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COLUNA VERTICAL



Sexta-feira, 16.01.15

Obviamente não voto!

Santana-Maia Leonardo - Jornal do Alto Alentejo e Nova Aliança

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Portugal já era, em 1974, um país bastante desequilibrado social e territorialmente. Mas a verdade é que o regime democrático, apesar de andar sempre com a coesão social e territorial na boca, tornou esse desequilíbrio absolutamente irreversível, tornando Lisboa numa verdadeira Cidade Estado. E agora é impossível reverter isso, até porque o peso dos votos está cada vez mais concentrado à volta do Terreiro do Paço. Aliás, o sonho e o destino de qualquer jovem que hoje nasça no Interior resume-se a ir viver e trabalhar para Lisboa. E os poucos que por aqui ficam são olhados com algum desdém como se tivessem algum defeito. O que é hoje um alentejano, um ribatejano, um beirão ou um transmontano? É um alfacinha cheio de orgulho nas suas raízes mas que não quer ir viver para lá, nem que os seus filhos para lá vão. 

PS e PSD são hoje duas faces da mesma moeda e com a mesma política de esvaziamento do interior em prol da região de Lisboa. E todas as reformas estruturais levadas a cabo pelos governos socialistas e pelo actual governo foram nesse sentido, assim como todas aquelas que por aí se falam e que aguardam pelo próximo Governo, seja ele PS, PSD-PS ou PSD-CDS.

E não me venham falar na regionalização… O que Interior precisa não é de aumentar os níveis de decisão, a burocracia e a corrupção. Disso já cá temos de sobra. O que o interior necessita é de um Governo que faça a Lisboa o que os Governos do PS e do PSD têm feito ao Interior. Ou seja, encerrar serviços da Administração Pública, Hospitais, Tribunais, Universidades, Quartéis, Ministérios, Secretarias de Estado, Direcções-Gerais, etc. em Lisboa e transferi-los para o interior. O que Portugal precisa, no fundo, é de um Governo que administre este pequeno território com oito milhões de habitantes como se administra uma cidade e não que administre Lisboa como se fosse o país.

O problema é que Lisboa está transformada num daqueles meninos ricos que, apesar de terem tudo, são incapazes de abrir mão de um simples brinquedo para o pobrezinho que nada tem. E PS e PSD são os paizinhos deste menino rico. Dão-lhe tudo, apesar de terem a perfeita consciência de que isso é prejudicial para o crescimento harmonioso de Lisboa e do país.

Não existe no espectro político português um único partido que defenda um modelo de desenvolvimento para o país assente em cidades médias, com um programa sério de combate à desertificação do interior e que passaria, necessariamente, por uma nova reorganização administrativa, com o fim do municipalismo e pela transferência de serviços de Lisboa para o Interior. E, como não existe esse partido, nem existem condições objectivas para existir, desde logo porque quem aqui vive ou é velho ou só pensa em fugir daqui, não tenho em quem votar, nem quem me represente.

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Sexta-feira, 16.01.15

Eleição na floresta

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Sexta-feira, 16.01.15

O fanático multicultural

João Miguel Tavares - Público de 15-1-2015

Como sempre acontece com atentados terroristas, é só esperar que os corpos arrefeçam para os comentários idiotas e autoculpabilizantes começarem a aparecer. A estrutura repete-se: há uma primeira frase pesarosa, a dizer que aquilo não se faz, e logo de seguida vem um “mas”, um “contudo”, um “no entanto”. Foi assim no 11 de Setembro; não poderia deixar de ser assim com o massacre do Charlie Hebdo. (...)

De um campeonato muito diferente são os textos de Boaventura Sousa Santos, o Noam Chomsky do Mondego. Alegadamente, ele pensa, produz obra e tem uma vasta corte de seguidores. (...)

Mas o pior não é isso: é a sua argumentação vir acompanhada de uma dose de demagogia e de sonsice capaz de dar cabo dos melhores estômagos. Um professor doutor perguntar porque é que 37 jovens mortos no Iémen não causam “a mesma repulsa” que o ataque ao Charlie Hebdo só pode ser piada. Ao fim de décadas de pesquisa sociológica, Boaventura ainda não descobriu que ele pode chorar mais pela morte do seu cão do que pela morte de mil chineses, sem que isso signifique que o seu cão valha mais do que mil chineses. E também não percebeu que a repulsa se deve tanto à morte dos caricaturistas como ao atentado à liberdade de expressão – e por isso a tragédia no supermercado judeu não nos marcou da mesma forma.

Ou será que Boaventura sabe isto? Eu acho que sabe. Simplesmente, é mais prático enviesar argumentos para poderem encaixar no seu “no entanto”. Até porque é um “no entanto” e peras. Pergunta ele: “A defesa da laicidade sem limites numa Europa intercultural, onde muitas populações não se reconhecem em tal valor, será afinal uma forma de extremismo?” Que caraças, andou a esquerda tão cara a Boaventura a morrer durante séculos pelo direito a gozar com a religião, para agora ele achar que atribuir uma cara ao profeta em 2015 é uma actividade radical. Mas ele está certo quando escreve: “Estamos perante um choque de fanatismos.” Só é pena Boaventura não vislumbrar o seu – um fanatismo multicultural onde a expressão “valores ocidentais” é posta entre aspas e toda a culpa pelas dificuldades de integração e pelo crescimento do jihadismo é atribuída às políticas do Ocidente. O problema é que são estes fanáticos multiculturais que acabam por empurrar muita gente moderada para os braços da extrema-direita. Boaventura e Marine são duas faces da mesma moeda.

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