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COLUNA VERTICAL



Quarta-feira, 28.01.15

Depois do Syriza, a Frente Nacional

Rui Ramos - Observador de 26-1-2015

Durante as últimas semanas, a pessoa mais entusiasmada com a perspectiva de uma vitória do Syriza na Grécia não foi Francisco Louçã: foi Marine Le Pen. O quê, a líder da “direita nacionalista” francesa feliz com o acesso da “esquerda radical” grega ao poder? Sim, exactamente. Le Pen, aliás, não poupou as palavras: na Grécia soprava “um feliz vento de democracia”, augurando uma “vitória do povo e dos seus representantes contra a oligarquia europeia e a grande finança”. Há seis dias, foi ainda mais clara: “Sim, nós esperamos a vitória do Syriza!” Nada disto nos devia espantar, e só nos ajudará a perceber o que poderá estar em causa na Grécia, e que é muito mais do que a chamada “austeridade” ou mesmo a configuração actual da moeda única europeia.

As elites políticas europeias estão a ser apertadas por dois tipos de movimentos populistas: um de “esquerda radical”, como o Syriza na Grécia, e outro de “direita nacionalista”, como a Frente Nacional em França. O credo dos primeiros é o ódio aos “ricos”; os segundo também odeiam os “mercados financeiros”, mas rejeitam igualmente a imigração, e muito especialmente a imigração muçulmana. Uns dizem que é o Estado social que está em causa; outros, que é o Estado nacional. Coincidem, porém, no inimigo: a “oligarquia europeia”, como diz Marine Le Pen. Para a esquerda radical, é uma oligarquia neo-liberal, que quer submeter os Estados ao mercado mundial, para gáudio das grandes fortunas; para a direita nacionalista, é uma oligarquia globalizadora, que, segundo o escritor francês Renaud Camus, está a tentar, através da imigração desenfreada, substituir a população nativa da Europa por uma população importada do Terceiro Mundo. (...)

O modo como a esquerda radical do Syriza ultrapassou a esquerda social-democrata do Pasok (que caiu de 43,9% dos votos em 2009 para 4,7% ontem), tal como o triunfo da Frente Nacional nas últimas eleições europeias em França, permite imaginar a maior de todas as eventualidade políticas: uma mudança dos partidos que, nas democracias europeias, fixaram desde a segunda guerra mundial as opiniões da maioria dos cidadãos. À esquerda, os actuais partidos de matriz social-democrata dariam lugar a partidos de matriz radical; à direita, os partidos de matriz liberal-conservadora seriam trocados por partidos de matriz nacionalista. (...)

Estarão a esquerda radical e a direita nacionalista disponíveis para respeitar o pluralismo político e admitir a alternância governativa, que, até hoje, foram os fundamentos das democracias europeias? Não serão as suas políticas, fundamentalmente hostis à liberdade de iniciativa ou de circulação, fatais para uma UE até agora concebida, apesar de todas as limitações, como uma via de abertura das sociedades europeias e flexibilização das suas economias? Nesse caso, a página que se virou ontem na Grécia pode mesmo ser a primeira de um livro muito diferente do que aquele que contém a história dos últimos 70 anos.

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Quarta-feira, 28.01.15

Je suis PASOK

O eleitorado grego correu com a velha nomenclatura, que há muito se esqueceu dos mais elementares princípios éticos na condução da vida pública. Os socialistas gregos passaram de maioria absoluta em 2009 para 4% em 2015. "Cá se fazem, cá se pagam".

Ou melhor, lá se fazem, lá se pagam, porque, por aqui, o mais certo é voltarem a ter maioria absoluta.

Moral da história: quem vive de cócoras não consegue votar direito. 

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Quarta-feira, 28.01.15

Festa? Falemos antes dos dias difíceis do Syriza

José Manuel Fernandes - Observador de 26-1-2015

(...) É bom não esquecer que a democracia grega não é a única democracia europeia. Nos outros países os eleitorados também fazem escolhas e não parece que estejam dispostos a aceitar aquilo que, no fundo, é pedido pelo Syriza, como é pedido por muitos partidos de esquerda do sul da Europa (não do norte da Europa), assim como por alguns grupos de extrema-direita: que passe a haver transferência de recursos, numa escala hoje impensável, entre países da União Europeia. Sempre que falamos de perdão de dívida, de mutualização de dívida, de eurobonds e de outros mecanismos semelhantes, do que estamos a falar é de obrigar países como a Alemanha, a Holanda ou a Finlândia a pagarem uma parte das nossas contas, das contas gregas, porventura das italianas. Tudo o resto são eufemismos.

Se houvesse um pouco mais de honestidade intelectual no debate público não seria problemático aceitar esta evidência. Mais: os que o fazem não têm problemas em defender, com franqueza e frontalidade, que a construção do euro terá sempre de passar por mecanismos federais, um federalismo não apenas de coordenação de políticas, mas também de transferência de recursos entre países e regiões da Europa. O grande problema é que tal não foi combinado quando o euro foi criado e não se vê como possa vir a aceite pelos eleitorados dos países pagadores.

É por isso que é quase nula a margem de manobra dos líderes europeus, mesmo de líderes de esquerda, como já se começou a perceber pelas reacções das capitais europeias à vitória do Syriza. (...)

A corda esticou muito durante a campanha eleitoral grega e o argumento que será agora levado a Bruxelas é que a escolha do eleitorado foi democrática e, por isso, deve ser respeitada. Só que, verdadeiramente, os gregos não tinham a latitude de escolhas que os candidatos lhes apresentaram na campanha. Podem é ter a escolha que ninguém quis enfrentar: saírem do euro e recuperarem a sua soberania monetária (e não só). Isso sim seria uma decisão soberana – pedir o perdão de dívidas não e, pois choca com a soberania outros povos.

Vamos pois continuar a viver tempos interessantes. Mas esperemos que não demasiado perigosos.

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Quarta-feira, 28.01.15

Morreu ex-deputado do PS Manuel Dias

Observador de 27-1-2015

manuel-pereira-dias.jpg

Manuel Dias, fundador do PS em Abrantes e deputado à Constituinte, morreu esta terça-feira devido a doença prolongada. Militante do Partido Socialista, Manuel Pereira Dias nasceu em Abrantes a 9 de novembro de 1930, onde fundou o PS local, após o 25 de Abril de 1974.

Manuel Dias foi alfaiate de profissão até aos 70 anos, dirigente desportivo no Sporting Clube de Abrantes, no Clube Amadores de Pesca e no Clube de Campismo de Abrantes, tendo assumido ainda responsabilidades de âmbito cultural no Orfeão e no Cineclube de Abrantes.

Foi também presidente da direção da Associação Comercial de Abrantes, Constância, Sardoal e Mação, e desenvolveu, paralelamente, uma intensa atividade política.

Em 1949, com 19 anos, participou na campanha de Norton de Matos, tendo ficado comprometido com a oposição ao regime do Estado Novo. Após o 25 de Abril inicia a militância no Partido Socialista e funda o partido em Abrantes. Em julho de 1974, Manuel Dias integrou a Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Abrantes.

Em 1975, foi eleito deputado à Assembleia Constituinte e, no ano seguinte, para a Assembleia Municipal de Abrantes, onde esteve 37 anos. Em 2012, a Câmara Municipal de Abrantes entregou-lhe a Medalha Municipal de Mérito Cívico e Político.

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