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COLUNA VERTICAL

"A coragem é a primeira das qualidades humanas porque garante todas as outras.." (Aristóteles)

COLUNA VERTICAL

"A coragem é a primeira das qualidades humanas porque garante todas as outras.." (Aristóteles)

Santana-Maia Leonardo - Público de 2-2-2014

Mas que direito tem um deputado de invocar a liberdade de consciência para votar numa matéria para a qual não tem mandato?

Que raio de democracia é esta onde o povo cada vez que vota limita-se a passar cheques em branco aos eleitos que depois o preenchem como muito bem quiserem e lhes apetecer?

Não me reconheço nesta "putativa" democracia e não voltarei a votar enquanto não puder escolher o deputado que me representa. Nesse dia, esse deputado poderá invocar a liberdade de consciência para divergir do partido porque aqueles que o elegeram votaram naquele deputado porque sabem o que ele pensa e qual será o seu sentido de voto em assuntos que tenham a ver com questões de consciência.

Mas invocar a liberdade de consciência quando se foi eleito em lista imposta por partido de onde não consta sequer essa matéria do seu programa político é a distorção absoluta da democracia representativa.

02 Fev, 2014

Na morte do Bloco

Alberto Gonçalves - DN de 2-2-2014

Continua a sangria no Bloco de Esquerda. Dia sim, dia não, um relevantíssimo vulto abandona o partido que nunca foi um partido, desiludido com a falta de propensão unitária da esquerda. No dia seguinte, cumprindo a receita de dividir para reinar (connosco), o vulto funda o esboço de um partido que recusa ser partido com o objectivo de proclamar a esquerda unida. É a ordem natural das coisas: de tanto caírem migalhas, o pão aparecerá inteiro. (...)

Durante uns tempos, a festiva agremiação viveu à custa de conflitos de "costumes", como o aborto a expensas públicas ou o progressista acesso dos homossexuais a uma instituição que os progressistas abominavam. Depois de o PS do eng. Sócrates ajudar a consagrar esses decisivos avanços da humanidade, o BE faleceu. (...)

Adaptado do artigo publicado no blogue "Mouriscas - Terras e Gentes"

MANUEL AGOSTINHO SANTANA MAIA nasceu no Casal da Figueira, em Mouriscas, em 1885, e em Mouriscas foi sepultado, em 1984. Foi um médico competente que, na cidade de Abrantes, se dedicou totalmente à Medicina e aos doentes. Em sua homenagem existe na cidade a "Avenida Doutor Santana Maia". Foi pessoa muito conhecida e prestigiada no concelho de Abrantes e noutros concelhos vizinhos.

Em 1980, o Presidente da República Ramalho Eanes deslocou-se a Abrantes para condecorar este ilustre mourisquense. Durante a cerimónia, o presidente revelou uma facto surpreendente: o homenageado, na altura com 85 anos, não beneficiava de nenhuma reforma.

Oportuno é, por isso, recordar a vinda a Abrantes do Presidente da República General Ramalho Eanes, acompanhado da Dr.ª Manuela Eanes, a fim de condecorar o Dr. Manuel Santana Maia, um médico mourisquense que dedicou várias décadas da sua vida aos seus doentes. 

Dr. Manuel Agostinho Santana Maia, benemérito médico mourisquense

Baseia-se este artigo no “Notícias de Abrantes” de 23 de Setembro de 1980. 

O jornal perguntou ao General Ramalho Eanes o significado da sua presença numa cerimónia que, à partida, poderia aparecer eminentemente regional, ao que o presidente respondeu : "“Creio que há um certo numero de valores que devem ser, primeiro, evidenciados e, segundo, acarinhados. Nesses valores eu situo, como de importância primordial, o da fraternidade. E aqui, hoje, comemora-se fundamententalmente isso, o homem que dedicou toda a sua vida profissional a lidar com os outros, não duma maneira qualquer, mas desta maneira especial: com amor. Entendia que era, portanto, necessário realçar este facto. Por outro lado, e no campo da Medicina, infelizmente, e por força da própria evolução, está-se a perder um pouco aquilo que era característico: a existência do médico que era médico, que era conselheiro e que era confidente. O médico não era apenas um técnico, mas um técnico e um homem preocupado com os outros homens. Este caso é um exemplo e interessava que este exemplo fosse realçado, sobretudo para os médicos mais jovens". 

”Seguem-se excertos da reportagem da cerimónia de condecoração que o jornal publicou. 

Dr. Santana Maia condecorado pelo Presidente da Republica: "“Graças a Deus, o meu velho e combalido organismo conseguiu triunfar da prova de resistência a que os meus amigos o submeteram".

Pouco passava das 18 horas da tarde. O Dr. Santana Maia podia enfim descansar de todas as emoções vividas nas últimas horas. Era o termo da homenagem que a cidade prestou ao velho clínico de 85 anos e que teve o seu ponto alto na imposição da Ordem da Benemerência pelo Presidente da Republica. 

O General Ramalho Eanes havia sido recebido, nos limites do concelho, pelo Governador Civil e autoridades concelhias. O Presidente da Câmara, feitas as apresentações protocolares, tomou lugar no carro presidencial e a caravana dirigiu-se em grande velocidade para Abrantes. Na Câmara Municipal teve lugar a cerimónia oficial de recepção. Trocaram-se as habituais saudações, tendo o Presidente do Município feito a entrega da medalha ao Presidente da Republica. 

………………………………………………………………………………………Assinado o Livro de Honra da cidade e feita uma visita às instalações da Câmara, dirigiu-se a comitiva, a pé, para o Convento de S. Domingos, onde iria ter lugar a sessão solene em honra do Dr. Santana Maia. 

Com a sala repleta de público, abriu a sessão e usou da palavra o Presidente da Câmara de Abrantes. No seu breve improviso, considerou uma honra a visita do Presidente da República a Abrantes, mas igualmente um dever aquele reconhecimento público por parte da Nação para com um homem que "dedicou toda a sua vida ao bem do povo» deste e doutros concelhos que serviu".

………………………………………………………………………………………Atingiu-se o momento mais solene. A imposição das insígnias da comenda da Ordem da Benemerência ao Dr. Manuel Agostinho Santana Maia. De pé e numa vigorosa salva de palmas, todos os presentes se associaram ao gesto oficial. 

Justificando o acto, Ramalho Eanes começaria por dizer que «há, felizmente, muitos homens que dão sombra como as árvores, acolhem, estendem os ramos e protegem os que se aproximam. É o Dr. Santana Maia um destes homens». Continuou salientando que «o espírito cristão de quem acolhe irmãos necessitados» terá tido a sua justa recompensa naquela manifestação de reconhecimento, ele que, aos 85 anos, nem sequer dispõe de uma pensão de reforma. E o Presidente da Republica terminou dando ao homenageado um abraço «em nome de todos os Portugueses». 

Agradeceu, por fim, o Dr. Santana Maia esta homenagem pública a que a presença do Presidente da República concedeu um brilho e uma dignidade que ele estaria longe de esperar.

01 Fev, 2014

15.524 cegos

Vasco Pulido Valente - Público de 1-2-2014

Pedro Passos Coelho atravessa uma sala quase vazia e vai pôr o seu boletim de voto numa caixa meio improvisada. E assim é consumado o acto fundador da nossa democracia. O eleitorado mal passou desta vez de 17.000 votos contra 51.748 em 2010; e mesmo assim houve à volta de 2000 militantes que rejeitaram o primeiro-ministro. Tudo visto e considerado, 15.524 militantes do PSD decidiram por si quem será o chefe da direita na eleição de 2015.

Não custa a imaginar de que espécie de indivíduos se trata: funcionários públicos de confiança política, quatro ou cinco dúzias de oportunistas que se agarram a Passos Coelho; e uma dezena ou duas de fanáticos sempre ansiosos por votar na ortodoxia do “partido”, sem exame ou vergonha. De qualquer maneira, quem sofre as consequências é o cidadão comum. O mesmo irá suceder no PS com Seguro ou com outro; e até nos pequenos bandos da extrema-esquerda não se vêem grandes diferenças. Os partidos que tomaram conta do Estado e os partidos que só pensam em tomar conta do Estado (ou, pelo menos de um bocadinho dele) defendem zelosamente o seu monopólio. Bem podem dizer de quando em quando que gostariam de se “abrir” ao cidadão comum. Mas como o cidadão é por natureza um risco, preferem a família, os compadres ou qualquer vigarista do bairro ou da terra já comprometido com eles. O tal “cidadão comum” tão apetecido em época de eleições não consegue nunca atravessar a barreira burocrática e pessoal, que o aparelho fabricou para o manter ao largo. Por isso, de há um tempo para cá assistimos com espanto à irresistível ascensão dos “jotas”, que “trabalharam” no “partido” desde a adolescência e nem vagamente percebem o mundo real.

Esta ridícula “eleição” de Passos Coelho, com um programa autoritário e absurdo, que ninguém discutiu, mostra com mais nitidez do que, por exemplo, a “chicana” parlamentar corrente, o abismo em que caiu a nossa democracia. Suponho que não serei o único a quem horroriza votar em Passos Coelho ou em Seguro. Infelizmente, a organização do regime acabará por forçar milhões de portugueses a cometer esse acto repugnante, em nome do velho “mal menor”, que de resto o dr. Cavaco cultiva. As Repúblicas modernas têm em geral desabado por culpa dos partidos. E os chefes e militantes partidários têm compreendido tarde demais que a supremacia não é a supremacia do povo.

Esta semana a frase é de G. K. Chesterton (“É preferível errar do lado da indulgência do que do lado da crueldade.e a foto do mercado do Funchal é da autoria de Rory McDonald.

As fotos da coluna lateral são de: Benjamim Vieira (Lagoa das Sete Cidades), Gabriel Mendes (ilha da Graciosa) e Francisco Fernandes (ilha das Flores).

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