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COLUNA VERTICAL



Quinta-feira, 29.11.12

TUDO COMO DANTES

Mirante - edição de 29/11/2012

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Manuela Ruivo foi reeleita no sábado presidente da concelhia do PSD de Abrantes, após uma troca de mensagens com o presidente cessante da assembleia de militantes, Pedro Marques, cujo teor faria corar uma varina.

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A troca de e-mails chegou às direcções nacional e distrital do partido e deve ter deixado muita gente de boca aberta.

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O nível desceu tão baixo que dentro das estruturas “laranja” a nível distrital há quem diga em surdina que os dois políticos estão bem um para o outro e que com uma oposição assim o PS pode dormir descansado durante mais alguns anos.

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Quinta-feira, 29.11.12

S. João Mecanizado

Santana-Maia Leonardo - Revista "O Mecanizado" de Maio/Junho 1984

 

Puseram-me outro dia a questão se S. João, insigne soldado de Cristo e herói das guerras contra Satanás, teria sido marinheiro, infante ou cavaleiro? A aviação está fora de questão. Mas se, no tempo, não havia aviões, o mesmo não se poderá dizer de barcos e garanhões.

Seria, então, marinheiro?

Parece-me que não. Escutai o que nos diz o Evangelho: «um pouco mais adiante, Jesus viu outros dois irmãos: Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão, num barco com seu pai, Zebedeu, consertando as redes. Chamou-os e eles, deixando no mesmo instante o barco do pai, seguiram-no» (S. Mateus, Cap. 4, vers 21-23).

Ora, se, para seguirem Jesus, tiverem de deixar o barco, fácil é concluir que as suas novas actividades nada tinham a ver com a Marinha. João foi marinheiro, mas S. João já não o foi.

Se não foi marinheiro, só podia ter sido infante ou cavaleiro. Seria cavaleiro?

Esta hipótese ainda me parece mais absurda. Um cavalo, o “Mercedes” do tempo, era artigo de luxo, o que significa que não era um pé descalço que o sustentava. E S. João, mesmo que não fosse pobre (que o era), teria forçosamente de o ter vendido (se o tivesse) para poder seguir a Cristo. Recordai o que diz Jesus, no Evangelho, a um menino rico: «Falta-te apenas uma coisa: vai, vende tudo o que tens, dá o dinheiro aos pobres e terás um tesouro no Céu; depois vem e segue-me» (S. Marcos, Cap. 10, vers 21).

Isto, só por si, já é prova bastante e categórica de que S. João não era cavaleiro. Além disso, há ainda a acrescentar o facto indesmentível e irrefutável de Jesus e os seus apóstolos sempre terem combatido Satanás e libertado os seus escravos (no tempo chamavam-se possessos) apeados e sempre terem andado a pé…

Sempre, salvo, evidentemente, aquando da entrada triunfal de Cristo em Jerusalém que passo a citar: «Estando próximo de Jerusalém (…) Jesus enviou dois dos seus discípulos e disse-lhes: “Ide à povoação que está em frente de vós e logo que nela entrardes encontrareis um jumentinho preso. Soltai-o e trazei-o." Partiram, encontraram o jumentinho preso a uma pata cá fora na rua, e soltaram-no (…). Levaram o jumentinho a Jesus, lançaram-lhe por cima as capas e Jesus montou nele» (S. Marcos, Cap.11, vers 1-8).

Esta é a única vez em que todo o Evangelho que Jesus aparece a cavalo. Mas, apesar das afinidades do burro com a cavalaria, é óbvio que não chega um burro para fazer um regimento. Está, portanto, posta de lado a hipótese de S. João ser cavaleiro, tanto mais que nem num burro se montou. E quem de três tira duas…

Mas o infante não explica tudo. É verdade que os apóstolos sempre andaram a pé, sempre combateram Satanás a pé... Mas como explicar essa faculdade que os santos têm de se deslocar com uma enorme velocidade? Como explicar esse poder que os santos têm de entrar pelas paredes das casas dentro (vide o caso do aparecimento de Jesus aos apóstolos aquando da Ressurreição)? Como explicar o nome dado por Jesus a S. João, filho de Boarnerges, isto é, filho de trovão, se os infantes (regra geral), quando se deslocam, não fazem barulho?

A resposta a estas interrogações só pode ser uma: S. João era um infante, pertencia à Infantaria, mas à Infantaria Mecanizada.

Campo Militar de Santa Margarida (BIMec), em 19 de Maio de 1984

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