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COLUNA VERTICAL



Quarta-feira, 06.08.14

O “papão” neo-liberal

Fátima Bonifácio - Observador de 31-7-2014

Como disse Margareth Thatcher há mais de 25 anos, “Without the rich there will be no hope for the poor”. (...) A única alternativa ao papel social dos ricos até hoje encontrada foi o comunismo, que vigorou em ditadura e graças à ditadura, conviveu com muita miséria e, ainda assim, acabou por fracassar abjectamente.

Todas as atrocidades cometidas pelos regimes comunistas foram-no – pelo menos teoricamente – em nome do radicalismo humanitário, que visava, entre outras coisas impossíveis, nivelar a sociedade e eliminar completamente a miséria. Cem anos antes já Garett denunciava o logro da doutrina. “Fábula para néscios é o sonhado nivelamento das classes; e quanto mais livre for um Estado, tanto menos possível será ela de realizar. [...] O maior número dos habitantes de um país há-de sempre ser condenado, pelas exigências da sociedade, aos lavores afadigosos e materiais que embrutecem e abatem.” (1837)

O colapso do mundo soviético, emblematicamente representado, entre outras coisas, pelos delirantes “planos quinquenais”, tornou ainda mais evidente que o mercado – de mercadorias, de emprego, de capitais, de ideias – continua a ser o instrumento mais eficaz quando se trata de organizar a vida económico-social de uma sociedade livre. Sobre isso, e mais importante do que isso, o mercado é indispensável à liberdade colectiva e individual. Tratemos desta, que os liberais prezam mais que tudo, mas a que a democracia igualitária, por horror à diferenciação pessoal e social inerente à meritocracia, não dá praticamente valor nenhum.

A liberdade (e a autonomia) dos indivíduos são valores centrais na ideologia liberal. A liberdade pela liberdade – não a liberdade para fazer isto ou aquilo, para fazer o que apetece sem reconhecimento de limites, não a liberdade cativa pela sua vinculação a um objectivo que lhe seja estranho. Dos que procuram na liberdade outra coisa do que ela mesma, disse Tocqueville que eram feitos para servir. A liberdade é o que a todos permite desde a satisfação das suas necessidades e prazeres até à expansão dos seus génios individuais; também pode proporcionar uma espécie de fruição arcádica da vida inteiramente desprovida de utilidade ou heroísmo, mas que vale por si mesma.

Interrogado sobre o que era a liberdade, Benjamin Constant, um dos principais teóricos da liberdade e dos regimes constitucionais, respondia em princípios do séc. XIX: é a possibilidade de irmos de um lado para o outro sem que nos perguntem donde vimos nem para onde vamos; é a possibilidade de ter uma conversa com um amigo sem receio de ela ser investigada; é a possibilidade de formarmos e emitirmos livremente as nossas opiniões estéticas, políticas, religiosas, filosóficas… (Cito de memória). Mas por este rol de coisas tão simples, os liberais pagam um elevado preço. Recai sobre eles, e só sobre eles, por inteiro, a responsabilidade por cada acto, palavra ou pensamento. Não se podem desculpar com o Chefe ou com as exigências de uma Causa. A liberdade dos liberais é livre e individual, e com a responsabilidade passa-se o mesmo. É uma condição muito solitária, a do liberal deixado frente a frente com as suas dúvidas e angústias, sem poder refugiar-se na invocação de uma Autoridade, divina ou terrena, apenas entregue à racionalidade dos seus argumentos.

Serão uma seita de “estacionários” avessa a todo o progresso? Aos liberais se devem conquistas civilizacionais que todos desejamos irreversíveis, como a separação dos poderes do Estado, por exemplo (Montesquieu). São geralmente advogados de todas as causas humanitárias que não envolvam utopias que resultam na barbárie ou rupturas abruptas com a Tradição. Não cultivam o vanguardismo que trucida as sociedades em períodos de convulsão. São reformistas, gradualistas, não são revolucionários convencidos de que a violência política fornece um atalho para o paraíso na terra. (...)

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Quarta-feira, 06.08.14

"Piedade! Eu não sou um estudante indefeso!"

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Quarta-feira, 06.08.14

Petição: Assegurar a paz e a segurança dos cristãos no Iraque

À atenção da ONU e da Liga Árabe:

Pedimos para ONU e a Liga Árabe reagirem e agirem rapidamente para acabar com os abusos por parte do Estado islâmico e a erradicação sistemática dos cristãos iraquianos.

 

Para assinar a petição, basta clicar sobre a foto.

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Neste momento, os cristãos iraquianos são vítimas de um  genocídio real. Enquanto isso, a comunidade internacional prefere olhar para o outro lado . O desaparecimento dos cristãos no Iraque é  uma ameaça imediata para a humanidade.

Recentemente, os cristãos foram obrigados a deixar Mossul, depois de o Estado Islâmico (ISIS) lhes ter deixado como alternativa ou o exílio ou a morte. Pela primeira vez, em mais de 15 séculos, não há cristãos em Mosul. 

O Bispo caldeu auxiliar de Bagdá, Dom Saad Syroub lançou um SOS à comunidade internacional :

"Nós não temos palavras, porque o que aconteceu é realmente chocante. Os cristãos vivem em Mossul há séculos e estas famílias foram arrancadas de sua cidade, suas casas, suas vidas, de repente. Estamos muito preocupados com o futuro dos cristãos no país. "

Em 2003, antes da invasão dos EUA, havia mais  de um milhão de cristãos no Iraque, incluindo mais de  600.000 em Bagdá e cerca de 60.000 em Mosul.

No domingo, dia 20 de julho, Ban Ki MoonSecretário-Geral da ONU, disse:

"Os  ataques sistemáticos contra a população civil por causa  da sua etnia ou filiação religiosa pode constituir um crime contra a humanidade, cujos autores devem ser  responsabilizados."

Foi aprovada, na passada 2ª Feira, por unanimidade, pelos 15 países membros do Conselho de Segurança da ONU a seguinte declaração:

"Nós condenamos fortemente a perseguição sistemática por parte do Estado e os grupos islâmicos a pessoas pertencentes a minorias, designadamente religiosas, que se recusam a adoptar a ideologia extremista do Estado islâmico."

A partir  daqui apelamos às Nações Unidas e da Liga Árabe para reagirem e agirem rapidamente para acabar com  estes abusos por parte do Estado islâmico e a  limpeza religiosa sistemática que estão sofrendo os  cristãos iraquianos.

Diante de tanta dor, as palavras valem pouco. Mas sempre que agimos, a nossa mensagem pode chegar longe e contribuir para que haja ainda uma réstea de esperança, um futuro e um refúgio para os cristãos no Iraque.

Somos todos "Nasrani".

Assine a petição e a sua mensagem chegará ao Secretário-Geral da Liga Árabe e ao responsável para os Direitos Humanos, Paz, Segurança e Política Externa, assim como ao Secretário-Geral das Nações Unidas e ao seu serviço de imprensa.

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