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COLUNA VERTICAL



Segunda-feira, 02.02.15

O sentido das proporções

Vasco Pulido Valente - Público de 31-1-2015

(...) Uma escola de pensamento louva o Syriza por ter dado um “abanão” na “Europa”. Seria bom neste capítulo não esquecer que a “Europa” não se abana tão facilmente e que o Syriza é em si próprio insignificante.

Reconheço que um pequeno incidente pode provocar uma enorme catástrofe; basta pensar no arquiduque assassinado em Sarajevo. Mas, tirando uma parte da esquerda, por frustração e principalmente por cautela, não se vê na “Europa”  uma súbita ternura pelo sr. Tsipras e nenhuma inclinação para o ajudar.

A política deflacionista da Alemanha e de meia dúzia de países do norte já estava em crise antes do Syriza aparecer em cena e continuará com ou sem ele. Claro que nada impede a Grécia de se tornar num incómodo para a burocracia de Bruxelas: num incómodo, não numa força decisiva. É bom não perder o sentido das proporções.

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Domingo, 01.02.15

O espectro que assola a Europa

José Pacheco Pereira - Público de 31-1-2015

Passou uma semana desde que o Syriza ganhou as eleições na Grécia, quase com maioria absoluta, com um programa anti-troika e anti-austeritário, logo a seguir aliou-se com outro partido nacionalista e anti-troika, e no dia seguinte o seu líder visitou um memorial dos fuzilados na guerra contra a ocupação alemã, negociou com o Arcebispo Ieronymos de Atenas uma dupla cerimónia de juramento do governo grego, uma laica para os ministros ateus ou agnósticos e outra religiosa para os ministros cristãos, e ainda não pôs gravata. E começou a tempestade europeia, abrindo caminho a políticas distintas das dos últimos anos impostas pela Alemanha. Espero que tudo termine em bem para os gregos e que isso ajude a mudar a Europa que bem precisa. Para que haja contágio.

Se eu quiser descrever o que se passou de outra forma posso fazê-lo. Passou uma semana desde que um partido radical da extrema-esquerda ganhou as eleições na Grécia, mas não conseguiu a maioria absoluta, com um programa que quer a Grécia a mandriar e os gregos na boa vida, e os outros países da Europa a pagar a factura, logo a seguir aliou-se com um partido de extrema-direita, à direita do CDS, foi homenagear os guerrilheiros comunistas, e rompeu as obrigações que tinha com a Constituição grega, que definem a Grécia como tendo uma religião de estado, e com um primeiro-ministro que é mal-educado e não sabe vestir a roupa própria para cerimónias protocolares. E começou a tempestade grega, com os gregos a irem provar o fel de terem escolhido uns energúmenos demagogos para se governarem. Desejo que tudo se faça para que a “minha” política alemã “inevitável”, “sem alternativa”, não venha a ser posta em causa e que os gregos paguem duramente o preço da sua aventura, para que tudo continue na mesma. Para que haja vacina.

Basta comparar estas duas versões, para se perceber o grau de radicalização que hoje implica mudar, na Europa, como se as relações de poder tivessem ficado congeladas num momento da história recente e ninguém quisesse partir essa redoma de gelo. E foi mesmo isso que aconteceu. (...)

Ninguém pode garantir que o Syriza tenha sucesso, e também não é fácil definir qual o grau de cumprimento das suas intenções que possa ser considerado pelos gregos um sucesso, mas os gregos que votaram no  Syriza prestaram um enorme serviço à Europa, desbloquearam-na, abriram novas possibilidades, umas boas e outras más. Os gregos fizeram história, no sentido de que quem conhece a história sabe que ela é sempre surpresa. É por isso que, como na célebre frase de 1848, um espectro assola a Europa: o do Syriza.

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Domingo, 01.02.15

2014, o ano que ainda não terminou

Manuel Carvalho - Público de 5-1-2014

(...) A exposição do Estado a casos de corrupção ou a sua permeabilidade a influências de uma certa elite e a sua incapacidade para fazer o “ajustamento” com a eficácia e rapidez do resto da sociedade mostrou-nos de forma clara onde está o nó górdio no futuro próximo. Uma reforma do Estado, que não é a mesma coisa do que cortes dramáticos nas suas funções ou na sua relação com a sociedade, é fulcral para que se sintonize a dinâmica do país com a dinâmica da esfera pública.

A sociedade é hoje muito mais qualificada e exigente do que alguma vez foi no passado, enquanto o Estado central mantém a sua organização secular – uma cabeça gigantesca que comanda frágeis antenas pelo território. As vanguardas dessa sociedade estão a anos-luz das competências e da determinação que o Estado é capaz de mostrar. Se não fosse a factura do passado a pesar com os seus juros poderíamos dizer que conseguimos passar a viver dentro das nossas possibilidades, sem défices externos e com uma capacidade exportadora que já pesa mais de 40% do PIB. Mas, enquanto a sociedade fez pela vida, o Estado limitou-se a cobrar mais impostos e a acumular promessas falsas em torno de reformas que nunca aconteceram – e, felizmente, depois de 2014 a limpar algumas teias conspícuas. 

A captura do interesse público por empresas protegidas da concorrência externa, o domínio de grandes escritórios de advogados que redigem leis para o Governo e as contestam no tribunal ou na imprensa onde têm mandatos directos, são fantasmas de um país que começou a ser abalado em 2014 e que deve continuar a sê-lo nos próximos anos. (...) 

É preciso prestar toda a atenção aos milhares de portugueses que pagam uma factura insuportável pelo ajustamento e é fundamental que se deixe o país real funcionar. Libertando-o de um Estado capturado pelos interesses de uma corte instalada na capital, tornando-o mais próximo, ágil e escrutinável, mais descentralizado e liberto da experiência burocrática do salazarismo e os devaneios revolucionários do pós-25 de Abril. Um Estado moderno, ajustado aos nossos tempos e a uma sociedade que nada tem a ver com a do passado recente. Se este passo não se der, jamais nos libertaremos de casos como o do BES ou de bancarrotas como as que apareceram por três vezes ao virar da esquina nos últimos 40 anos. Não teremos aprendido a grande lição de 2014.

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