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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

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23 Jan, 2015

Curiosidades

Artur Lalanda

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Através da leitura das actas das reuniões do executivo municipal de Abrantes, disponibilizadas no respectivo portal (a última em 19 de Dezembro de 2014),  procurei encontrar a deliberação anunciada pelo vereador, sr. Valamatos, relativa à decisão de “fazer mais talhões” no cemitério de Santa Catarina.

Não encontrei nada, mas, como não quero duvidar da palavra do sr.vereador, admito que possa ter havido uma decisão antes de a proposta ter sido apresentada para votação, como acontece muitas vezes, ou então, que a tal deliberação conste das actas nº.s 15 e 19, de 2014, que não foram divulgadas, sabe-se lá porquê.

Porém, nas actas de 2 e 19 de Dezembro, encontrei motivos para “escrevinhar” estas linhas.

Em 2 de Dezembro, “esteve presente a munícipe Maria Adelina Ferrão Milheiro que fez uma breve explicação sobre o sucedido aquando do falecimento de seu irmão Capitão Ferrão e da impossibilidade de ser imunado num dos cemitério de Cidade, sendo levado para Alferrarede”

A presidente da Câmara lamentou o sucedido, apresentou publicamente um  pedido de desculpas por parte da Câmara Municipal e prometeu (fixem bem) que a autarquia, logo que possível, trasladará o corpo para outro cemitério (qual ?) a expensas da própria autarquia.

Certamente por falta de tempo, não esclareceu a srª. presidente porque motivo não foi autorizada a utilização de uma sepultura disponibilizada no cemitério dos Cabacinhos, por pessoa amiga da família Ferrão.

Quanto à promessa da trasladação, espera-se que seja extensiva a todos os corpos “exportados”, uma vez que o pedido de desculpas mais não representa do que assumir o desleixo inadmissível, condenável e vergonhoso dos responsáveis municipais.

Na acta nº 25, de 19 de Dezembro, encontramos uma proposta de pedido de procedimento pré-contratual, por ajuste directo, para “Aquisição de serviços para elaboração de Projecto de Restauro, Reabilitação, Remodelação e Ampliação do Edifício Carneiro, para instalação do Núcleo da Arte Contemporânea Charters de Almeida, em Abrantes”, por valor que não se prevê ultrapassar 74 890,00 euros, mais IVA.

Ocorre perguntar: os senhores engenheiros e arquitectos que trabalham na Câmara (e são muitos) não serão competentes para elaborar os projectos das obras que a edilidade pretende promover ? Porque será ?

Num ano, em engenheiro e um arquitecto, tinham obrigação de elaborar todos os projectos da Câmara e os respectivos salários não atingiriam, por certo, os 75 mil euros que vão pagar por, apenas, um projecto.

Na mesma acta podemos ler: “A presidente da Câmara começou por dar conhecimento das intervenções que decorrem na Etar dos Carochos, em Abrantes, referindo que se espera para breve a RESOLUÇÃO DEFINITIVA da situação” O ar triunfal com que Sua Excelência a Presidente da Câmara presta esta informação, seria trágico se não fosse escandaloso. Um contrato de concessão assinado em 2007, passível de, na opinião de entendidos, ser considerado ilegal, face ao acentuado desequilíbrio de interesses entre as partes, sistematicamente desrespeitado, agravado com a renegociação assinada em 2012, infelizmente sem investigação programada, cuja RESOLUÇÃO DEFINITIVA contraria frontalmente tudo o que foi negociado em 2007 e 2012, com descarado benefício para a concessionária e evidente prejuízo para os munícipes, passa, no mínimo e na minha opinião, pela classificação de gestão danosa.

Os vereadores da oposição – PSD e PCP – comeram e calaram e, os outros, entraram surdos e saíram mudos, como convém.