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COLUNA VERTICAL



Quarta-feira, 14.01.15

Com papas e bolos...

Artur Lalanda

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A propósito da notícia publicada no Jornal NOVA ALIANÇA, de 9 do corrente mês de Janeiro, sob o título “Abrantáqua intervém na Etar dos Carochos” creio que, para “contribuir para a formação de uma opinião pública esclarecida e crítica”, como pretende o jornal, seria útil não aceitar que nos vendam gato por lebre.

Em 2007, quando já existia a actual Etar dos Carochos, nunca aceite pela Câmara Municipal de Abrantes por deficiências técnicas, a coberto de um concurso internacional para concessão das águas residuais do concelho, em que o concorrente ganhador foi escolhido antecipadamente, (o contrato foi assinado em 2007, para ter efeitos a partir do início de 2008, mas começou a ser implementado em 2006, pela Abrantáqua (antes designada por Aquália) - do Grupo Lena,- como demonstram os documentos constantes do processo de concessão).

Nesse contrato, a que foi atribuido o valor de 37 750 587,00 euros, todas as obras previstas deviam estar concluidas em 31 de Dezembro de 2010  (2006/2010).

A partir de Janeiro de 2008 e até ao fim de 2013, a concessionária, que sistemáticamente desrespeitou as cláusulas a que se tinha obrigado, beneficiou de verbas consignadas através dos recibos da água, que totalizaram 10 000 772,31 euros e, no mesmo período, investiu, apenas, 8 084 061,67 euros. Contrariando o mobil do contrato, nunca investiu capital próprio. Cobrou primeiro e gastou depois, a seu belo prazer.

Mas situemo-nos, apenas, na Etar dos Carochos.

A NOVA ETAR era uma obra que, com carácter obrigatório, devia ter ficado concluida em 2008 com o custo de 752 310,00 euros.

Em 2009, como os esgotos continuavam a entrar do Tejo sem qualquer tratamento, a então vereadora do pelouro, hoje presidente da Câmara, veio a público anunciar a imediata instalação de uma etar compacta para remediar o problema. Nada foi feito.

Em 2012, o contrato foi renegociado e a NOVA ETAR, agora orçada em 1 766 952,00 euros (valor conhecido dois anos antes da elaboração do respectivo projecto) devia estar concluida em 2014, data em que foi elaborado o projecto.

Nos termos da renegociação, “optou-se por ampliar a capacidade da Etar dos Carochos dos 2 500 habitantes equivalentes para 10 000, permitindo melhor servir toda a encosta sul que vai do casco histórico ao Bairro do Casal da Preta e, assim, conter o aumento de caudal de efluentes que chegam à Fonte Quente”

Em 2015, decorridos mais dois anos de consignação de verbas à concessionária por intermédio dos recibos da água, ( estima-se, na ordem dos dois milhões de euros) vem a Abrantáqua, pasme-se, por notícia veiculada pelos Serviços Municipalizados, informar que estava a intervir na Etar dos Carochos “por forma a obter níveis de tratamento de acordo com a legislação em vigor e que está concluido o projecto para construção de uma nova estação de tratamento de águas residuais” que irá servir 10 000 habitantes.

Para compor o ramalhete, “ a Abrantáqua informa, ainda, que, posteriormente, serão conhecidos os resultados dos relatórios de ensaios demonstrativos da qualidade do efluente tratado”

A intervenção anunciada limitou-se a “lavar a cara” à etar rejeitada por falta de condições técnicas e cercá-la com rede, não vá algum curioso lembrar-se de recolher amostra para confrontar os resultados da análise, com os que serão anunciados pela concessionária.

Que as autoridades municipais aceitem a "refeição" que lhes é servida pela concessionária, não nos surpreende, mas os munícipes do concelho precisam conhecer a verdade e não se deixarem intoxicar por notícias tendenciosas.

Com a população do concelho reduzida a 37 895 habitantes, (2013) nunca a etar dos Carochos terá 10 000 para a utilizarem, donde se conclui que a NOVA ETAR nunca será construida. A concessionária não investiu os 1 766 952,00 euros e ainda arrecadou mais cerca de 2 milhões de euros (verba estimada) nos últimos dois anos.

Parabéns à administração da Abrantáqua, pelo excelente desempenho. Aos autarcas responsáveis pela exploração dos munícipes deixo um convite : venham a público contestar as afirmações aqui produzidas.

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Quarta-feira, 14.01.15

"Charlie Hebdo" vai estar à venda em Portugal

De lágrima no olho, Maomé segura um cartaz onde se pode ler "Je suis Charlie". A primeira edição pós-ataque à redação do Charlie Hebdo vai ter três milhões de exemplares e será vendida em Portugal.

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Quarta-feira, 14.01.15

O nosso modo de vida

Maria Filomena Bonifácio - Observador de 10-1-2015

(...) Apesar de todas as vicissitudes e das gigantescas tragédias que marcaram o século XX, este “nosso modo de vida” ressuscitou depois de 1945 e sobreviveu até ao 11 de Setembro de 2001. Mais do que sobreviveu: a partir dos anos 60 do século passado, a intelectualidade de esquerda deu-lhe para desprezar como uma burguesisse “o nosso modo de vida” cuja preciosidade parece só descobrir quando o sente ameaçado por um abalo sísmico como estamos a sofrer com a mais recente barbaridade do fanatismo islâmico. Entretanto, “o nosso modo de vida” foi sendo, e continua a ser, agredido por intelectuais, académicos e diletantes que pregam o absoluto relativismo civilizacional, exigindo ao Ocidente que se ajoelhe perante exotismos que pouco ou nada acrescentaram nem acrescentam às criações mais sublimes da Humanidade, nem, mais próximo do tema que me ocupa, geraram o conceito do indivíduo livre e autónomo ou inventaram os Direitos do Homem que humanizaram as sociedades. Muito precisamente, “o nosso modo de vida” que tanto encarecemos é o modo de vida ocidental.

Define-o a liberdade, o pluralismo e a tolerância. Por uma trágica ironia, estes, que são dos nossos mais caros valores, são também as armas de que os nossos inimigos se servem para os destruírem. Estamos aqui perante uma situação típica da tragédia clássica: não há saída senão para a morte. Nas mesquitas inglesas, até há bem pouco tempo, pregava-se a jihad. Foi nos Estados Unidos que os assassinos de mais de 20.000 pessoas aprenderam a pilotar os aviões que lançaram contra as Torres Gémeas em 2001. Os novos bárbaros adquirem treino militar nos nossos territórios, e nas horas vagas circulam entre nós livremente, sem que os possamos reconhecer. Restrições razoáveis à imigração são claramente insuficientes para os detectar e deter.

Devemos então ir para além disso? Não, não devemos nem podemos. Pelo simples motivo de que uma Europa entrincheirada por trás dos muros de uma fortaleza não seria a Europa, seria um agregado de estados policiais com as ameias guarnecidas de metralhadoras e os cidadãos vigiados por polícias e censores. Uma tal Europa seria o aniquilamento do “nosso modo de vida” e a vitória dos nossos carrascos. Estão reunidos os elementos de um destino trágico, pré-inscrito nos pressupostos que regem a nossa vida individual e colectiva. Nada é eterno. Afinal, Roma também caiu perante os bárbaros. (...)

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