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COLUNA VERTICAL



Sábado, 02.08.14

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Sábado, 02.08.14

Por que viveu Jean Jaurès?

Francisco Assis - Público de 31-7-2014

“Porque mataram Jaurès?” A pergunta é o refrão de uma canção de Jacques Brel, comovedora evocação da tragédia que a Primeira Guerra Mundial constituiu. Faz hoje precisamente um século que em Paris, à hora do jantar, num restaurante próximo da redacção do jornal L’Humanité, que ele então dirigia, Jean Jaurès foi assassinado por um tal Raoul Villain, personagem medíocre e nacionalista fanático. (...)

Nascido no meio rural do Midi francês, Jaurès cedo deu provas de excepcionalidade intelectual devidamente reconhecidas pelos seus professores. Ainda adolescente, partiu para Paris, onde se formaria em Filosofia na prestigiada École Normale Supérieur. Estudante brilhante, tudo o encaminhava para o destino da docência universitária, que chegou a exercer durante alguns anos em Toulouse. O apelo do envolvimento político foi, porém, mais forte. Aos 26 anos, depois de ter travado com sucesso um combate eleitoral com um representante das velhas classes dominantes, foi eleito deputado à Assembleia Nacional. Perfilhava, então, o ideário republicano em estrita fidelidade aos valores fundadores da Revolução de 1789, a que acrescentava uma genuína preocupação com aquilo que designava por “a questão social”. Terá sido por essa via que acabou por chegar ao socialismo democrático. (...)

A originalidade do seu pensamento político manifestou-se também na abordagem de um dos casos mais relevantes e simbólicos da época em que viveu: o "caso Dreyfus". Injustamente acusado de traição à pátria, num contexto histórico marcado pela prevalência do anti-semitismo, este oficial judeu do Exército francês foi condenado e desterrado para a ilha do Diabo. Com Zola à cabeça, desencadeou-se um vasto movimento de protesto cívico. Para uma certa esquerda de orientação sectariamente marxista, o assunto deveria ser desvalorizado – no fundo, tratar-se-ia de um conflito no seio da burguesia em tudo alheio aos interesses objectivos do proletariado. Jaurès demarcou-se desta linha de orientação. Após uma ligeira hesitação inicial, empenhou-se vigorosamente na defesa da causa de Dreyfus e, a esse propósito, proferiu uma declaração de extraordinário alcance: “Se Dreyfus foi ilegalmente condenado, ele já não é apenas um oficial ou um burguês (…) ele passa a ser a humanidade, ela mesma inteiramente exposta ao mais elevado grau de desespero e de miséria que se pode imaginar.” Esta declaração não permite qualquer leitura ambígua – acima da importância da luta de classes há uma aspiração maior, há a aspiração de uma justiça universal aplicável a cada homem e a cada mulher, independentemente das circunstâncias históricas e da condição concreta dos seres humanos. A justiça não pode esperar pela instauração do socialismo. (...)

“Por que mataram Jaurés?”, perguntava Jacques Brel. Por que mataram um homem justo, que como poucos teve a premonição do horror absoluto que estava a caminho? A resposta só pode ser cruel – porque o mal muitas vezes, demasiadas vezes, triunfa na História. Mas a questão talvez deva ser colocada de outra forma: por que viveu Jean Jaurès? A resposta estará em Victor Hugo: “ Os que vivem são os que lutam.”

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