Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

COLUNA VERTICAL

"A coragem é a primeira das qualidades humanas porque garante todas as outras.." (Aristóteles)

COLUNA VERTICAL

"A coragem é a primeira das qualidades humanas porque garante todas as outras.." (Aristóteles)

Escola.jpg

A nossa escola reproduz na perfeição o nosso modelo de sociedade, seja na Política, na Justiça, na Economia, na Liga de Clubes, na Coesão Territorial...

Se não fosse a escola, como aceitariam os portugueses, com tanta bonomia e passividade, tanta discriminação com base exclusivamente no poder do dinheiro?

Santana-Maia Leonardo

Fez dia 17 de Dezembro, 246 anos que Ludwig van Beethoven foi baptizado em Bonn, provavelmente um dia depois do seu nascimento.

Para mim, é o maior músico de todos os tempos, porque, para além da genialidade como compositor, a sua obra é um hino à Liberdade, em todos os aspectos: a liberdade política, a liberdade artística do indivíduo, sua liberdade de escolha, de credo e a liberdade individual em todos os aspectos da vida.

E, para mim, a Liberdade é o valor supremo.

É, por isso, também inteiramente merecido que tenha sido escolhida a sua 9ª Sinfonia como Hino da União Europeia.

Recordo aqui, no final do meu mandato como presidente da delegação de Abrantes da Ordem dos Advogados, a razão da minha candidatura em 2013.

Infelizmente não foi possível travar uma das reformas mais estúpidas levadas a cabo por um Governo português, tendo em conta que a ministra da Justiça bem sabia que não dispunha nem dos meios financeiros, nem dos meios logísticos, nem dos meios humanos, nem dos meios tecnológicos para levar a cabo uma reforma desta envergadura.

Agora, andamos, à boa maneira portuguesa, a remediar o mal feito.

Em Janeiro, Família e Menores vai regressar, de novo, ao Tribunal de Abrantes de onde nunca deveria ter saído e o Tribunal de Mação vai voltar a abrir portas.

Mas as feridas são muito profundas e as lesões provocadas nas zonas de baixa densidade do interior do país são irreversíveis.

----------------------------------------------------------   

Santana-Maia Leonardo - 15 de Dezembro de 2013

0 SM 1.jpg

O Círculo Judicial de Abrantes é um pilar fundamental para a sustentabilidade da ponte que liga Santarém e Portalegre, duas capitais de distrito demasiado distantes entre si, uma vez que estão situadas em pontas opostas dos respectivos distritos. Sem o Círculo Judicial de Abrantes, o vão da ponte é demasiado grande, levando a que Portugal rache ao meio com a consequente fuga das populações para as cidades fronteiriças, quer de Espanha, quer da A1, que se está a transformar na verdadeira fronteira portuguesa.

O Círculo de Abrantes, recordo, engloba os concelhos de Abrantes, Ponte de Sor, Gavião, Alter (parte), Entroncamento, Mação, Sardoal e Golegã. Ora, com o novo mapa judiciário, o Círculo de Abrantes é partido ao meio, ficando metade no distrito judicial de Santarém (Abrantes, Entroncamento, Mação, Sardoal e Golegã) e metade no distrito judicial de Portalegre (Ponte de Sor, Gavião e Alter). Ou seja, concelhos que sempre estiveram ligados umbilicalmente e fizeram vida juntos, como é o caso de Ponte de Sor, Gavião e Abrantes, são arrancados à sua família natural e atirados para longe, ficando Abrantes e Ponte de Sor a marinar na ponta esquecida dos respectivos distritos para serem comidas e digeridas gradualmente pelas capitais dos seus distritos.

Abrantes, saliente-se, é a única cidade sede de Círculo Judicial que fica sem tribunal de competências reforçadas. Para se perceber a irracionalidade criminosa do novo mapa judiciário, basta atender no seguinte: a distância entre Santarém e Aveiro é, sensivelmente, a mesma que entre Santarém e Portalegre. Entre Santarém e Portalegre, só havia um círculo judicial e um Tribunal do Trabalho: Abrantes, que desaparecem do novo mapa judiciário. Por sua vez, entre Santarém e Aveiro, o novo mapa judiciário apresenta dez tribunais com competências reforçadas: Caldas da Rainha, Alcobaça, Tomar, Leiria, Pombal, Figueira da Foz, Coimbra, Águeda, Oliveira do Bairro e Aveiro. Sem esquecer que Santarém tem a sul, a cerca de 50 km, Vila Franca de Xira que, recorde-se, dista apenas 20 minutos do novo Campus da Justiça.

Como facilmente se constata, o novo mapa judiciário vai acentuar o já íngreme declive do nosso território em direcção ao litoral e afirmar, definitivamente, a A1 como a verdadeira fronteira de Portugal. No novo mapa judiciário, só as cidades fronteiriças da A1 e da fronteira espanhola são consideradas, o que vai acentuar inevitavelmente o esvaziamento do miolo do país.

Ora, isto é totalmente inadmissível para quem, como eu, recusa liminarmente as sucessivas políticas governamentais que visam reduzir Portugal ao pequeno território entre Lisboa e Porto delimitado pela A1.

Esta é, pois, a principal razão por que decidi candidatar-me a presidente da delegação de Abrantes da Ordem dos Advogados para o triénio 2014-2016, numa lista que integra também os meus colegas Dr. A. Bispo Chambel e Dr.ª Mariana Macide. Era importante que as populações do Círculo Judicial de Abrantes compreendessem que mais importante do que a defesa deste ou daquele tribunal de competência reforçada, o que está aqui em causa é a unidade nacional e a defesa da integridade do território que são completamente postas em causa pelo desenho do novo mapa judiciário.

14 Dez, 2016

O vídeo-árbitro

Santana-Maia Leonardo

0 SM 1.jpg

Perante a evidência da batota com que se conquistam gloriosamente os campeonatos portugueses, é na tecnologia que os defensores da verdade desportiva depositam agora todas as esperanças. Testemos, então, a tecnologia num caso flagrante para vermos o resultado. No jogo Benfica – Sporting, existe um lance que, visto frontalmente, não deixa qualquer dúvida de que é grande penalidade: o lance de Pizzi em que este direcciona a bola com o braço direito e que antecede o primeiro golo do Benfica. O árbitro pode não se ter apercebido mas o lance visto pela câmara frontal é categórico.

No entanto, se lermos as opiniões dos vários vídeo-árbitros que comentam este lance nos diferentes jornais e que tiveram a oportunidade de ver e rever o lance até à exaustão, durante mais de 12 horas, chegamos à conclusão que a tecnologia não tem a virtualidade de alterar o carácter dos batoteiros.

Para um povo em que o que importa é ganhar nem que seja com um golo marcado com a mão e em fora de jogo, não há tecnologia que valha… Um batoteiro não deixa de ser batoteiro com um vídeo à frente.

Escrevo artigos de opinião, em jornais nacionais e regionais (de norte a sul do país, ilhas incluído), desde os meus 12 anos, ou seja, desde 1970. Apesar de gostar muito de futebol, quer como espectador, quer como jogador, nunca escrevi, até ao ano passado, um único artigo de opinião que versasse sobre o futebol porque olhei sempre para o futebol como um entretenimento e um jogo, nunca lhe tendo dado qualquer relevância política.

Só depois de ler o estudo da UEFA publicado no ano passado sobre a relação dos adeptos com os clubes em cada país, percebi que o futebol português reproduz, na perfeição, essa forma tão especial de ser português: péssimos patrões, óptimos capatazes; reverentes com os de cima, implacáveis com os de baixo. 

O português prefere sempre bajular os grandes a associar-se aos seus iguais ou ao seu vizinho para fazer frente aos grandes. Veja-se o caso dos autarcas em que preferem sempre bajular Lisboa (e, se possível, passar a perna ao vizinho do lado) a associar-se aos concelhos vizinhos para fazer frente Lisboa. Com o vizinho é uma rivalidade de morte; com Lisboa é sempre de chapéu na mão. No futebol e no resto.

13 Dez, 2016

Mário Semedo

Recordar o jornalista Mário Semedo, três anos após da sua morte.

Devemos manter vivos os nossos amigos enquanto vivermos.

-------------------------------------------------------------------------------------- 

Mário Semedo.jpeg

Mário José Esteves Correia Semedo, filho do primeiro presidente da Câmara de Abrantes após o 25 de Abril, teve uma carreira militar, dedicou-se ao jornalismo e à educação, tendo lecionado matemática durante vários anos.

O jornalista abrantino Mário Semedo faleceu na noite de quarta-feira, 11 de dezembro de 2013, vítima de um coma hepático.

Mário Semedo escreveu uma obra de ficção intitulada “O tratador de Cavalos”, e deixou uma outra terminada, relativa à Guerra Colonial, intitulada “Sofrevivente”. No jornalismo, esteve ligado a vários projetos da imprensa regional, casos do jornal O Ribatejo, Jornal de Abrantes, Primeira Linha, onde chegou a ser diretor, e fez ainda parte da rádio na Antena Livre como comentador da estação, durante vários anos.

O corpo está sepultado no cemitério de Rio de Moinhos.

12 Dez, 2016

Os Privilegiados

Gustavo Sampaio in Os Privilegiados (pág.165)

(...) Quando o Governo muda de cores políticas, os critérios para a nomeação de dirigentes tendem a acompanhar tal mudança. Há como que uma inversão de papéis: os partidos que estão no poder nomeiam os seus dirigentes e militantes, perante as críticas dos partidos da oposição; por sua vez, quando os partidos da oposição assumem o poder, não deixam de fazer quase exactamente aquilo que criticaram anteriormente. (...)

É um círculo vicioso que gera instabilidade na Administração Pública, pois um dirigente que é nomeado por critérios políticos (...) estará sempre dependente da permanência no poder de quem o nomeou. E assim sucessivamente, até que um Governo demonstre a coragem e independência necessárias para contrariar o sistema (...) e impor uma «meritocracia». O problema está a montante, nas promessas que os líderes partidários - por entre redes de caciquismo, cumplicidade e clientelismo - têm de fazer para alcançar o poder. (...) 

Artur Lalanda

Artur Lalanda 1 (2).jpg

A Lena, sempre a Lena e os seus amigalhaços. Soube-se agora. Através do Programa Operacional de Sustentabilidade no Uso de Recursos, que a ABRANTÁQUA - Serviços de Águas Residuais Urbanas do Município de Abrantes, SA, foi contemplada com a bonita soma de 1 506 000 euros de fundos, pelo vistos sem fundo, por ter construido a Etar dos Carochos, inaugurada já em 2016, quando, contratualmente, devia ter ficado pronta em 2008, com um orçamento de 752 310 euros. Durante 8 anos, os agora utentes da etar, pagaram as taxas  impostas pelo contrato e os esgotos continuaram a entrar no Tejo, sem qualquer tratamento. Em 2012, ainda foi anunciado que a nova etar ficaria pronta em 2014, com um orçamento de 1 766 952 euros, mas era foguetório, como de costume.

Todos os encargos, com as infra estruturas do saneamento, seriam suportados pela concessionária, com capital próprio, uma vez que as verbas consignadas, através dos recibos da água, viriam a compensá-la, posteriormente. Com a conivência da Câmara, a concessionária foi executanto o plano previsto, sempre fora dos prazos contratuais e com dinheiro que recebia antecipadamente. Nunca gastou mais do que recebeu. Entre 2008 e 2013,  recebeu 10 000 772, 31 euros e investiu,  apenas ,  8 084 061,67 euros, pelo que nunca precisou de utilizar capital próprio. Estima-se em cerca um milhão de euros anuais, as verbas consignadas, pelo que, o custo da Etar dos Carochos, há muito tinha sido arrecadado pela concessionária, à custa dos munícipes do concelho.

Nestas circunstâncias, a ABRANTÁQUA ter sido, agora, contemplada com  1 506 000 euros dos tais Fundos sem fundo, deixa-nos a certeza de que a análise dos processos de atribuição dos subsídios adopta critérios a justificar a intervenção das autoridades afectas aos problemas relacionados com a corrupção.

A coberto do ruinoso contrato de concessão, que nos permite admitir ter sido elaborado pela concessionária e assinado de cruz, pela Câmara, para os 25 anos de duração do contrato, o custo de todas as obras a executar, incluindo a exploração do sistema, totalizava 37 750 587 euros. No final de 2014, com a conclusão de todas as obras previstas no célebre anexo II, salvo a Etar dos Carochos, com custo real inferior a 10 milhões, concluimos que a exploração do sistema tem custos cujo valor é quasi quadruplo do custo de todas as obras executadas. Grande negócio para a concessionária que, não podemos esquecer, até 2033, vai continuar a ter verbas concessionadas na ordem do milhão de euros anual, a manterem-se os tarifários em vigor.

Em vésperas de Natal, 1 506 000 de euros de brinde não são para desperdiçar. O saldo da conta “lucros e perdas”, da concessionária, não incomoda os nossos autarcas.

Não, não se trata de ladrões, mas lá que os há, há.

Finanças.jpegO Ministério das Finanças acaba de anunciar que vai enviar um brinde especial a todos os contribuintes que pagarem os seus impostos dentro do prazo.

O brinde, um exclusivo apara-lápis de design único, poderá ser colocado na mesa de trabalho para servir de lembrete constante dos serviços a que os impostos do país nos dão direito.

NOTA: Caso não receba em casa, reclame o seu brinde numa Repartição das Finanças perto de si...