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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

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Uma vez, num reino que tinha um rei muito mau, o rei, ao passar a cavalo por um velho homem, ouviu este desejar-lhe longa vida.

O rei, que era muito mau, ficou admirado por haver no seu reino alguém que lhe desejasse longa vida. Desceu do cavalo e quis que velho homem lhe explicasse a razão do seu desejo.

E o velho olhou o rei nos olhos e disse-lhe: «O senhor é de facto um rei muito mau. Mas eu já conheci o seu bisavô. E o seu bisavô era um rei tão mau, tão mau, que toda a gente do reino desejava que ele morresse. Quando morreu, sucedeu-lhe o seu avô que ainda era pior do que ele. O seu avô era tão mau que toda a gente ficou com saudades do seu bisavô. Pois quando o seu avô morreu, sucedeu-lhe o seu pai que ainda conseguiu ser pior do que ele. E morto o seu pai, sucedeu-lhe o senhor que ainda é pior do que o seu pai. É por esta razão que lhe desejo longa vida. Quero viver os meus últimos anos de vida, sem ser governado pelo seu filho.»

03 Jul, 2013

O NOVO MUNDO

José Manuel Fernandes - Público de 28-6-2013

 

(...) Está neste momento em curso uma negociação que pode ajudar a Europa a integrar-se num espaço mais vasto, mais forte e também mais diverso: a destinada à criação de uma União Económica do Atlântico Norte, incluindo os Estados Unidos mas podendo estender-se à Turquia, por exemplo. Nela se regressariam aos bons princípios que fizeram a prosperidade do mundo ocidental. Nela se podia e devia concentrar a esperança de um novo rumo que, em vez de nos prometer apenas sacrifícios, nos criasse novas oportunidades e esperanças. É por isso que Durão Barroso teve razão quando classificou como reaccionários aqueles que se opõem ao avanço por este caminho.

02 Jul, 2013

PORTUGAL

 

«Ao contrário do que é voz corrente, Portugal não está numa encruzilhada,

 mas num beco. Obviamente sem saída.»

 

(Alberto Gonçalves - DN de 30-6-2013)

02 Jul, 2013

A DEMOCRACIA

José Pacheco Pereira - Público de 29-6-2013

 

(...) Eles queriam que a democracia fosse uma espécie de sala esterilizada, em que num canto estavam uns monos, também esterilizados, que faziam o papel do "outro", da oposição. Para isso já têm o Seguro, que é o seu seguro. O problema é que a democracia não é uma sala estéril de um laboratório, onde eles pudessem fazer sem sobressaltos a sua construção de Lego utópico, onde as greves seriam sempre puramente simbólicas ou, melhor, só existissem no papel, e os bons portugueses, mesmo que discordassem, aceitariam a autoridade natural de quem sabe e manda. (...)

02 Jul, 2013

LEGITIMIDADES

Vasco Pulido Valente - Público de 9-6-2013

 

A esquerda e algumas notabilidades do PSD andam por aí a espalhar uma ideia perigosa: a ideia de que um Governo deve ser substituído quando cria um grande descontentamento público (desce nas sondagens, por exemplo, ou é vaiado a cada canto da província). Ou seja, quando perde a legitimidade de exercício. Ora, a legitimidade de exercício era precisamente o que a Ditadura invocava para justificar a sua existência e a sua longa duração. Marcelo, principalmente, insistia muito nesse ponto. Se o povo estava contente, não havia qualquer razão para mudar, nem, como é óbvio, para fazer eleições. As coisas falavam por si. Que o radicalismo resolva hoje recorrer ao mesmo tipo de argumento (embora em sentido inverso) não tranquiliza ninguém e dá uma impressão, de resto falsa, da fragilidade da lei e do Estado. (...)

 

Se Cavaco aceitasse esta louca lógica, dali em diante nada impediria que uma manifestação ou uma assuada chegassem para liquidar um Governo. E, se não chegassem, um tiro ou um ou outro espancamento bastariam. Pouco a pouco, o verdadeiro poder acabaria por se transferir para pequenos grupos de activistas (sem unidade ou programa), capazes de encher a Av. da Liberdade, o Rossio ou Terreiro do Paço. O Presidente ficaria reduzido a convocar eleições sobre eleições ou até a engolir o resultado do último tumulto. Não percebo por que motivo esse belo sistema beneficiaria a esquerda ou as notabilidades do PSD que hoje colaboram com ela. A seguir a Passos Coelho e a Paulo Portas seriam elas, com certeza, as vítimas designadas. Tudo se paga neste mundo.

João Ferreira do Amaral - in "Porque devemos sair do euro" (pág.39)

 

(...) O triângulo Imobiliário - Banca - Poder Local pode gerar uma bolha especulativa tal que, absorvendo a maior parte dos recursos de crédito, faça definhar a economia verdadeiramente produtiva, desequilibrando a estrutura produtiva nacional. Foi o que sucedeu em vários países, incluindo Portugal, especialmente na primeira metade da década de 2000-2009, ou Espanha, já um pouco mais tarde. (...)

01 Jul, 2013

ANESTESIAS

João Pereira Coutinho - CM de 23-9-2013

 

Fui assaltado à mão armada em S. Paulo. Sobrevivi. Mas o que mais me inquietou foi a reacção de colegas brasileiros ao assalto.

 

Contava o sucedido e eles partilhavam experiências idênticas. Um assalto em S. Paulo era tão natural como uma ‘paella’ em Madrid. Isto dizia muito sobre um país em anestesia que se habituara a conviver com 40 mil homicídios por ano.

 

Os protestos dos últimos dias, com a sua dose de criminalidade à mistura, são na maioria protestos de uma classe média mais fluente e afluente que está cansada de um difuso ‘estado de coisas’. Da economia anémica. Da inflação. Da corrupção. Da megalomania dos estádios. E, pormenor fundamental, de um bloqueio político sério onde o PT já não é a válvula dos descontentes, nem o PSDB representa uma alternativa para eles. Ninguém sabe como isto vai acabar. Mas qualquer observador atento sabia há muito que a anestesia não podia continuar.

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