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COLUNA VERTICAL



Domingo, 18.01.15

Je suis Charlie

Santana-Maia Leonardo - Nova Aliança

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Voltaire explicou com muita clareza o significado de "Je suis Charlie", quando disse: "Não concordo com o que dizes mas defenderei até à morte a liberdade de o dizeres." A liberdade de expressão é um pilar essencial das sociedades abertas e, tal como escreveu Karl Popper, "deve ter primazia sobre o nosso desejo de não ofender.” E explicou porquê: “quando evitar ofensas constitui a nossa principal preocupação, rapidamente se torna impossível dizermos livremente seja o que for.

Concluindo: "Je suis Charlie" não significa que concordemos sequer com a linha editorial do jornal ou com o que ali se publica. Eu, pessoalmente, não gosto do jornal, nem do seu sentido de humor extremamente ofensivo, tanto assim que nunca o comprei, apesar de comprar frequentemente jornais franceses. Apesar disso, "Je suis Charlie" porque, apesar de não concordar com o que dizem, reconheço-lhes o direito de o dizerem.

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Domingo, 18.01.15

EI está a condenar homossexuais à morte

Observador de 17-1-2015

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O Estado Islâmico (EI) está a aplicar a pena de morte a homens assumida ou alegadamente homos-sexuais.

Os métodos aplicados são medievais: os condenados são lapidados até à morte, crucificados ou, simplesmente, atirados de grandes alturas, através de telhados de edifícios enormes, perante o olhar atento da multidão que os observa do chão, como conta o The Daily Beast.

As imagens que chegam das execuções públicas estão a inundar as redes sociais – os militantes do EI publicam regularmente as fotografias no Twitter, como método de propaganda e de disseminação dos ideais da organização terrorista.

No entendimento dos militantes do EI, a homossexualidade é considerada um comportamento desviante e impuro e, por isso, punível com pena de morte. (...)

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Domingo, 18.01.15

Heróis por um dia

João Marques de Almeida - Observador de 11-10-2015

(...) A biografia dos terroristas de Nova Iorque, de Madrid, de Londres, de Paris é em muitos casos semelhante. O percurso niilista levou-os da alienação ao fanatismo e, daqui, ao terror. E aparecem todos os tipos de explicações, oferecidas por sociólogos e psicólogos. Algumas delas são fascinantes. Aliás, vivemos em sociedades fascinadas com a sociologia. Nada escapa à explicação dos sociólogos. Mas a explicação não é o mais importante agora. A prioridade não é explicar, mas sim defender os cidadãos europeus (incluindo os muçulmanos, como se viu em Paris). E a defesa encontra-se no plano político; o da ação.

A ação política e a defesa da nossa segurança deve partir do reconhecimento da realidade, por mais desagradável que seja. Está na altura de enfrentarmos as verdades incómodas. Nas sociedades europeias, há milhares de jovens, homens e mulheres que vivem com ódio e estão dispostos a matar pelo que nós somos, e não pelo que fazemos. Para eles, não há inocentes, apenas culpados. E querem matar o maior número possível de pessoas. Se puderem matar 20, não assassinam apenas 12. Também devemos acreditar que quem faz isso se torna num “herói” para muitos outros. Na Europa, em geral, há uma enorme dificuldade em lidar com certas realidades, sobretudo quando não se explicadas pelas referências ideológicas e conceptuais dominantes. E a crença, quase religiosa, no progresso torna difícil aceitar que para certos problemas não há soluções satisfatórias. Ou melhor, só há uma solução: lutar e ganhar.

Há um ponto que me parece evidente. Os nossos governos e as nossas autoridades terão que ser capazes de defender a segurança dos seus cidadãos. Nenhuma sociedade aguenta viver com o medo de viajar tranquilamente de comboio, avião, ou metropolitano; ou de trabalhar com segurança nas redações de jornais; ou de ir em sossego para as escolas. A falta de segurança ameaça a legitimidade democrática. Nunca nos devemos esquecer que Hobbes chegou antes de Tocqueville; e o segundo não teria existido sem o primeiro.

Sem segurança, e com “heróis” à solta, arriscamo-nos um dia, perdidos e confusos com as explicações dos nossos sociólogos, a acordar e ver a Frente Nacional a governar a França. Nesse dia, será tarde.

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