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COLUNA VERTICAL



Sexta-feira, 16.11.12

OS POLÍTICOS E A DESTRUIÇÃO DE PORTUGAL

Ventura Leite - Público de 14/11/2012

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Em finais de 2008 a dívida pública atingiu os 118.000 milhões de euros. Em finais de 2012 deverá atingir os 204.000 milhões de euros! Um cenário inacreditável, onde só os juros podem custar entre 7 a 8 mil milhões de euros anualmente. Ou seja, nestes últimos quatro anos o Estado endividou-se em mais cerca de 86.000 milhões de euros, sem contar com vários fundos de pensões que foram assumidos como receitas, e sem se construir TGV ou o novo aeroporto de Lisboa, o que teria acontecido se o eng.º José Sócrates tivesse continuado a governar!

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Qual foi então o destino dado a estas dezenas de milhares de milhões de euros? Foram destinados a relançar a economia? Para dinamizar novos motores de crescimento e impedir o aumento dramático do desemprego? Não! Serviram sobretudo para tapar o défice anual entre gastos públicos e receitas fiscais! Isto significa que nestes últimos quatro anos Portugal acelerou o seu caminho para o desastre que se vinha preparando pelo menos há uma década.

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Nestes quatro anos destruiu-se mais um pedaço do nosso futuro colectivo, simplesmente por incapacidade política de assumir a realidade e corrigir o rumo.

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O grande azar de Portugal é que tivemos nos últimos anos os mais irresponsáveis e desastrosos governos da nossa história recente. Primeiro, do eng.º José Sócrates, que nos finais de 2008 e depois durante 2009-2011 tratou em primeiro lugar do seu projecto de poder, que culminou em 2009 com um défice público de 10% do PIB e atirou o país para um pedido de assistência financeira desprestigiante, que nos impôs condições cegas e destruidoras.

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Mas a esse governo seguiu-se um outro desastre, o governo actual, irresponsável e desonesto, que em vez de procurar um consenso sério em torno de uma estratégia credível, sólida e politicamente apoiada internamente - e confrontando a União Europeia e o FMI - atira-se farisaicamente aos portugueses secando-lhes os rendimentos, do mesmo passo destroçando a economia e a esperança da nação.
Mas a destruição do país não é apenas isto.

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Temos ainda a destruição de património: pense-se num milhão de famílias (um número por baixo) que comprou casas com crédito bancário, e que agora não valem mais de metade do seu valor, mas que terão que ser pagas como se valessem. Isso significa para essas famílias, e seus descendentes, uma perda definitiva na ordem dos 60 a 75 mil milhões de euros!

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E isto ainda não é tudo. A condução irracional da política em Portugal vai fazer-nos perder parte do que de bom foi sendo conseguido ao longo das últimas décadas.

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Apesar do ritmo lento do progresso em áreas críticas para o nosso desenvolvimento, Portugal mesmo assim atingiu já uma base empresarial e científica capaz de sustentar um relançamento da economia em moldes diferentes e mais competitivos. O número de licenciados e doutores na actividade empresarial aumentou, universidades e centros tecnológicos, alguns estrangeiros (MIT e Microsoft, p.e.), estão ligados à indústria nacional e o meio científico produz material publicado como nunca antes.

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Neste conjunto criaram-se condições não desprezíveis para sustentar uma estratégia de relançamento económico do país com uma plataforma científica e empresarial já interessante. Contudo, para isso era necessário que houvesse uma dinâmica política clara e mobilizadora.

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Mas ao longo das últimas décadas a nossa classe política preferiu acomodar-se a uma gestão dos interesses em presença, evitando os desafios mais complicados, deixando seguir a economia e o país sem grandes exigências ou precauções em relação ao futuro. Na prática, a classe política confundiu bons negócios com economia pujante e sustentável!

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Daqui a um ano, ou menos, o país estará ainda pior, a pedir desesperadamente mais uns milhares de milhões de euros de empréstimos, necessários para manter a funcionar o Estado. A posição negocial de Portugal estará mais enfraquecida, a economia mais destroçada, mas os partidos totalmente empenhados... nas autárquicas de 2013!

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Por isso, só a mobilização dos portugueses, a exemplo do que aconteceu a 15 de Setembro passado, pode levar a classe política a assumir uma nova postura.

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E para dar mais substância a essa dinâmica impõe-se que personalidades credíveis da esfera política, económica, social e cultural expressem uma posição patriótica exigindo um entendimento urgente entre as principais forças partidárias, económicas laborais e sociais, que dê ao país a credibilidade indispensável para uma renegociação dos apoios comunitários à estabilização do financiamento público e ao relançamento do crescimento.

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Sexta-feira, 16.11.12

A OESTE NADA DE NOVO

Alberto Gonçalves - Diário de Notícias de 11/11/2012

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O extraordinário não é que António José Seguro se afirme "preparado para governar", nem que o faça sob o divertido argumento de que o "investimento" público garante o crescimento económico.

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O extraordinário é que, se as eleições se realizassem hoje, o PS do dr. Seguro e os argumentos do dr. Seguro sairiam muito provavelmente vencedores. Já chega de culpar os políticos pela desgraça do País: o País desceu a isto por culpa do bom povo. Crise de representação? Nem vê-la. Feitas as contas, os nossos representantes representam-nos com esmero. (...)

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Paradoxal? Os paradoxos não nos atrapalham. É por isso que enquanto nos queixamos da crise estamos dispostos a legitimar nas urnas o exacto partido que apressou a crise e as exactas alucinações que tornaram a crise obrigatória. Como o maluquinho que volta a enfiar o dedo na tomada depois de cada choque, uma impressionante quantidade de portugueses não aprende. E é duvidoso que venha a aprender. (...)

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