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COLUNA VERTICAL



Domingo, 11.01.15

Ideais limpos em águas turvas

Editorial do Público de 11-1-2015

Quando John Kennedy disse, junto ao infame Muro de Berlim, que éramos todos berlinenses, toda a gente percebeu do que se tratava. Quando, na sequência dos terríveis atentados do 11 de Setembro, circulou a frase “somos todos americanos”, ninguém teve dúvidas em subscrevê-la. Agora, quando as frases “Je suis Charlie” ou “somos todos Charlie” se multiplicam em muitos milhares de cartazes pela França e pelo mundo, não devia ser preciso explicar que significam o mesmo: não a defesa da linha editorial do jornal atacado, que muitos nem conheciam, mas a defesa da liberdade contra a tirania. (...)

Pergunta um leitor (...) se não podemos ser “um pouco Samira” em lugar de sermos apenas “todos Charlie”. Podemos e devemos. Samira Saleh Al-Nuaimi, advogada em Mossul e defensora dos direitos humanos, foi torturada e executada no norte do Iraque pelos esbirros do autodenominado “Estado Islâmico”. E devemos ser também, para usar a mesma expressão, “um pouco” Hervé Gourdel; ou James Foley Wright; ou David Haines, todos eles decapitados por assassinos que invocam a “pureza” do Islão como pretexto para os seus crimes. E devemos ser também Raef Badawi, oblogger saudita condenado a 10 anos de prisão sob acusação de ter “insultado o islão”, ontem flagelado em público com 50 das 600 chicotadas a que foi condenado na Arábia Saudita – cujo regime, embora apoiado por muitas democracias, viola repetidamente os direitos humanos e o direitos às liberdades dos seus cidadãos.

Hoje, nas ruas de Paris, é também contra estes crimes que milhares marcharão. Isso não impedirá, contudo, que ideais limpos como os das liberdades fundamentais (que devem ser defendidos com intransigência, para todos os países do mundo) não estejam a ser toldados, por estes mesmos dias, nas águas turvas da xenofobia, da desconfiança sem motivo, do desrespeito pelo outro. Um exemplo: o polícia assassinado a sangue-frio pelos atacantes ao Charlie Hebdo era muçulmano. E a sua família veio ontem falar à imprensa. Disse Malek Merabet, o seu irmão: “Parem de misturar tudo, de provocar guerras, de queimar mesquitas ou sinagogas. Falo para todos os racistas, islamófobos e anti-semitas, não misturem os extremistas e os muçulmanos. Atacar os outros não nos trará de volta os mortos e não apaziguará as nossas famílias.” Tê-lo-ão ouvido?

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Domingo, 11.01.15

Le DuBus du jour

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Domingo, 11.01.15

“Raízes judaico-cristãs”

Luís Pereira Coutinho - Público de 10-1-2015

Na Alemanha, os manifestantes contrários à política de imigração socorreram-se, como arma retórica, das “raízes judaico-cristãs” da cultura ocidental e, em particular, da cultura política alemã contemporânea tal como expressa na Constituição de Bona. Lamentavelmente, ao fazê-lo, subverteram por completo a radicação a que apelavam.

A Constituição de Bona assenta efetivamente numa responsabilidade do povo alemão “perante Deus e perante os homens” e tem como princípio estruturante a dignidade humana entendida como “igualdade fundamental de todos na humanidade comum”, na formulação de Joseph Ratzinger.

Sucede que esse apelo, conexo com uma tomada de consciência histórica, é em tudo responsabilizador e inclusivo. Significa sobretudo a assunção permanente de um dever perante o outro enquanto humano, meramente humano. Está nele implícito o projeto verdadeiramente revolucionário de construir uma comunidade política não assente no medo – e, partir dele, na inimizade e na exclusão – mas na verdadeira coragem sempre envolvida na abertura ao outro, na responsabilidade e na inclusão.

Um projeto tanto mais revolucionário quanto permita a todos os que nele participem compreendê-lo e assumi-lo, quer a partir das suas proclamadas bases, quer a partir da elaboração ou reelaboração das suas distintas heranças e tradições. E também por isto se compreende como é perverso o apelo dos manifestantes alemães: nas suas palavras, os valores decorrentes daquelas “raízes” passam paradoxalmente a ser valores impartilháveis.

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Domingo, 11.01.15

Karl Popper (frase) e Clara Almeida (foto)

A frase é de Karl Popper (A liberdade de expressão deve ter primazia sobre o nosso desejo de não ofender.”) e a foto é da autoria de Clara Almeida.

As fotos da coluna lateral são de Abrantes e da autoria de: Maria Isabel Clara, Gilberto Guiomar e João M. Horta. 

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