia Leonardo e António Belém Coelho pretendiam saber se “passados os 10 dias concedidos, na última reunião, à RPP Solar para pagar os encargos que a câmara suportou com a aquisição do terreno se o cheque já tinha sido depositado e se o mesmo tinha provisão”.

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Recorde-se que 22 de Outubro, a Câmara de Abrantes decidiu não declarar a caducidade do licenciamento da fábrica RPP Solar tendo, no entanto, exigido o pagamento imediato da garantia bancária de 1,1 milhão de euros ao empresário Alexandre Alves. Isto porque, quatro anos após o anúncio de um investimento de 1052 milhões de euros destinados à construção de três fábricas de painéis fotovoltaicos que deveria criar quase dois mil empregos, as instalações ainda não estão equipadas nem o início da produção se verificou, uma situação que tem defraudado as expectativas da autarquia, pela grandeza do investimento e pelo número de postos de trabalho que poderia gerar.