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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

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"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

31 Dez, 2017

Feliz Ano Novo

Today I'm a Cityzen!

E como cidadão do mundo desejo um FELIZ ANO NOVO a todos os meus amigos e um ano cheio de saúde aos meus inimigos para que sofram, sem se dispersarem por outras mazelas, vendo o meu sucesso.

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Santana-Maia Leonardo

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O problema do futebol português reside numa contradição insolúvel.

Por um lado, os nossos "gloriosos-grandes-de-trazer-por-casa" não querem ser verdadeiramente grandes, caso contrário teriam diligenciado junto da Liga espanhola pela criação de uma Liga Ibérica. Com efeito, com a industrialização do futebol, é impossível ser grande sem participar numa grande liga europeia. E uma grande Liga Ibérica era também do interesse dos clubes espanhóis, como é evidente.

Por outro lado, preferindo o aconchego da liga portuguesa, onde fazem o que querem sem correr riscos, os nossos "gloriosos-grandes-de-trazer-por-casa" também não estão interessados em criar uma liga competitiva como a holandesa. E porquê? Porque Benfica, Sporting e Porto vivem e sobrevivem, hoje, exclusivamente da venda de jogadores.

Veja-se o caso do Sevilha, Atlético de Madrid, Real Sociedade, Valência, Watford, West Ham, Leicester, Marselha, Lyon, RD Leipzig, Nápoles, etc, clubes estes que, não sendo grandes clubes europeus, não vivem para vender jogadores como os nossos "gloriosos-grandes-de-trazer-por-casa". É certo que podem ter de os vender se algum dos grandes clubes europeus os quiser comprar mas não vivem para os vender. E tanto assim que, quando vendem algum jogador, vão buscar outro de valor idêntico. 

Ao contrário do que muito boa gente quer fazer crer, não é a compra do Neymar por 200 milhões que põe em risco a competitividade do futebol mundial, tal como não seria a compra do Jonas pelo Sporting ou do William Carvalho pelo Benfica por 100 milhões de euros que poria em risco a competitividade do nosso campeonato. Bem pelo contrário. Neymar, Jonas e William são bons jogadores mas cada um deles é apenas um jogador. Ainda ficam muitos jogadores livres. O que mata a competitividade do futebol é aquilo que Benfica, Sporting e Porto fazem. Ou seja, pesca de arrasto. Açambarcam praticamente a totalidade de jogadores acessíveis às bolsas dos restantes clubes portugueses, obrigando estes a vir comer-lhes à mão para funcionarem como barrigas de aluguer e controlarem-lhe o voto.

Hoje, Sporting, Benfica e Porto vivem, exclusivamente, para negociar jogadores. E é por isso que têm tanto interesse em ir à Liga dos Campeões. O seu interesse em ir à Liga dos Campeões não é para vencê-la mas para aproveitar a Liga dos Campeões como montra para venda dos seus melhores jogadores.

Aliás, são os próprios benfiquistas, sportinguistas e portistas que não têm vergonha sequer em assumir publicamente o seu estatuto de feirante quando falam das competições europeias como "montra". Sendo certo que os únicos beneficiários desta transformação dos clubes portugueses em lojas e sucursais e da consequente viciação da competição são os agentes e os seus acólitos, também denominados administradores das SAD.

 

Santana-Maia Leonardo - Sócio n.º338 do VFC 

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Os vitorianos não podem olhar para o Vitória como se o Vitória fosse um pequeno clube de bairro ou uma agremiação de jogo da sueca. 

A Uefa publicou em 2015 três estudos muito importantes para compreendermos a realidade do futebol português e qual o verdadeiro problema do campeonato português, em geral, e do Vitória, em particular.

Esses três estudos são os seguintes: I) Média de assistências a jogos de futebol por país. II) Distribuição das receitas televisivas por país. III) Percentagem de adeptos por clube por país. 

Trata-se, no fundo, de três estudos de mercado essenciais para perceber a nossa realidade. Sem conhecer o doente e a doença, não vale a pena avançar ou sugerir tratamentos.

O futebol português é, aliás, o espelho da sociedade portuguesa. Basta olhar à nossa volta, quer para os clubes, quer para os partidos, quer para as empresas, quer para o sector financeiro, quer para as associações de solidariedade social, quer para as associações de bombeiros, quer para a comunicação social, para constatar, até pelo cheiro, que o nosso país está em adiantado estado de decomposição onde apenas os vermes conseguem sobreviver. E é muito difícil salvar o doente quando o doente já morreu... Esperemos que não seja o caso do Vitória.

Analisando esses três estudos, constatamos que Portugal é o único país da UE onde não existe centralização dos direitos televisivos e o país da UEFA onde é maior o fosso na distribuição das receitas televisivas entre os clubes mais ricos e os restantes.

Quanto à média de espectadores por jogo, a liga portuguesa tem uma média de espectadores inferior à II Liga inglesa e alemã, apesar de a média dos jogos na Luz, Alvalade e Dragão estar próximo da média das ligas com mais espectadores.

Agora passemos à análise da relação entre adeptos e clubes por país.

O clube mais valioso do Mundo é o Manchester United e a sua percentagem de adeptos em Inglaterra é de 14%, a maioria concentrada na região de Manchester. É mais ou menos isso que acontece em toda a Europa. Mesmo em Espanha, o Real e o Barça juntos têm apenas 33% dos adeptos espanhóis e concentrados em redor das respectivas cidades.

E em Portugal como é? Só o Benfica tem 47% dos adeptos e o Sporting e Porto os outros 47%. Com a agravante de a massa adepta do Benfica e Sporting estar distribuída por todo o território nacional. Isto significa que é impossível realizar uma competição limpa em Portugal porque não é possível sequer encontrar clubes que não estejam infiltrados por adeptos, sobretudo, do Benfica e do Sporting. E sem clubes e decisores independentes (conselhos de arbitragem, de Disciplina, de Justiça, árbitros, delegados e observadores) não é possível realizar uma competição limpa. 

Portugal é um caso único no mundo em que não é necessário haver corrupção porque a competição, tal como os concursos públicos nas câmaras e no país, está corrompida à nascença. Isso resulta claramente da leitura dos e-mails do Benfica e, se repararem, da própria defesa do advogado do Benfica. Para haver corrupção, é necessário haver estruturas independentes. Ora, em Portugal, estamos numa fase anterior onde não é necessário haver corrupção porque os decisores são colocados pelos clubes-monopólio (e nos concursos públicos, pelo partido que governa) e agem ao seu serviço.

Deixo-vos aqui, a título de exemplo, a distribuição dos direitos televisivos da melhor liga do mundo: a inglesa. O primeiro não chega a ganhar o dobro do último.

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Estamos no ano 17 antes de Cristo. Portugal inteiro, inclusive Setúbal, foi ocupado pelos romanos… Todo? Não! O Estádio do Bonfim povoado por irredutíveis vitorianos resiste ao invasor. E a vida não é nada fácil para as guarnições de legionários romanos nos campos fotificados de Baborum, Aquiaruim, Laudanum e Petibonum.

Os vitorianos apenas temem uma coisa: que o céu lhes caia na cabeça, caso não vençam os guerreiros do Minho. Mas hoje não é a véspera desse dia.

ASSINE A PETIÇÃO PÚBLICA CLICANDO EM:

http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT87821

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As sessões da Assembleia Municipal de Abrantes DEVEM SER PÚBLICAS e não apenas formalmente públicas.

Ou seja, devem funcionar sempre em horário pós-laboral de forma a permitir a participação de todos os cidadãos que nela queiram participar, designadamente dos trabalhadores e dos estudantes.

Participar ou não participar nas sessões da Assembleia Municipal é um direito dos cidadãos, não cabendo ao poder político limitar, restringir ou retirar este direito com base, designadamente, no argumento da pouca participação dos cidadãos nas Assembleias Municipais.

Parafraseando Alexis de Tocqueville, era bom que os deputados municipais de Abrantes percebessem uma coisa: numa democracia liberal, como é constitucionalmente a nossa, "os deputados são os representantes do povo soberano, mas não são os representantes soberanos do povo."

 

OS PRIMIEROS SIGNATÁRIOS

Santana-Maia Leonardo

(advogado e ex-vereador)

João Viana Rodrigues

(advogado e ex-deputado municipal)

António Belém Coelho

(professor e ex-vereador)

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