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COLUNA VERTICAL



Sexta-feira, 09.01.15

Abrantes, cidade do Alto Alentejo

Santana-Maia Leonardo - Rede Regional de 11-1-2015

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A localização de Abrantes no centro de Portugal, a meio caminho entre Lisboa e Espanha e entre o Algarve e a Galiza, deveria torná-la só por si numa das cidades mais importantes do nosso país. Não é, por acaso, que reza o ditado que é “no meio que está a virtude”. E num país tão pequeno como o nosso, Abrantes, pela sua localização geográfica, deveria aspirar a ser, pelo menos, a capital da Região Centro.

Infelizmente, Abrantes não só não tem sabido tirar partido da sua localização estratégica como está a perder importância regional de forma acelerada.

Se olharmos desapaixonadamente para o mapa de Portugal, não podemos deixar de concluir que não faz qualquer sentido deixar um distrito extremamente pobre, desertificado e pequeno, como é o caso do distrito de Portalegre, encravado junto à fronteira espanhola. Os distritos de Portalegre e Santarém deveriam ser obviamente um único distrito, até porque não têm dimensão, nem população para mais. E Abrantes deveria ter capacidade e energia para unir e fortalecer os laços entre ambos, puxando Santarém para Espanha e Portalegre para Lisboa, dando coesão ao novo distrito, em benefício de todos.

Sendo certo que, mantendo-se os dois distritos separados, Abrantes tinha tudo a ganhar em pertencer ao distrito de Portalegre e vai perder tudo por pertencer ao distrito de Santarém. E não é necessário ser muito inteligente para chegar a esta conclusão óbvia. Com efeito, se Abrantes pertencesse ao distrito de Portalegre, seria a cidade mais importante deste distrito, não só por ser a mais populosa mas sobretudo por se localizar do lado ocidental do distrito, ou seja, do lado certo. O Hospital e o Tribunal de Abrantes ganhariam uma relevância natural, no contexto distrital. Quando se está doente, por exemplo, toda a gente quer aproximar-se de Lisboa.

Pelo contrário, no distrito de Santarém, Abrantes fica na ponta esquecida. A não ser as pessoas de Abrantes, quem é que, no distrito de Santarém, troca o Hospital de Santarém, Torres Novas ou Tomar pelo de Abrantes? Quem é que quer andar para trás? E quem diz o Hospital diz o resto. Veja-se o que sucedeu ao tribunal de Círculo de Abrantes. Desapareceu do mapa, sendo hoje Abrantes uma cidade mais irrelevante do que Ponte de Sor, na nova organização judiciária. E quantas pessoas de Torres Novas, Tomar ou Santarém vêm fazer compras a Abrantes? É mais fácil ver pessoas de Abrantes em Santarém, Tomar, Torres Novas ou Leiria do que o contrário. Quem faz e sempre fez vida com Abrantes são as localidades da outra margem do Tejo: Gavião, Ponte de Sor e Bemposta.

Abrantes, se pertencesse ao distrito de Portalegre, tinha não só todas as condições para crescer e transformar-se na cidade mais importante do distrito como daria sustentabilidade e viabilidade a um distrito que, neste momento, é já uma pura ficção. Além disso, Abrantes é uma cidade tipicamente do Alto Alentejo, ou seja, uma zona de transição entre o Alentejo (a sul), as Beiras (a norte) e o Ribatejo (a oeste). Aliás, Abrantes reúne estas três características: Bemposta (Alentejo), Tramagal (Ribatejo) e Mouriscas (Beiras).  

Por que razão, então, o poder político abrantino não se bate para que Abrantes passe a pertencer ao distrito de Portalegre e à sub-região do Alto Alentejo? A resposta parece-me tão óbvia que nem necessitaria de ser respondida. Por que será, estimado leitor? Porque, para os políticos de Abrantes, o caminho mais perto para chegar à capital é Tomar, Santarém e Lisboa. Ou seja, os interesses do município de Abrantes são, neste caso, conflituantes com a carreira dos políticos locais. Sem esquecer que Abrantes é uma excelente cidade para os políticos abrantinos convertidos a Lisboa: não custa nada dar aqui um saltinho para vir fazer campanha eleitoral, dar uma palestra ou jantar com militantes e simpatizantes. Fica apenas a uma hora de caminho e até dá para ir e vir no mesmo dia.

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Sexta-feira, 09.01.15

Visite a exposição "Arsénio Mota: uma vida como obra"

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Sexta-feira, 09.01.15

Hoje somos todos Charlie Hebdo

José Manuel Fernandes - Observador de 8-1-2014

O título desta crónica não é muito original – mas é o que me apetece escrever. É mesmo o que devo escrever. Não porque aprecie especialmente o Charlie Hebdo. Na verdade, nunca gostei muito da publicação, cujo humor roça por vezes a boçalidade e onde se chegava a desenhar com um sentido pornográfico não muito diferente do nosso desaparecido José Vilhena. Mas isso não interessa. O que interessa é que as balas hoje disparadas na redacção do Charlie Hebdo foram balas disparadas contra todos os jornalistas, contra todos os que defendem a liberdade de expressão, contra todos os que apenas desejam viver numa sociedade aberta, tolerante e plural.

A tragédia não é só do Charlie Hebdo, nem só dos parisienses ou dos franceses. É do jornalismo mundial. É de todos os homens livres. (...)

As manifestações de intolerância dos radicais islâmicos, que numa altura de sobressalto todos condenamos, não podem levar-nos, passada a indignação, a tratar de encontrar explicações, desculpas ou remédios. Temos de poder ser livres de nos pronunciar sobre a religião islâmica com o mesmo grau de liberdade com que nos pronunciamos sobre outras religiões. Quem escreve tem de poder escrever com liberdade, não pode andar escondido, como Salman Rushdie andou anos a fio depois de ter sido alvo de uma fatwa. (...)

Tenhamos pois coragem. Esta é uma linha da frente da batalha pela civilização que somos. Porventura a mais importante de todas as linhas de batalha. Se não formos capazes de defender, até às últimas consequências, a liberdade de expressão, a liberdade de imprensa, então ficaremos mais perto da França apática (e islamizada) imaginada por Houellebecq. Até porque há ficções que às vezes são mais reais do que a realidade.

Honremos as palavras de Stéphane Charbonnier, aliás Charb, desenhador e director do Charlie Hebdo, hoje assassinado: “Prefiro morrer de pé do que viver de joelhos”.

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Sexta-feira, 09.01.15

Combater o ódio, defender a liberdade

Editorial do Público de 8-1-2015

(...) Para os manifestantes xenófobos de Dresden, o miserável atentado de Paris há-de ser visto como um incentivo. Tal como será visto como uma debilidade para os que se lhes opõem.

Mas, tal como sucedeu após o 11 de Setembro, é importante não desviar o foco do essencial. E o essencial é a defesa incondicional da liberdade contra o terror, o medo e a violência de toda a espécie de tiranos, islâmicos ou não.

Para isso, é fundamental que a condenação de crimes como este seja generalizada e veemente entre todas as comunidades, incluindo as muçulmanas. É preciso mais do que palavras para que a intrusão dos inimigos da liberdade no quotidiano das sociedades actuais, seja em Paris ou no Iémen, esteja definitivamente condenada ao fracasso. É preciso compromissos que não lhes deixem margem para se imporem ao mundo, amordaçando-o.

É preciso não ceder à repugnante chantagem do terror. E transformar o seu ódio na sua derrota.

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