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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

Santana-Maia Leonardo

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O golo do Sporting no jogo com o Rio Ave e o lance de Luisão com Luís Machado, dentro da grande área do Benfica, no jogo com o Feirense são o retrato fiel do que é a nossa Liga. Ou seja, um jogo de batoteiros. 

Nenhum dos lances é claro mas também é absolutamente claro para toda a gente que qualquer deles teria a intervenção do VAR se tivesse sido ao contrário. E isto é a consequência natural de uma I Liga em que Rio Ave,  Feirense e os seus iguais são tratados e comportam-se com se fossem meros obstáculos, sem voz nem substância, na corrida dos três únicos clubes que a disputam.

No caso do golo do Sporting, fica a sensação de que Bas Dost está em posição de fora-de-jogo. É certo que não temos a linha e parte do corpo do jogador do Rio Ave está encoberta, mas o VAR tinha obrigação de chamar a atenção do árbitro para rever o lance, como teria feito, de certeza absoluta, se tivesse sido ao contrário. O Portimonense, recorde-se, viu anulado um golo na Luz numa situação idêntica e o mínimo que seria de esperar era que, também neste caso, ouvíssemos o VAR gritar: “Aguenta! Aguenta!” 

No caso do lance de Luisão, nem tivemos sequer a possibilidade de rever o lance porque a BTV, pura e simplesmente, não nos deu qualquer repetição do mesmo. E se, no caso de jogo com Rio Ave, ainda se pode argumentar com o número de câmaras e as condições do estádio que não permitem mais planos do lance, no jogo no Estádio da Luz a única justificação que existe reside exclusivamente no facto de a BTV se ter recusado ostensivamente a repetir o lance e a mostrar os diferentes planos.

A parcialidade com que a BTV passou por cima deste lance só vem demonstrar, mais uma vez, por que razão nenhuma liga de futebol profissional permite que a televisão de um clube seu filiado transmita, em exclusivo, os seus próprios jogos. Em Portugal, vivemos num verdadeiro estado de excepção: ao Benfica, no seu estádio, é permitido jogar com o seu próprio baralho, baralhar, partir e dar as cartas. 

É, por isso, surpreendente que, face ao estado de excepção que se vive no futebol português, o presidente da FPF vá à Assembleia da República com o objectivo não de acabar com a batota, mas com o intuito de serem incrementadas medidas para defender o bom nome dos batoteiros. 

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No espaço de apenas uma semana, o sportinguista Cristiano Ronaldo vence o título The Best e a equipa portuguesa do FC Porto torna-se bi-campeã mundial de futebol, após a homologação dos títulos pela FIFA.

O FC Porto, sublinhe-se, é não só a única equipa portuguesa a ostentar o título máximo de futebol a nível mundial como também uma das equipas mundiais com mais títulos, sendo apenas superada pelo Real Madrid e FC Barcelona.

Portugal está de parabéns!

Nem consigo imaginar a enorme felicidade e orgulho que devem sentir todos os portugueses de Norte a Sul do país, d'Aquém e d'Além-Mar, apesar de ter estranhado não ter visto as manifestações de júbilo patriótico que sempre acontecem nestas situações.

Mas deve ter sido distracção minha porque não há como os portugueses para exultarem com os feitos pátrios.

 E NÃO SOBROU NINGUÉM de Martin Niemöller 

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Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu.

Como não sou judeu, não me incomodei.

No dia seguinte vieram e levaram meu outro vizinho que era comunista.

Como não sou comunista, não me incomodei.

No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico.

Como não sou católico, não me incomodei.

No quarto dia, vieram e me levaram; 

já não havia mais ninguém para reclamar.

 

INTERTEXTO de Bertold Brecht 

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Primeiro levaram os negros

Mas não me importei com isso
Eu não era negro

Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário

Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável

Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei

Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.

Santana-Maia Leonardo Rede Regional de 24-10-2017

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Com o advento dos fundos comunitários, os sucessivos governos, em vez de terem aproveitado para cumprir a Constituição adoptando convictamente o modelo de desenvolvimento holandês das cidades médias, optaram por aprofundar o modelo grego da Cidade-Estado, reduzindo o país a Lisboa que passou a ser uma das regiões mais ricas da Europa à conta dos fundos que recebia pela pobreza do resto do país.

Com a chegada da troika, Passos Coelho teve a última oportunidade de inverter a situação, mas optou (não lhe perdoo!) por torná-la irreversível, acelerando o esvaziamento do território e retirando às populações mais envelhecidas, mais pobres e mais esquecidas do interior do país o pouco apoio do Estado que lhes restava: tribunais, escolas, serviços de finanças, correios, guardas-florestais, etc.

O interior do país ficou definitivamente entregue à sua sorte. A natureza passou a fazer tudo: o fogo limpa as matas e a chuva apaga os fogos. A maior reforma da floresta acaba de ser feita pelo fogo. Durante os próximos dez anos, o senhor Presidente da República não vai precisar de andar de velório em velório pelo interior do país por causa dos fogos. Sendo certo que, se, no final do seu segundo mandato, voltar aos mesmos locais, a maior parte das pessoas que agora abraçou e que sobreviveram ao fogo, já não as vai encontrar.

Portugal é, hoje, habitado a leste da A1 e nos meios rurais maioritariamente por reformados que apenas conseguem sobreviver com pequenas reformas, porque fazem uma agricultura de subsistência e vendem, de vez em quando, meia-dúzia de eucaliptos e pinheiros. As nossas terras são pobres e não dão para mais. Em muito sítios, se não for o eucalipto ou o pinheiro, a terra não serve para mais nada. E pedir a esta gente que limpe as matas e que faça aceiros é pedir o impossível: se fizerem aceiros, ficam sem terra; se limparem o mato, ficam sem a reforma.  

Só há uma reforma florestal que vale a pena levar a cabo em Portugal: a transplantação para interior do país de gente jovem, sobretudo jovens quadros qualificados, porque são essas as únicas árvores com futuro e que dão frutos, e que, consequentemente, são capazes de prevenir e responder adequadamente a tragédias com estas. E neste momento, só há duas formas de a levar a cabo: ou fazer o tempo andar para trás até 1985 e fazer tudo diferente a partir daí, hipótese que não antevejo muito viável, apesar dos avanços da ciência; ou, ainda que mantendo a capital formalmente em Lisboa, distribuir pelas cidades do interior do território, designadamente, Beja, Portalegre, Castelo Branco, Guarda, Viseu e Bragança, os ministérios, as direcções-gerais, os Estados-Maiores do Exército e da Força Aérea, os tribunais superiores, o Tribunal Constitucional, a Presidência da República e as universidades públicas sediadas em Lisboa.

Não vale a pena puxar pela cabeça porque não há um terceira via. Ou melhor, a terceira via é aquela em que os governantes e os políticos deste país já estão a trabalhar com o único intuito de aproveitarem a nossa desgraça para enriquecerem mais um vez.

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Uma vez, num reino que tinha um rei muito mau, o rei, ao passar a cavalo por um velho homem, ouviu este desejar-lhe longa vida.

O rei, que era muito mau, ficou admirado por haver no seu reino alguém que lhe desejasse longa vida.

Desceu do cavalo e quis que velho homem lhe explicasse.

E o velho olhou o rei nos olhos e disse-lhe:

«O senhor é de facto um rei muito mau. Mas eu já conheci o seu bisavô. E o seu bisavô era um rei tão mau, tão mau, que toda a gente do reino desejava que ele morresse. Quando morreu, sucedeu-lhe o seu avô que ainda era pior do que ele. O seu avô era tão mau que toda a gente ficou com saudades do seu bisavô. Pois quando o seu avô morreu, sucedeu-lhe o seu pai que ainda conseguiu ser pior do que ele. E morto o seu pai, sucedeu-lhe o senhor que ainda é pior do que o seu pai. É por esta razão que lhe desejo longa vida. Quero viver os meus últimos anos de vida, sem ser governado pelo seu filho.»

Santana-Maia Leonardo Rede Regional de 15-10-2017

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Pensava eu que os alentejanos eram os únicos que recusavam obstinadamente que Portugal se resumisse a Lisboa, ou melhor, à cidade Lisboa-Porto na feliz definição do Arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles. Enganei-me redondamente. Pelos vistos, até aos alentejanos já se conformaram com esse facto.

O nosso primeiro-ministro foi presidente da Câmara de Lisboa e o actual Presidente da República foi candidato à Câmara de Lisboa, sendo ambos alfacinhas de gema. Assunção Cristas foi candidata à Câmara de Lisboa, sendo presidente do CDS. Os candidatos a líder do PSD, por sua vez, são ex-presidentes da câmara de Lisboa e Porto, sendo certo que, nesta cidade Lisboa-Porto, o Porto representa a periferia e os arredores. Ou seja, Lisboa olha sempre para os portuenses com alguma desconfiança, a não ser que sejam benfiquistas ou sportinguistas assumidos.

Para além de Lisboa e Porto, nada mais existe. Os últimos resquícios do Alentejo, Algarve, Beiras e Trás-os-Montes nos diferentes poderes da República Portuguesa são uns políticos e jornalistas residentes em Lisboa e de onde não pensam sair mas que gostam de alardear, por puro snobismo, o seu orgulho nas suas raízes alentejanas, transmontanas ou algarvias.

Como alentejano, não posso, por isso, aceitar que o Lusitano de Évora tivesse decidido ir jogar a eliminatória da Taça de Portugal com o Porto precisamente a Lisboa. Nas anedotas, os alentejanos tinham fama de só irem a Lisboa para verem as “meninas”. Agora pelos vistos, também vão para serem sovados e humilhados por uns matulões do Porto. Modernices!

O Alentejo tem praticamente metade do território de Portugal. E não há um campo de futebol em todo o Alentejo que pudesse receber este jogo sem termos de sofrer a suprema humilhação de ir jogar a Lisboa? É que, se no Alentejo não há, ao menos, um campo de futebol, então temos de dar razão ao ex-ministro Mário Lino quando disse que aqui não havia nada: “nem gente, nem escolas, nem hospitais, nem cidades, nem indústria, nem comércio, nem hóteis”… E, pelos vistos, já não há sequer um pingo de dignidade e orgulho. Secou tudo!

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