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COLUNA VERTICAL



Segunda-feira, 26.01.15

Três perguntas sobre Winston Churchill

João Carlos Espada - Público de 26-1-2014

(...) Churchill tinha uma orgulhosa confiança na tradição da liberdade europeia e ocidental. Ele via essa tradição sem complexos de culpa — complexos coloniais, ou imperiais, ou capitalistas, ou aristocráticas, ou o que quer que fosse. Era uma tradição que tinha dado, e continuava a dar, um contributo claramente positivo, civilizador, à humanidade. Tinha cometido erros e abusos, sem dúvida, como qualquer empreendimento humano, sempre falível e imperfeito. Mas era uma boa causa, na qual ele sempre se sentiu confortável e da qual se sentia grato herdeiro. (...)

Enquanto admirador e estudioso desta tradição, Churchill só podia reagir com horror, desde o início, aos fundamentalismos revolucionários de Lenine e Hitler. O facto de ambos falarem em nome da ruptura revolucionária com o passado e em nome das massas trabalhadoras e dos pobres não o comoveu por um segundo. Essa era a linguagem que sempre causara repugnância ao seu credo político reformista, ordeiro, conservador, liberal e com forte sensibilidade social. (...)

Por que motivo Churchill decidiu, em nome de uma tradição reformista e pragmática, fazer guerra ao nazismo triunfante na Europa, em 1940, e depois denunciar a "cortina de ferro" bolchevista, em 1946? Eis uma hipótese de resposta, dada pelo próprio, num discurso em Paris, em 1939, denunciando o nazismo e o comunismo:

"Como poderemos nós, criados como fomos num clima de liberdade, tolerar ser amordaçados e silenciados; ter espiões, bisbilhoteiros e delatores a cada esquina; deixar que até as nossas conversas privadas sejam escutadas e usadas contra nós pela polícia secreta e todos os seus agentes e sequazes; ser detidos e levados para a prisão sem julgamento; ou ser julgados por tribunais políticos ou partidários por crimes até então desconhecidos do direito civil?” (...)

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Segunda-feira, 26.01.15

E agora, Tsipras? E agora, Merkel?

Editorial do Público de 26-1-2015

(...) Alexis Tsipras pode sempre fazer aquilo que muitos políticos fazem, que é não cumprir aquilo que prometeu. Mas, neste caso, todo o discurso do Syriza e toda a sua construção política iriam desmoronar como um castelo de cartas.

No discurso de vitória, o líder da coligação de esquerda fez questão de lembrar, e bem, que os gregos não lhe passaram um cheque em branco. Passaram-lhe um mandato para negociar com a Alemanha e com a troika para tentar travar a sangria da austeridade.

Mas não será fácil convencer Angela Merkel. Se conseguir, merecerá a alcunha de “Harry Potter” com que Evangelos Venizelos o baptizou.

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Segunda-feira, 26.01.15

Vença o Syriza

Miguel Esteves Cardoso - Público de 25-1-2014

Hoje é um dia importante. Espero que o partido Syriza ganhe as eleições com maioria absoluta. Alexis Tsipras é inteligente, corajoso, grego e europeu: não quer que a Grécia deixe de usar o euro.

Se ganhar com maioria, fará frente à União Europeia e defenderá uma união financeira que ajudará os países mais pobres, como Portugal.

Portugal não pode continuar a fingir que é diferente da Grécia. Não é. A Espanha, maior, também sabe que faz parte do mesmo grupo do savoir vivreque inclui a Itália inteira e quase toda a França.

A verdade é que existe — e sempre existiu — uma Europa do Sul, em que cada país se dividiu, inutilmente, entre Norte e Sul.

Se o Syriza ganhar (ou perder), devemos abraçá-lo e solidarizarmo-nos com ele. As eleições nacionais são a última afirmação da escolha política.

Poderia haver na Grécia um partido que, ao contrário do Syriza, quisesse sair do euro e voltar ao drachma, poupando biliões. Até há. Mas não têm hipótese de ganhar.

Os poderes do Norte da União Europeia querem dividir-nos e obrigaram-nos a competir entre nós, para descobrirmos quem é o escravo mais cumpridor.

Não há maior beleza do que a união política dos pobres e devedores. Obrigarmo-nos a ser de direita ou de esquerda é a mais horrenda manobra divisionista.

Hoje é domingo e a eleição na Grécia atira-nos para o silêncio. Isso é que era bom. Hoje queremos que ganhe o Syriza e, por conseguinte, as opiniões portuguesas que ainda sonham com um mínimo de liberdade.

Assim seja.

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