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COLUNA VERTICAL



Terça-feira, 05.08.14

A longa marcha que nos trouxe de “O Capital” até “As Cinquenta Sombras de Grey”

Helena Matos - Observador de 3-8-2014

Há alguns anos o povo lia “A Rosa do Adro” e os filhos das elites “O Capital”. Agora lêem todos “As Cinquenta Sombras de Grey”.

Não, não vou lamentar a degradação literária que tal implica – “A Rosa do Adro” é um romance insuportavelmente mal escrito e “O Capital” não primava propriamente pela clareza. Mas os livros valem também porque acusam as inquietações dos leitores num determinado tempo. (...)

Esta irrupção de “As Cinquenta Sombras de Grey” e seus sucedâneos pelas mesinhas de cabeceira do Ocidente tornou-se-me uma evidência, se quiserem até uma fatalidade, quando nos últimos dias dei comigo a acompanhar os acontecimentos em Gaza. Durante dias e dias coleccionei factos, vídeos, textos, noticiários sobre o conflito na Faixa de Gaza. Repórteres arfantes falavam de genocídio, mães que choravam filhos, casas destruídas… Não havia mais do que duas ou três palavras sobre a transformação das escolas em paióis por parte do Hamas e muito menos se vislumbrava qualquer tentativa por parte dos jornalistas de confrontar as autoridades palestinianas com esse facto. Não era possível que ao noticiarem a destruição da única central eléctrica existente na Faixa de Gaza não acrescentassem que, mesmo em pleno conflito, Israel fornece energia eléctrica a Gaza pois apesar de toda a ajuda canalizada para aquele território ali apenas existe uma central eléctrica sendo a restante energia fornecida por Israel e pelo Egipto. Não queria acreditar que se falasse do pecado original da fundação de Israel como se anteriormente existisse naquele local um estado palestiniano…

Diante de tanta condescendência, quando não fascínio pelo terrorismo, pela opressão e pela barbárie presentes na ideologia do Hamas, toda aquela tranquitana de chicotes, coleiras e rituais de humilhação que agora enchem montras de lojas e páginas e páginas de sucessos de livraria configurou-se diante dos meus olhos como um símbolo: onde antes estavam as foices e os martelos estão agora os chicotes. Nos tempos da foice e do martelo boa parte daintelligentzia ocidental sonhava em ser vermelha. Agora já não sonha. Só quer que a dominem. Ver os seus a serem derrotados é a sua fantasia. E politicamente falando Gaza é a sua fantasia. Não a sua causa, que já não as tem. (...)

Relativamente conformada com esta evidência – não vale a pena combater uma fantasia – descobri um mundo novo. Ou melhor dizendo, dois.

O primeiro dá conta do interesse crescente dos europeus por aquilo que preteritamente se designava como sadomasoch e agora é todo um universo de siglas e de peripécias. (...) Os noticiários europeus sobre o conflito de Gaza parecem-me agora muito mais claros desde que descobri o Shibararetai, a saber o desejo de ser amarrado por alguém a quem os origamis humanos chamam mestre.

Quanto ao segundo mundo que descobri devo-o aos vídeos do Hamas, à Al Jazeera e meios de comunicação similares que desde há dias tenho como minha fonte quase exclusiva de informação sobre Gaza. Não só tem sido um sossego – aquela não é a minha gente logo não me irrito com eles –, como na verdade estou também muito melhor informada pois se continuo a ver apenas a versão do Hamas, a verdade é que, como referiu o Paulo Tunhas, a própria militância induz à exposição, logo vejo mais: vejo também aqueles que o Hamas identifica como seus inimigos a serem executados e os seus cadáveres arrastados pelas ruas; vejo crianças com cuja vida ninguém se preocupa carregando com mísseis até à fronteira e a serem doutrinadas para o martírio na escola. Em boa verdade até encontro referências a palestinianos feridos no conflito que estão a ser tratados em Israel e ao desgraçado destino dos trabalhadores, muitos deles ainda crianças, que cavam os túneis por onde o Hamas infiltra os seus homens em território israelita. Ou seja estamos longe da versão dos media ocidentais que transforma os palestinianos nuns seres sem vontade, cuja vida depende em absoluto de Israel e os simplifica a ponto de não serem referidas as divergências políticas entre os palestinianos residentes na Faixa de Gaza e os da Cisjordânia.

Esta Europa em declínio onde o relativismo se tornou a ideologia sobrante e a encenação da humilhação a derradeira transgressão, ou começa a ler outros livros ou vai descobrir tarde, muito tarde, que a sua fantasia de submissão se tornou realidade.

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Terça-feira, 05.08.14

O Novo Banco e uma nova política

João Miguel Tavares - Público de 5-8-2014

(...) Falta um segundo momento em todo este processo – aquele em que os administradores do BES serão punidos pela justiça.

As acusações de Carlos Costa foram de tal forma explícitas que ninguém pode acreditar que um buraco de cinco mil milhões de euros se cavou sozinho.

O povo precisa desesperadamente de ver certos frequentadores da Comporta atrás das grades: nós não podemos continuar a viver num país em que o Sr. Santos vai preso porque roubou 100 mil euros com uma pistola, enquanto o Dr. Espírito Santo é convidado a demitir-se porque fez desaparecer 100 milhões de euros com uma caneta. (...)

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Terça-feira, 05.08.14

O regresso do socialismo dos idiotas

Rui Ramos - Observador de 31-7-2014

(...) O líder social democrata alemão August Bebel chamou ao “anti-semitismo” o “socialismo dos idiotas”. De facto, o anti-semitismo recolhe toda a mitologia anti-capitalista, como a que informa as teorias da conspiração dos bancos, mas identificando o capitalismo com aquele que, até ao século XX, foi o maior grupo étnico-religioso europeu sem Estado, e que o folclore de quase todos os países associava ao negócio e ao dinheiro.(...) O anti-semitismo funciona, desse ponto de vista, como um anti-capitalismo focado numa minoria específica, excluída da “comunidade nacional”, e portanto aceitável para os demais proprietários e capitalistas. (...)

Na corrente raiva contra Israel, a esquerda anti-capitalista, que desde a década de 1970 viu no ataque ao Estado judaico um meio de atingir os EUA, não se inibe de marchar com o jihadismo, que herdou do nacionalismo árabe de meados do século XX a fixação na destruição de Israel. Um dos seus truques mais perversos é confundir Israel com a Alemanha nazi, ou a operação contra o Hamas com o holocausto. Como é óbvio, todas as mortes são para lamentar. Mas deveria talvez ser óbvio que a organização do extermínio sistemático de um povo, por razões ideológicas, não é a mesma coisa que uma operação militar que causa vítimas civis por se desenrolar numa área densamente habitada. Até há pouco, as esquerdas académicas zelavam pelo carácter único do holocausto, de forma a evitar comparações com o Gulag comunista. Agora, que o fim é difamar Israel, pode-se banalizar o nazismo.

O primeiro efeito destas marchas comuns de velhos esquerdistas e radicais islâmicos tem sido a “legitimação” do anti-semitismo, sob o manto hipócrita do “anti-sionismo”, mas com o mesmo resultado: a perseguição das comunidades judaicas. Em França, a 20 de Julho, os protestos por Gaza inspiraram uma espécie de pogrom, Na Bélgica, um letreiro proibia a entrada num café aos “sionistas”. Na Alemanha, o governo achou por bem tranquilizar os judeus perante os slogans anti-semitas das manifestações ditas pró-palestinianas. Em suma, da próxima vez que Jean-Marie Le Pen cometer uma gafe anti-semita, sentir-se-á menos exposto e isolado. No momento em que os populismos sobem na Europa, será boa ideia isentar o anti-semitismo do estigma que, até agora, o refreou? No fundo, talvez o anti-semitismo não seja o único socialismo próprio de idiotas.

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