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COLUNA VERTICAL



Quinta-feira, 05.02.15

O bom polícia

Santana-Maia Leonardo - Nova Aliança

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Imaginemos dois polícias responsáveis pelo patrulhamento de duas ruas da cidade. O primeiro polícia, porque faz um patrulhamento de proximidade e com visibilidade, impede que se cometam infracções na sua rua; o segundo polícia, porque não exerce as suas funções com a mesma diligência, tem sempre a sua rua cheia de carros mal estacionados, em cima dos passeios e em segunda fila.

Resumindo: o primeiro polícia chega ao fim do mês sem passar uma única "multa"; por sua vez, o segundo polícia passa "multas" com fartura.

Qual dos dois vos parece ser o melhor polícia? Pois é, mas, para o nosso Governo, as contra-ordenações não se destinam a prevenir as infracções mas a sacar o máximo dinheiro aos contribuintes. Por isso, o bom polícia é, para o Governo, o que consegue passar "multas" e não o que consegue evitar as infracções.

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Quinta-feira, 05.02.15

John Rawls (frase) e José Ferreira (foto)

A frase é de John Rawls ("Sem cooperação do capital e do trabalho, nada seria produzido e, por isso, nada haveria para distribuir.") e a foto de Cascais é da autoria de José Ferreira.

As fotos da coluna lateral são da autoria de: Paula Costa Vieira (Vila Franca de Xira), Mário Castro (Douro) e António Pereira (Chaves).  

Cascais de José Ferreira.jpg

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Quinta-feira, 05.02.15

Palavras que libertam e atraiçoam

António Guerreiro - Público de 12-12-2014

O conceito de género, tal como ele é usado pelos gender studies, para além da sua fecundidade teórica, obrigou a olhar de outra maneira algumas questões fixadas em velhos axiomas. (...) No entanto, há alturas em que os conceitos vão para além dos seus próprios fins e se viram contra si próprios. A noção de género, usada para definir a modalidade e o objecto de uma violência, dita “violência de género”, serve muito mal o que pretende designar. Parece, aliás, um conceito inventado para dar uma aparência de igualdade e simetria ao que nada tem de igual e de simétrico: uma grande parte desta violência é exercida pelos homens sobre as mulheres; o contrário é uma percentagem ínfima. Do ponto de vista pragmático, não há aqui vantagem nenhuma em inflacionar a palavra “género” — uma abstracção, certamente importante para um modelo heurístico — e evitar as palavras “mulher” e “homem”. É quase grotesca esta preciosidade teórica, quando transposta para a linguagem corrente, quando o que está em causa é precisamente uma situação de dominação e de violência que não reconhece os termos desse novo discurso e jamais falará a mesma linguagem. O conceito de género serve para desfazer identidades e superar o modo essencialista de ver a diferença masculino/feminino. Por isso, ele serviu para libertar a mulher da “condição feminina”. Mas o tempo da teoria e da ciência não é o tempo da ordem pragmática, histórico-social.

Situando-nos ainda nos mesmos domínios, um outro termo que tem sido sujeito a um uso inflacionado, e por isso nefasto, é “homofobia”. A palavra “fobia” tem um sentido preciso, muito forte, e convinha não a banalizar. Um grande parte das verdadeiras vítimas de homofobia nem conhece a palavra ou, pelo menos, está impedida de a pronunciar. A maior violência, neste domínio, é uma violência simbólica que as vítimas acabam por interiorizar e exercer contra si próprias. A homofobia engendra a autofobia, e é aí que as suas marcas mais profundas são sentidas. (...) Fazer da homofobia uma pequena mitologia (no sentido das “mitologias” da sociedade de consumo, tal como Roland Barthes as definiu e analisou) é um insulto lançado aos que a sofrem na realidade e não podem dar-se ao luxo de dandismos vocabulares e semânticos. A linguagem está cheia de armadilhas e, com ela, é preciso estabelecer um compromisso ético válido para todas as ocasiões.

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Quinta-feira, 05.02.15

Alguém disse liberalismo?

Rui Ramos - Observador de 29-12-2014

A conversão do deputado Carlos Abreu Amorim tem justificado algumas lições sobre o liberalismo e a sua oportunidade. Como acontece com todos os outros “ismos”, o liberalismo — no singular — só existe em teoria. Na história, nunca houve um liberalismo, mas vários “liberalismos”, como Oliveira Martins notou no “Portugal Contemporâneo”, que continua a ser o grande livro sobre a experiência liberal portuguesa do século XIX. (...)

Em teoria, podemos chamar liberalismo à preferência por um Estado e uma sociedade fundados na independência individual do cidadão, o que pressupõe um poder limitado e o reconhecimento de uma esfera privada. (...)

Para que serve o liberalismo teórico? A mim serve-me, por exemplo, para perceber que o chamado Estado social pode ser um meio de dar oportunidades a muita gente, mas é também uma via para reduzir populações inteiras à condição de utentes controlados por burocracias anónimas. Mas há coisas para que não preciso para nada do meu liberalismo. Por exemplo, para compreender que os políticos correm um risco demasiado grande ao assumir compromissos que não podem pagar, que a defesa do crédito é hoje a melhor maneira de evitar uma ruptura social, ou que convém fazer crescer a riqueza, e que neste momento os mercados abertos da globalização são a via mais adequada para esse fim. Para perceber isto, não preciso do liberalismo.

No entanto, é este o sentido que liberalismo tem no debate político português. Chama-se “liberalismo” à urgência de equilibrar as contas do Estado ou à necessidade de, numa época de endividamento e desemprego, tornar a economia competitiva internacionalmente — como se só aos “liberais” pudessem ocorrer essas opções. É por isso que na Europa, todos os governantes são acusados de “liberalismo”, estejam à esquerda ou à direita: Passos ou Rajoy, mas também Renzi ou Hollande. Não interessa o que cada um deles é ou diz que é: basta que diminuam um subsídio ou façam uma reforma, mesmo contrafeitos, para passarem a ser “liberais”.

Este uso indiscriminado de liberalismo não corresponde, como é óbvio, a um diagnóstico, mas a um embuste: as oposições tratam assim de impor uma identidade ideológica às operações de equilíbrio do Estado social e de estímulo da economia, de modo a fazer crer que são apenas um mero capricho doutrinário, sem qualquer outra razão de ser. Somos assim convidados a acreditar que o mundo é como é apenas porque os “liberais” mandam, e que portanto bastará afastar os “liberais” para que outro mundo — de abundância sem custos para ninguém — seja imediatamente possível. Não, isto não é um debate. É apenas demagogia e desonestidade.

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