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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

Alberto Gonçalves - DN de 30-12-2012

(...) O sucesso inicial e fulminante do sr. Baptista da Silva prende-se somente com a sua capacidade em reproduzir fielmente os disparates de maior sucesso no País durante os últimos dois ou três anos, a saber: Portugal não tem de pagar nada a ninguém. Os alemães e a Europa em geral têm o dever de sustentar a nossa folia. A troika é má ...e injusta. A austeridade não se justifica. Etc. Ou seja, o sr. Baptista da Silva diz o que a vasta maioria dos especialistas verdadeiramente encartados tem dito sempre que chamados a propósito. E a conclusão inevitável é a de que a posse de diplomas a sério não confere maior lucidez do que os diplomas a brincar. A pior burla é a "legitimada".

Além de ter dissipado as últimas ilusões sobre a qualidade de certo jornalismo, o sr. Baptista da Silva teve graça. Desde logo, pelas artimanhas que engendrou. Depois, pelas ambições que revelou, aliás típicas da escala caseira. Os charlatães de nível internacional vestem fatos da Brooks Brothers e fazem por se infiltrar no jet set que paira em Saint-Tropez ou nos grupos de decisão que frequentam Washington, consoante os gostos. O charlatão indígena veste-se como Boaventura de Sousa Santos e sonha penetrar uns estúdios televisivos em Carnaxide. Ou, juro pela minha saudinha, pertencer à Academia do Bacalhau de Lisboa.

No final de contas, o caso do sr. Baptista da Silva resume-se a uma vigarice sem especial gravidade, na qual um pobre diabo inventa os cursos e a carreira que nunca teve. Grave seria que um membro do Governo ou, imagine--se por absurdo, o chefe de um governo procedesse de igual modo. Felizmente, disso estamos livres.

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Ê vô recitari um soneto alentejano d' amori dum poeta munto conhecido mas de qu´ê na sê o nomi..

No Alentejo, como vocemecês sabem, os sonetos só têm quatro versos qu' a gente aqui é de pôcas falas. Aqui das duas uma: ô tu desembuchas depressa ô a gente vai-se dêtari. Isto aqui dassim é má terra pa políticos. A gente já enterrô alguns pa vê se nasciam mais, mas na nascerim. Dizem qu' é preciso munto estrume e a gente aqui caga pouco..

Mas antes qu' a converse azede, qu' isto das conversas é com' às cerejas e ê já estô a falá munto pa quem é de pôcas falas, vamos lá atão ao nosso soneto d'amori:

Ê quis-te levá pá cama

Desde o dia em que t'achê-i.

Tu disseste-me que não

E ê disse-te: "Na quê-i?!..."

29 Dez, 2012

DE FUGIR

João Pereira Coutinho - Correio da Manhã de 2/12/2012

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O  presidente do Hospital de São João declarou publicamente que os cirurgiões da casa não têm o hábito de fazer cirurgias.

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A média é uma por semana e há mesmo 30 especialistas que, em 2012, se especializaram em não fazer nenhuma. Perante estas confissões – que legitimam a pergunta: ‘mas por onde andarão os cirurgiões que o Estado paga?’ –, o bastonário dos Médicos veio apontar o dedo ao presidente do S. João: se há quem não trabalhe, cabe a António Ferreira exigir esse trabalho.

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Em teoria, talvez. Na prática, não é de excluir que António Ferreira tenha decidido proteger os doentes de médicos com fraca rodagem. Quando existe um hospital público onde o cirurgião médio faz, em média, uma cirurgia por semana, o melhor mesmo é afastá-lo do bloco. Por mim falo: se, na hora de ir à faca, me dissessem que o cirurgião de serviço vinha fazer a sua rapidinha semanal, eu juro que me lançava da marquesa abaixo e fugia apavorado.

29 Dez, 2012

FIGURA DE CULTURA

 

«(...) Em português de gente, "figura da Cultura" é todo o indivíduo que dedica 97% do seu tempo a engendrar contactos junto dos poderes públicos de modo a que estes patrocinem a "obra" produzida nos 3% restantes. (...)»

 

Alberto Gonçalves - DN de 23/12/2012

28 Dez, 2012

SUPERIORIDADE MORAL

Alberto Gonçalves - DN de 23/12/2012

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O actor Gérard Depardieu é o mais recente, ou pelo menos o mais célebre exilado fiscal francês. Incomodado com a taxação dos ricos em 75%, o sr. Depardieu, que ainda em 2002 fazia donativos aos comunistas locais, mudou-se para a Bélgica.

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Nenhuma surpresa: a beleza do socialismo acaba quando aquilo que se ganha com o dito não compensa aquilo que se perde. Enquanto se beneficia directa ou indirectamente da redistribuição "social", como no caso dos actores que auferem fortunas em produções subsidiadas, a redistribuição é uma maravilha. Se essas fortunas saltitam quase inteirinhas para os cofres do Estado, a redistribuição é um roubo.

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A essência da esquerda é estar do lado certo do saque.

Santana-Maia Leonardo - Nova Aliança

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Quando aceitei, há quatro anos, ser candidato a presidente da câmara de Abrantes pelo PSD, cometi um erro inadmissível numa pessoa com a minha idade e a minha experiência, erro esse que estou a pagar caro e que transformou a minha candidatura na mais dolorosa experiência de toda a minha vida. Ou seja, aceitei ser candidato sem conhecer minimamente as pessoas que me rodeavam, o que me levou, como sempre sucede com quem assim procede, a confiar em quem não devia e a duvidar de quem não merecia.

Muita gente tem atribuído a Pedro Marques, Armando Fernandes e José Marçal o meu afastamento e a minha má opinião sobre o PSD de Abrantes. Mas não é verdade. E tenho mesmo de reconhecer que, excepção feita a um pequeno episódio inicial (que apenas serviu para dar credibilidade aos alertas que toda a gente me fazia), praticamente mais nada lhes tenho a apontar, pelo que tomara eu poder dizer o mesmo daqueles em quem confiei.

Que o PSD de Abrantes era um saco de escorpiões toda a gente sabia no concelho e arredores. Mas não foram os ditos escorpiões que existiam no PSD de Abrantes que me morderam. Quem me apunhalou foram pessoas em que eu confiei e que, na altura, nem ao PSD de Abrantes pertenciam ou dele já se tinham afastado.

Como todos sabemos, o que nos mata não são as balas dos nossos adversários ou inimigos, mas as punhaladas nas costas daqueles que julgávamos amigos e credores de confiança. Até Viriato morreu assim. No entanto, ao contrário de Viriato, as minhas costas, de tão calejadas, já são duras como pedra pelo que o punhal limita-se a provocar uma ferida superficial que sangra muito mas cicatriza depressa.

No entanto, quando sou, agora, confrontado com a troca de mails entre Pedro Marques e a falecida, dou comigo a pensar como é que uma pessoa com a inteligência de Pedro Marques caiu na esparrela de confiar em quem deu sobejas provas de não ser digno dela, caso contrário, não teria mudado de campo tão facilmente. Pedro Marques chega mesma a confessar na sua troca de mails que também «já começa a sentir náuseas de certas coisas que se passam no PSD de Abrantes».

Triste sina a desta concelhia. Agora já nem escorpiões tem... O que não significa que tenha ficado melhor, porque o escorpião é um bicho que mete respeito a toda a gente: resistente, auto-suficiente, duro de roer e com um aguilhão letal.

Ora, quando se olha, neste momento, para as pessoas que gravitam à volta do PSD de Abrantes, a metáfora do escorpião, já não serve, por todas as razões e mais uma: não metem medo a ninguém, para existirem necessitam de um hospedeiro, mudam de hospedeiro com muita facilidade, o seu meio ambiente é a porca da política e a política porca (a melhor prova é a divulgação de mensagens privadas de telemóvel como meio de combate político), são moles, insignificantes, contorcionistas, escorregadias e não tem noção sequer da sua minúscula dimensão, limitam-se a fazer alguma comichão interna e não causam qualquer mossa aos seus adversários políticos que se limitam a rir, quando vêem o hospedeiro a coçar-se.

Com estas características, só vejo mesmo um ser vivo capaz de servir de metáfora. Resumindo: o PSD de Abrantes deixou de ser um temível saco de escorpiões para se transformar num ridículo saco de lombrigas. Eu, graças a Deus, já me desparasitei.

 

P.S.: Se alguém do PSD de Abrantes enfiar a carapuça, que vá fazer queixinhas a Passos Coelho e Miguel Relvas que eles também já estão a precisar de alguém que lhes faça cócegas.

Santana-Maia Leonardo e António Belém Coelho

 

A poucos meses do final do mandato e depois de dois anos a Rexistir por Abrantes, chegou a hora de regressarmos à casa de partida para concluir o ciclo que iniciámos em Outubro de 2008.

 

AMAR ABRANTES” foi a divisa que escolhemos, em 2008, para a nossa candidatura à Câmara Municipal de Abrantes e tem sido sempre esse O NOSSO LEMA ao longo do nosso mandato como vereadores..

 

É também este O NOSSO CONSELHO a todos aqueles que se candidatarem às próximas eleições autárquicas, independentemente da força política pela qual se candidatem.

 

E, se seguirem o nosso conselho, nunca hesitarão, tal como nós, em sacrificar os mesquinhos interesses partidários no altar do superior interesse do cidadão, de Abrantes e de Portugal.

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