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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

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15 Fev, 2017

O povo culto

Agostinho da Silva in 'Diário de Alcestes'

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Os povos serão cultos na medida em que entre eles crescer o número dos que se negam a aceitar qualquer benefício dos que podem;

dos que se mantêm sempre vigilantes em defesa dos oprimidos não porque tenham este ou aquele credo político, mas por isso mesmo, porque são oprimidos e neles se quebram as leis da Humanidade e da razão;

dos que se levantam, sinceros e corajosos, ante as ordens injustas, não também porque saem de um dos campos em luta, mas por serem injustas;

dos que acima de tudo defendem o direito de pensar e de ser digno.

Santana-Maia Leonardo Diário As Beiras de 18-1-2017

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No início dos anos 90, eu e a minha irmã pertencíamos ao conselho pedagógico da Escola Secundária de Ponte de Sor e éramos orientadores de estágio.

Na altura de decidir qual o prazo que devia ser fixado para a entrega dos relatórios finais, só eu e a minha irmã discordámos do prazo de 15 dias que foi proposto, por considerarmos que era demasiado apertado. No entanto, na altura da votação o prazo de 15 dias foi aprovado com apenas dois votos contra: o meu e o da minha irmã.

Acontece que, findo o prazo de 15 dias concedido para a entrega dos relatórios finais, apenas dois membros do conselho pedagógico tinham entregado os respectivos relatórios. Adivinhe agora quais foram os dois únicos membros do conselho pedagógico que entregaram os respectivos relatórios dentro do prazo? Exactamente. Fui precisamente eu e a minha irmã.

Este episódio retrata na perfeição as nossas instituições, o seu funcionamento e a nossa maneira de ser. Portugal tem demasiada gente que se ocupa e muito pouca gente que se preocupa. E os países para saírem da cepa torta não precisam de gente que se ocupa mas de gente que se preocupa. Eu e a minha irmã  fomos os únicos a votar contra o prazo porque, pelos vistos, éramos os únicos que estávamos preocupados em cumpri-lo. Com efeito, quem não faz conta de cumprir um prazo qualquer prazo serve.

Santana-Maia Leonardo - Rede Regional de 28-11-2016

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Todos os portugueses que gostam verdadeiramente de futebol e da competição limpa têm a obrigação de saber que não existem condições mínimas de isenção e imparcialidade para que se possa realizar em Portugal um campeonato de futebol da I Liga. E não adianta dizer que, em Espanha, Inglaterra, Alemanha e Itália, também existem clubes grandes e pequenos, porque a questão não é essa, nem é esse o problema.

O problema é que, enquanto em Espanha, Inglaterra, Alemanha e Itália, existem clubes (grandes e pequenos) em número suficiente para fazer um campeonato e criar estruturas federativas que garantam a isenção e a imparcialidade da competição, em Portugal isso é impossível porque só existem três clubes que reúnem a totalidade dos adeptos. Tanto assim é que, enquanto Real Madrid, Barcelona, Manchester United e Bayern, os maiores colossos a nível mundial, apenas jogam em casa nos seus estádios, precisamente porque os outros clubes com quem jogam têm existência de facto (ou seja, têm adeptos), Benfica, Sporting e Porto jogam sempre em casa, à excepção quando jogam entre si.

É, por isso, que Benfica, Sporting e Porto se desunham para meter os seus homens de mão nas estruturas federativas, ainda que disfarçados com as cores de outros clubes, porque sabem que, se não estiverem lá os dele, estão, fatalmente, os do inimigo. E é muito fácil saber qual dos clubes, em cada momento, tem a mão no pote. Basta atentar no seu discurso e na sua pose. O vilão é sempre aquele que tem pose de estadista e professa confiança nas instituições.

Ora, quando Portugal tem apenas adeptos de três clubes e se cria um campeonato com 18 clubes, dos quais 15 são compostos por dirigentes e adeptos do Benfica, Sporting e Porto, não adianta vir com o vídeo-árbitro porque o campeonato está viciado à partida, uma vez que não é possível, num jogo que interesse a Benfica, Sporting e Porto, escolher árbitros e observadores que não estejam comprometidos com um destes três clubes.

Respondam com franqueza: acham que Rui Gomes da Silva, Manuel Serrão ou Eduardo Barroso têm condições para arbitrar, ser observadores ou juízes num jogo que envolva Benfica, Sporting ou Porto? Mas o problema é precisamente esse: a escolha está sempre limitada a um adepto destes três clubes. Ora, exigir que Benfica, Sporting e Porto confiem na imparcialidade e isenção de um adepto da equipa adversária cujo clube é parte (mais do que) interessada na decisão é pedir de mais. Até porque não é humano pedir a um benfiquista, sportinguista ou portista isenção e imparcialidade numa decisão que prejudique ou beneficie o seu clube.

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Festfado é um projecto que integra um concurso composto por diversas eliminatórias com a programação de Dora Maria. O objetivo é promover o fado, divulgando e incentivando novos fadistas, apadrinhados pela actuação de autores e interpretes consagrados.

Da planície alentejana à lezíria ribatejana, a segunda edição do Festfado vai envolver os municípios de Ponte de Sor, Benavente, e Samora Correia, na produção do Festfado Alentejo e Festfado Ribatejo. Para além da residência de Dora Maria acompanhada pelos músicos Pedro Amendoeira, na guitarra portuguesa, Pedro Pinhal, na viola, e Fernando Maia, na viola baixo, o festival apresenta os fadistas designados nas seguintes datas:

Festfado Alentejo - Cine-Teatro de Ponte Sor 

17 de Fevereiro- Teresa Tapadas

17 de Março- Rodrigo Costa Felix

21 de Abril - Ana Sofia Varela

19 de Maio- Mafalda Arnauth

16 de Junho- João Chora

21 de Julho- Lenita Gentil

Sobre o concurso:

- os concorrentes deverão inscrever-se através do mail Festfado@gmail.com enviando os seus dados pessoais e uma gravação em áudio ou vídeo;

- o vencedor receberá como prémio a gravação de um álbum em CD, e haverão prémios monetários para o segundo e terceiro qualificados;

- o júri é composto por quatro elementos: dois membros residentes destinados pela autarquia e dois convidados em cada gala, um dos fadistas convidados, e uma figura pública de outra área artística.

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No passado dia 3 de Fevereiro, a senhora secretária de estado da Justiça deslocou-se ao Tribunal de Abrantes para assinalar o regresso da especialidade de Família e Menores a este tribunal, de onde nunca deveria ter saído.

Como chamámos a atenção na altura, de forma empenhada e reiterada, o governo de Passos Coelho avançou, de forma absolutamente irresponsável, para a implementação duma reforma judiciária que, para além de não ter os meios financeiros, humanos, informáticos e logísticos para levar a cabo, foi importada de um país (Holanda) que não tem nada a ver com o nosso.

Portugal, ao contrário da Holanda, é um país com grandes desequilíbrios e assimetrias, pelo que exige um modelo diferenciado: um para as áreas metropolitanas de Lisboa - Porto, outro para a faixa litoral Lisboa - Porto e outro para o resto do país. 

E se o anterior modelo dos círculos judiciais estava a cumprir na perfeição em todo o território nacional, à excepção das áreas metropolitanas de Lisboa - Porto e das áreas com maior densidade populacional, a reforma deveria ter separado as águas, intervindo onde era necessário e mantendo o que estava a funcionar bem.

Agora regressámos à fase típica das pós-reformas portuguesas de remediar o mal feito, sendo certo que os remendos nunca conseguem reparar, em toda  a sua extensão, o mal causado.

É, no entanto, com algum alívio e satisfação que termino o meu mandato de presidente da delegação e do Agrupamento de Abrantes da Ordem dos Advogados assistindo à (re)instalação no Tribunal de Abrantes de um Juízo de Família e Menores.

E se o Governo socialista revelou, nesta matéria, uma sensibilidade social e um sentido de estado que torna absolutamente escandalosa a falta de sensibilidade e de bom senso do governo anterior, também não posso deixar de salientar, por uma questão de justiça, a importância da intervenção empenhada da senhora presidente da câmara de Abrantes.