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COLUNA VERTICAL

"A coragem é a primeira das qualidades humanas porque garante todas as outras.." (Aristóteles)

COLUNA VERTICAL

"A coragem é a primeira das qualidades humanas porque garante todas as outras.." (Aristóteles)

Fernando António Dias Correia

*Osteopata e Naturopata (Lei nº 71/2013) - Telemóvel: 910 777 707

 Raciocínios 

Os problemas de coração, respiratórios e vasculares, quando surgem, é o inevitável.

Porém, as pessoas poderiam viver com mais segurança e qualidade de vida, se desbloqueassem a sua cervical nas mãos de um osteopata com toque de alta-velocidade. Não se assuste com esta referência. Trata-se apenas de expressar um movimento tão curto, tão curto, que na prática se torna apenas numa vibração que tem a possibilidade de desbloquear, ou não, as articulações que, por estarem em oxidação seca, comprimem raízes nervosas indispensáveis às comunicações do cérebro com o sistema que pode entrar em falência. É muito simples, mas embora não se apresente com cariz científico, a evidência de resultados quase imediatos no alívio e mudança de situação, deveriam contar e não se subestimar.

Contudo, explicitar algo como: "Teorias Sobre Morte Súbita", apresentado à "Ordem dos Médicos" por carta, e presencialmente no "Centro de Estudos Médicos Baseados na Evidência", é algo que origina reações só compreendidas através de citações apresentadas a seguir, e que bastam para bom entendedor, pois que logo se percebe que "Teorias Sobre Morte Súbita" se torna incomodativo para aqueles que se entendem a si como "donos da verdade"!

 Citações 

J. W. Von Goethe

"No campo das Ciências as pessoas têm a tendência para rapidamente encararem como sua propriedade pessoal e verdade universal, aquilo que aprenderam e lhes foi transmitido nas Universidades e Academias. Se em determinada altura aparece alguém com ideias novas que contrariam aquilo que aprenderam (como se se tratasse de um "credo" recitado ao longo de gerações), pondo em risco a existência desse "credo", levantam-se todas as paixões e meios contra essa ameaça e todos os métodos passam a ser válidos para a eliminar.

As pessoas resistem de todas as formas possíveis: juram nunca terem ouvido falar de tal assunto; falam dele como se fosse um disparate; consideram o assunto como nem sequer ser merecedor de um esforço para ler ou estudar. É por estes métodos que qualquer nova descoberta pode sofrer uma longa espera, até ser finalmente aceite."

Max Planck

"Em Ciência são necessários 60 anos, não 30, para que uma ideia nova e revolucionária se afirme. Não só têm de falecer os velhos Professores como, provavelmente também os seus alunos."

Werner Kollath

"Qualquer trabalho científico não ortodoxo, quando surge, para os tradicionalistas, queimado numa fogueira ou congelado num frigorífico, tudo serve. É uma questão de temperatura."

(continua)

M, Fátima Bonifácio - Público de 19-4-2014

(...) E se a esquerda amarrar o seu destino ao destino do Estado social tal como o conhecemos actualmente pode começar a encomendar o seu próprio funeral, pelo simples motivo de que a única maneira de conservar o Estado-providência consiste, a prazo, em privatizá-lo, salvo, desejavelmente, um núcleo duro da Saúde que alguém tenha coragem de definir.

O futuro do Estado social reside na sua “morte e transfiguração”.

Genericamente, as decrépitas economias europeias tornaram-se incapazes de gerar excedentes que permitam sustentar, nos moldes actualmente vigentes, a escola pública, a Saúde pública, a Segurança Social e as diversas e dispendiosíssimas prestações sociais destinadas a garantir o que se convencionou chamar “coesão social”.

Armindo Silveira - deputado municipal de Abrantes do BE

Passados 40 anos da Revolução de Abril, olhamos à nossa volta e sentimo-nos impotentes perante as múltiplas mudanças em sentido contrário à data que hoje celebramos.

Os processos e a implementação de certas politicas já “amadureceram” o suficiente permitindo-nos analisar com lucidez os resultados. Revelam-se partidos, caras e nomes dos que executaram as políticas que já nos retiraram muitas das conquistas de Abril. A bibliografia é vasta….

O livro, “Os Donos de Portugal”, retrata o percurso de mais de cem governantes que, desde 1975 até 2010, desempenharam ou desempenham funções relevantes em grandes empresas. Centenas de figuras ficaram de fora pois este é um grupo restrito que abrange apenas ministros e secretários de Estado de sectores estratégicos tais como finanças, economia e obras públicas. Abundam dirigentes de primeiro plano, parlamentares ou autarcas do PS, PSD e CDS.

Esta é apenas uma ponta do véu que esconde a promiscuidade entre a política e os negócios envolvendo figuras dos denominados partidos do “arco do poder”. Talvez, assim, se justifique que PS, PSD e CDS tenham chumbado, já neste mês de Abril, uma proposta do Bloco de Esquerda que propunha o regime de exclusividade para os deputados na Assembleia da Republica.

“Quem paga o Estado Social em Portugal” prova com números e factos que os trabalhadores portugueses contribuem para o Estado Social com o necessário para pagar a sua saúde, a educação, o bem-estar e as infra-estruturas. Diariamente, uma cáfila de comentadores políticos e outros assalariados mentem, vergonhosamente, todos os dias, na comunicação social e em outros palcos, propagando que o Estado Social não é sustentável.

“A Crise, a Troika e as Alternativas Urgentes” reconstrói um percurso com inicio nos anos 1990. O governo de então, do PSD, chefiado por Cavaco Silva, iniciou um processo de privatizações de quase todas as empresas financeiras e não financeiras do Estado. Esta estratégia, reforçada por uma onda de liberalizações e desregulamentação, por continuas privatizações, contractos ruinosos, obras fantasmas, estradas sem fim, subsídios milagrosos, foi prosseguida pelos Governos, tanto de PS, como de PSD/CDS, o que se revelou altamente lesivo para os interesses nacionais, culminando com a entrada da Troika em Portugal em 2011.

Desde então, intensificaram-se os ataques aos direitos e liberdades a toque de uma malograda Troika que nos mantém agrilhoados a uma maioria política medíocre com uma vontade que é fraca com os fortes e forte com os fracos.

Tudo se vai perdendo em nome da austeridade. Apresentada como a única alternativa para a superação de um país em dificuldades, os seus resultados estão à vista de todos e de todas…afinal, o país está melhor…. os portugueses e portuguesas é que não!

De que é feito um país, senão das suas gentes? Que sentido tem a governação se não for feita para o povo?

No plano económico e social, a austeridade é a linha condutora num processo de transformação política que ameaça tornar-se permanente: depois da ditadura da Troika, segue-se a ditadura do Tratado Orçamental Europeu, tratado este, que nunca foi discutido, nem referendado pelo povo português.

Um povo iludido com sucessivas mentiras… Um povo chocado com a insensibilidade de um governo e de um quase invisível Presidente da República.

Tudo somado, o que irei receber do fundo de pensões (…) quase de certeza que não dá para pagar as minhas despesas” – lamentou-se Cavaco Silva dos parcos 11 mil e tal euros que já aufere.

Eu já ouvi o primeiro-ministro [José Sócrates] dizer que o PSD quer acabar com muitas coisas… também com o 13º mês... Mas nós nunca falámos disso. Isso é um disparate”;

Não contarão [com o nosso apoio] para mais ataques à classe média em nome dos problemas externos. Nós não olhamos para as classes de rendimentos a partir dos mil, mil e poucos euros, dizendo - aqui estão os ricos de Portugal…agora paguem a crise!».

Nós não podemos aumentar a receita aumentando mais impostos. Porque cada vez que tivemos um problema de finanças públicas em Portugal nos últimos anos, a receita foi sempre a mesma. Foi pôr as famílias e as empresas a pagar mais impostos!”, - refere Passos Coelho, escandalizado, em plena campanha de assalto ao poder nas Legislativas de 2011.

A custo, disfarçamos um grito de revolta perante a mentira, a submissão, a hipocrisia, a corrupção e a manipulação generalizada.

Sim… são palavras fortes… mas mais fortes são os momentos em que nos sentimos enraivecidos e impotentes perante quem nos quer manipular contando com uma Comunicação Social dominada, manietada, submissa e incapaz de exercer com rigor o seu trabalho. Até certas palavras já perderam o sentido e foram aprisionadas pelos sucessivos “vendilhões do templo”.

O empobrecimento de largas franjas da população e a asfixia da democracia, é incompatível com o 25 de Abril e com as suas conquistas. A asfixia política, por via da mordaça imposta a todas as alternativas que recusem a ditadura da austeridade, ameaça a Liberdade.

Seja a nível nacional, regional ou local continuamos a presenciar um sinistro desfile de cargos, cunhas, nomeações, avenças e lugares em que as cores não se distinguem e os discursos soam iguais. Tudo vale, tudo é efémero, numa luta pela conquista, preservação, destruição e reconquista do poder dos homens sobre os homens. Será que ainda podemos decidir a forma de sermos escravizados?

Passados 40 anos da Revolução de Abril é urgente relembrar:

Os gritos dos prisioneiros que sucumbiram às mãos da PIDE;

O silêncio das almas dos militares que perderam a vida em Africa;

A angústia dos estropiados de guerra que em paz não estão em paz;

Os sonhos de famílias destruídas;

Os milhares de trabalhadores explorados por homens que deixaram descendentes;

As crianças, os adultos e os idosos que andavam descalços, rotos e famintos;

Os que emigraram sem o desejarem;

Os verdadeiros Militares de Abril;

O medo, o desespero e a angústia crescente escondidos em cada porta;

As famílias que antes do fim do mês já não têm que comer;

Os doentes que esperam horas ao frio e à chuva por uma consulta médica;

Os que se deslocam a expensas próprias a serviços públicos que outrora estavam próximos;

Os deficientes e muitos idosos que não são mais que um negócio;

O milhão e quatrocentos mil desempregados;

Os jovens sem futuro;

A proliferação de cantinas sociais;

E segue uma caravana engalanada por gritos de dor, sofrimento, miséria e destroços humanos;

Queremos ouvir e olhar nos olhos os envolvidos nos processos BPN; BCP; Face Oculta; Portucale; Monte Branco; Cova da Beira; Freeport; Correios de Coimbra; caso dos Submarinos; Swaps; PPP´s e tantos outros;

Queremos olhar nos olhos os que defendem que 485€ mensais são suficientes para sobreviver;

Está alguém nesta sala que se identifica?

Queremos olhar nos olhos quem aufere reformas milionárias com escassos anos de actividade.

Está alguém nesta sala que se identifica?

40 Anos depois da Revolução dos Cravos, o país está a ser desmembrado e vendido perante a cumplicidade de todos nós.

Alguma vez pensámos quais as consequências de imputar uma divida a um recém-nascido? Será este o mundo que lhe reservamos nós, aqueles que deveríamos garantir os valores de Abril?

Por isto tudo e muito mais, o Bloco de Esquerda, nunca se calará e lutará sempre e em qualquer circunstância pela justiça, pela equidade, pela igualdade e pela dignidade humana.

PELO BLOCO ESQUERDA, O 25 DE ABRIL NUNCA MORRERÁ!!!

VIVA O 25 DE ABRIL – 25 DE ABRIL SEMPRE

VIVA O 25 DE ABRIL – 25 DE ABRIL SEMPRE

VIVA O 25 DE ABRIL – 25 DE ABRIL SEMPRE

Fernando António Dias Correia

*Osteopata e Naturopata (Lei nº 71/2013) - Telemóvel: 910 777 707

Sou naturopata e osteopata, ex-competidor em Torneios Mundiais de Artes Marciais e Instrutor Civil de Tropas Especiais de Combate de Proximidade - preocupei-me com as mortes súbitas no desporto, seja em lazer ou até alta-competição.

É que os entendidos afirmavam que algo estava em falta no exame-médico-desportivo – o mesmo para um simples exame de rotina em qualquer faixa da população.

Em 2010 apresentei à Ordem dos Médicos uma proposta para análise e parecer, em contexto médico desportivo – a qual mereceu a maior das desatenções. O mesmo para a apresentação pessoal no Centro de Estudos Médicos Baseados na Evidência.

No passado dia 15, morreu um estudante de 20 anos, Pedro Ferreira, de Penafiel, a jogar futebol. Ontem, aos 7 minutos de jogo, o coração de Alex Marques, uma promessa do futebol Nacional, PAROU!

Também este domingo, Manuel Barreira, enfermeiro de Mirandela, fazendo BTT com amigos – despediu-se da vida com 44 anos.

A causa provável da morte de qualquer um destes, e de tantos outros, desportistas ou não, como Fialho de Gouveia há uns 8 anos ou a situação de um líder tão badalado e forte, apesar da idade – Pinto da Costa – poderão ter uma relação, uma causa em comum: o “vazio discal” localizado na cervical, o qual ocasiona ações compressivas e consequente interrupção dos impulsos nervosos originados no SNC é parte da questão.

Este facto poderá explicar a paragem cardíaca súbita, o acidente isquémico transitório, a paragem respiratória e condicionar o surgimento de outras doenças.

Os vivos em situação de risco, porventura, poderão ter uma recuperação espetacular, garantindo a ingestão diária mínima de 2 litros de líquidos e um desbloqueamento cervical adequado, com manipulação osteopática.

(continua)

Vasco Pulido Valente - Público de 26-4-2014

(...) O objectivo do “tratado orçamental” está muito claramente em impedir que as dívidas dos países da “União” se tornem pouco a pouco a responsabilidade da Alemanha, que sacudiu a poeira dos sapatos e se afasta quanto pode de uma “Europa” hoje, para ela, incómoda e desnecessária.

Entretanto, a esquerda portuguesa continua agarrada à ideia de que essa moribunda “Europa”, em última análise, nos salvará, no momento em que o sr. Seguro, alçado a primeiro-ministro, for a Berlim com uma corda ao pescoço chorar as suas mágoas. Ou quando os devedores consigam o milagre de impor aos credores as suas condições. Ou ainda, como quer o dr. Soares nos seus momentos de profeta e mestre, que um distúrbio ou uma “revolução” venham livrar o país de Passos Coelho.

Nesse dia, sim, banidos do mundo, seríamos felizes.

José Pacheco Pereira - Público de 26-4-2014

(...) Depois há a rua. Umas dezenas de militantes da extrema-direita manifestaram-se junto da Assembleia, mas as televisões (que eu vi) fugiram de os mostrar em directo numa clara violação do direito à informação.

Eu não gosto do que eles dizem e pensam, mas não compreendo por que razão não têm direito a serem tratados como notícia.

Não me venham com o argumento de que eram poucos, porque o número escasso de pessoas que já vi em protestos locais da CGTP e mesmo manifestantes singulares nas galerias da Assembleia têm muitas vezes um longo tratamento noticioso e com destaque. (...)

Prates Miguel - deputado municipal de Ponte de Sor da CDU

Desde 1926 e durante 48 anos, Portugal foi governado com mão de ferro pelo ditador Oliveira Salazar e seu delfim Marcello Caetano, num regime autocrático e corporativista, cuja ferocidade era branqueada pela expressão “ ESTADO NOVO”.

A bota da oligarquia de inspiração fascista esmagava um país marcado pela clamorosa assimetria social e económica, onde pequenos deuses caseiros e seus caciques, sugavam o suor de um povo de brandos costumes que sofria as passas de todos os algarves.

Nos campos e nas fábricas, assalariados rurais e operários, eram vítimas indefesas da gula e da rapina de latifundiários e patrões.

Na guerra colonial desencadeada em 1961 pelos Movimentos de Libertação indígenas nas então designadas Províncias Ultramarinas, a nossa tropa era dizimada na flor da vida ou de lá voltava estropiada e traumatizada.

Enquanto isso, o casmurro tirano recusava uma solução política para o conflito, fazia ouvidos de mercador aos apelos da comunidade internacional e declarava-se “orgulhosamente só” numa pátria virtualmente soberana desde o Minho até Timor.

Devido à hemorragia da emigração “a salto” para França e Alemanha, a nação agonizava na cauda da Europa sem oportunidades nem horizontes.

A Censura castrava a informação na imprensa, na rádio e na televisão, como apreendia livros incómodos nas livrarias, passava a pente fino exibições de filmes nas salas de cinema e filtrava papéis de actores no palco de teatros.

A polícia política (PIDE/DGS) perseguia, detinha, espancava, torturava, encarcerava e matava sem dó nem piedade qualquer cidadão suspeito de oposição à política arrogante dos vampiros aquartelados no Poder.

Por seu turno, a Guarda Nacional Republicana (GNR) reprimia e desmobilizava com cavalos, bastões e balas qualquer foco de agitação laboral, quer os alvos fossem uma ceifeira em Baleizão ou um vidraceiro na Marinha Grande.

As Universidades eram inatingíveis à generalidade dos filhos de  camponeses e artífices e nelas era debitado da cátedra um ensino escolástico, nada pragmático nem virado para o mercado de trabalho dos futuros licenciados, pelo que na segunda metade da década de 60 alojou-se nas academias universitárias o “vírus” da reforma e da democratização do acesso às escolas superiores.

Simultaneamente, organizava-se a resistência na clandestinidade e no exílio e à medida que a revolta alastrava, a repressão crescia em espiral, até que o descontentamento instalou-se no seio das Forças Armadas pela mão dos jovens capitães milicianos.

Depois de uma tentativa gorada em 16 de Março, a partir do Regimento de Infantaria das Caldas da Rainha, o Movimento das Forças Armadas, finalmente, na madrugada de 25 de Abril, surpreendeu em barrete e ceroulas os administradores dos pontos nevrálgicos do Poder. A Revolução dos Cravos triunfava sobre a reacção dos tiranetes.

A Liberdade enxurrava nas ruas de Lisboa, fazia eco nas montanhas, varria as planícies e viajava nas asas das gaivotas até às grades das celas de Caxias e Peniche, apinhadas de resistentes condenados por delito de opinião em Tribunais Plenários orquestrados.

Desde então, governados ora assim, ora assado, os portugueses alcançaram um estatuto de cidadania compatível com o Estado de Direito instituído e os níveis de qualidade de vida subiram para patamares , digamos, confortáveis…

Porém, 40 anos volvidos, se aqui estamos em plena liberdade de associação, reunião e expressão ( uma das conquistas de Abril), penosas são outras evidências: O estado social, está moribundo; A Saúde, a Educação, a Justiça, estão pelos olhos da cara e ficando centralizadas  a léguas e léguas dos potenciais utentes… A actividade económica está… desactivada; A construção de uma sociedade inclusiva, participada, aberta, plural, intergeracional e qualificada… implodiu! A carga fiscal, não há asno que a carregue nem albarda que a aguente; As insolvências e as penhoras, são uma praga… A corrupção ilibada e o tráfico de influências, galopam à rédea solta...A velhice de reformados e pensionistas está um pesadelo… Jovens técnicos demandam ocupação noutras paragens… O flagelo do desemprego fustiga  as famílias e fomenta a criminalidade. E quem pode, quer e manda, sabe que o povo resmunga mas cala-se com uma côdea de pão e um bilhete para o circo.

É com alguma apreensão que constatamos a palidez com que o Município menosprezou a grandeza da data e da efeméride, não encontrando motivo plausível para esse desleixo. Quarenta anos de Democracia nascida por cesariana, mereciam, achamos nós, uma comemoração mais vasta, em que o povo e as colectividades, mobilizados pelo poder autárquico democrático, tivessem um papel de relevo. Perdoe-se-me o desabafo, se estiver redondamente enganado, mas exprimo com certa mágoa que pretendo não seja entendida como de todo piegas. Aliás já Simone de Beauvoir punha o dedo na ferida quando escrevia “O opressor não seria tão forte se não tivesse cúmplices entre os oprimidos”

Acresce que – e isso foi-me transmitido ontem - por mero lapso desculpável ou mercê de omissão deliberada, os vereadores da oposição não foram suscitados de modo mais ou menos apelativo, mas sempre formal, por quem de direito ou de dever, a estarem presentes nesta cerimónia. Salvo o devido respeito por mais esclarecida opinião, porque representantes de uma fatia do eleitorado e pessoas de plena cidadania, não podem ser considerados persona non grata num regime em que a liberdade de pensamento é pilar, e devendo ser chamados a franquear as mesmas portas que Abril abriu.

Termino, neste 40º aniversário da revolução que devolveu a Portugal uma democracia cheia de sangue na guelra e cristalina de ideais, mas nesta data lazarenta de quistos e abcessos, em jeito de aviso à navegação, citando o operacional capitão de Abril Salgueiro Maia que mediou a rendição de Marcello Caetano ao MFA no Quartel do Carmo. Disse o lúcido capitão, herói de Abril, que sempre dispensou honrarias, na véspera da sua morte prematura “Não se preocupem com o local onde vão sepultar o meu corpo. Preocupem-se é com aqueles que querem sepultar o que ajudei a construir”.        

Viva, pois, o 25 de Abril!

Maria Filomena Mónica fala sobre a felicidade imprevisível do 25 de Abril e o que ainda falta conquistar. Este Governo não a enfurece como o de Sócrates, que considera «o mais criminoso» na História do país.

O 25 de Abril é de esquerda?

Primeiro, o 25 de Abril é um golpe militar e isso entristece-me. Significa que não foram os cidadãos que deitaram abaixo o regime anterior. Em Portugal, nunca foram os cidadãos a lutar pela liberdade. Somos um povo obediente e que, pelos vistos, não se importa de viver em ditadura. Os militares é que tomam o destino da nação nas mãos e isso entristece-me. Dito isto, deram-nos a liberdade para estar aqui a falar, o que era impensável antes do 25 de Abril, portanto, para mim, é um golpe de esquerda. (…)

Em 2011 dizia que não se queixava do Governo. Mantém a opinião?

Provavelmente não me queixava porque tinha esperança na mudança, depois do Governo mais criminoso que tinha existido na História de Portugal, que era o de Sócrates e que nos deixou à beira do abismo. Este Governo não me enfurece como o de Sócrates, mas não tem tido garra, nem coragem.

Mas tomou medidas das quais muitos portugueses discordam…

Imagino que as medidas eram necessárias. Se devíamos muito dinheiro ao estrangeiro, agora temos que pagar. Andámos a comprar coisas que se calhar não eram essenciais e a corrupção foi enorme e continua. E o povo é muito tolerante com os corruptos. A justiça tem tido um papel muito negativo porque não funciona. Já deixou prescrever crimes gravíssimos. Eu, que pago impostos e pensava que era uma maneira de redistribuir a riqueza no país, a partir de agora, se calhar, o que me apetece é fugir. Ah sim o Jardim Gonçalves não vai preso? Ninguém vai preso? Então porque hei-de estar a pagar pelos bancos que deixaram falir e só fizeram negociatas?