Santana-Maia Leonardo - DN de 26-5-2014
O resultado expressivo do MPT (Movimento Partido da Terra) veio demonstrar, antes de mais, que o povo português não está condenado a ter de comer o que PS e PSD lhe colocam no prato.
E o resultado ainda foi mais significativo na medida em que foi manifesto o esforço da comunicação social, durante toda a campanha, para silenciar o candidato Marinho Pinho.
Em democracia, ao contrário do que os fatalistas nos queriam convencer, há sempre alternativa através do voto. E o resultado do MPT foi importante precisamente por isso: por um lado, para que o povo português perceba que o voto é efectivamente uma arma poderosa que tem ao seu dispor e que pode usar contra os poderes instalados; e por outro para que o PS e o PSD percebam de uma vez por todas que não são donos do nosso voto.
O voto na CDU representa também um voto de protesto mas trata-se de um voto que se situa na franja esquerda do eleitorado e, como tal, longe do centro político onde pescam o PS e o PSD.
Pelo contrário, o MPT disputa o mesmo eleitorado do PS e do PSD pelo que a sua erupção nestas eleições é uma ameaça real para estes dois partidos, tanto mais que, nas próximas legislativas, a comunicação social vai ser obrigada a dar palco a Marinho Pinto. E é óbvio que o seu discurso justicialista contra uma classe política medíocre, incompetente, mentirosa e corrupta vai necessariamente colher frutos, se PS e PSD não tiverem a coragem de se reformarem e refundarem, tornando-se partidos asseados que, neste momento, não são.
Para os interesses económicos que manipulam estes dois partidos, este resultado eleitoral foi uma autêntica tragédia porque deixa antever a necessidade de uma grande coligação entre o PS e o PSD, após as próximas legislativas, com um resultado que não permite sequer alterar a Constituição da República, essencial para se cumprir o Tratado Orçamental que ambos aprovaram no ano passado.
Ora, para os grandes grupos económicos que sustentam estes dois partidos, o Bloco Central é sempre a última cartada que gostam de jogar, para mais quando os dois juntos podem não chegar aos 2/3 dos deputados necessários para alterar a Constituição. O ideal para os grandes grupos económicos é a alternância tranquila entre maiorias do PS e maiorias do PSD para que o povo tenha a ilusão da mudança, ficando tudo na mesma.