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COLUNA VERTICAL

"A coragem é a primeira das qualidades humanas porque garante todas as outras.." (Aristóteles)

COLUNA VERTICAL

"A coragem é a primeira das qualidades humanas porque garante todas as outras.." (Aristóteles)

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Para quem não conheça a história, a letra "K" é a inicial de Kovadonga, o local mítico do Estádio do Bonfim onde se refugiou o Rei do Vitória (Reizinho para os amigos) e a sua guarda vitoriana, após a tomada da cidade e do Estádio pelo califado de Lisboa.

E será a partir do Kamarote "K" que o Rei(zinho) Miguel comandará o exército vitoriano na Reconquista da cidade de Setúbal e na expulsão até ao mar dos infiéis setubalenses que não professam a religião vitoriana. 

No próximo dia 19, o ainda pequeno mas sempre nobre e honrado exército vitoriano enfrentará no Bonfim o grande exército do emir Bruno de Carvalho do califado de Lisboa, fortemente apoiado pelas legiões dos lagartos setubalenses, numa batalha decisiva para testar a raça da nossa gente.

Como nobre e honrado vitoriano, ali estarei em Kovadonga às ordens do nosso Rei(zinho), para enfrentar os infiéis com a nossa táctica de sempre. 

Ou seja, sempre que os vitorianos enfrentam emires com cara de Carvalho, a ordem do nosso Rei(zinho) é sempre a mesma: "Kapa".

Até dia 19! Viva o Vitória! Viva o nosso REI(zinho)!

Santana-Maia LeonardoDiário As Beiras de 23-1-2018 

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Não houve um único político ou comentador nacional (leia-se, residente em Lisboa) que, apesar de reconhecerem que o INFARMED e outros institutos semelhantes não deveriam estar localizados em Lisboa, não se insurgisse com a sua transferência para o Porto, preocupados com a perturbação que isso iria implicar na vida dos seus funcionários.

No entanto, não houve um único político ou comentador nacional (leia-se, residentes em Lisboa) que se tivesse preocupado com o destino dos milhares de funcionários que tiveram de deixar as suas residências no interior do país na sequência da reforma do mapa judiciário, do encerramento dos centros de saúde, escolas, dos serviços de finanças, etc. etc..

Este comportamento dos nossos políticos e comentadores nacionais (leia-se, residentes em Lisboa) só pode ter uma leitura: para esta gente, quem vive no interior e no sul do país é a PUTA e os políticos e comentadores nacionais são os seus filhos.

Homenagem a Jan Palach, estudante checo que se imolou pelo fogo no dia 16 de Janeiro de 1969, na Praça de S. Venceslau, em Praga, em protesto contra a invasão da Checoslováquia pelas tropas da União Soviética, e que continua a ser ainda hoje um dos meus heróis.

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José Valle de Figueiredo

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Arde o coração de Praga.

Arde o corpo de Jan Palach.

Podemos dizer que o Rei Venceslau,

montado em seu cavalo,

também viu crescer o fogo

em que arde o coração de Praga.

João Huss, queimando o seu corpo,

também arde na Praça de Praga.

E os cavaleiros da Boémia,

o povo e os grão-Senhores,

os operários de Pilsen,

os poetas e cantores da Eslovóquia,

todos ardem nessa tarde e nessa praça.

Queimamos a coragem e o heroísmo,

queimamos a nossa infinita resistência.

Não é verdade, Soldado Schweik?

 

Eles vieram das estepes e disseram:

É proibido morrer pela Pátria,

é proibido resistir à opressão,

é proibido combater a ocupação. (Refrão)

É proibido amar os campos verdes do seu país.

É proibido amar o verde da esperança.

É proibido amar a Esperança

 

Estás proibido, Jan Palach!

És proibido, Jan Palach!

Estás proibido de existir, Jan Palach!

Estás proibido de morrer!

 

Eles vieram das estepes e disseram

todas estas palavras.

Mas também é verdade que disse um dia o Rei Venceslau,

montado em seu cavalo:

«Esta nossa terra será livre,

e nela crescerão livres

as virgens, as mães e os filhos.

E nela crescerão livres as flores.»

E das flores virão rosas,

rosas brancas, para cobrir a campa

de Jan Palach.

Arde o Coração de Praga,

arde o corpo de Jan Palach,

arde o corpo do Futuro.

E já cresce a Primavera!

Santana-Maia Leonardo - Rede Regional de 27-11-2017

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Não se pode falar em interior num país com 200 Km de profundidade e com a nossa rede de auto-estradas. Este é o principal argumento usado pelos comentadores residentes em Lisboa sempre que alguém fala em interior. Estou absolutamente de acordo. Com efeito, Portugal é uma faixa litoral tão estreita, tão pequena e tão pouco populosa que se assemelha mais a uma pequena cidade do que a um país.

Não é este o problema. Bem pelo contrário, é uma enorme vantagem. O problema português é não aproveitar esta vantagem e permitir que tudo esteja concentrado e amontoado num pequeno troço da avenida marginal.

Analisemos duas recentes medidas do Governo: a transferência para o Porto do Infarmed e mais um pacote de medidas de incentivo à fixação de população no interior. Quanto ao novo pacote de medidas para a fixação de população no interior (mais um), vai ter inevitavelmente o mesmo resultado do que os anteriores. O interior, neste momento, não necessita de medidas para fixar população. Não se pode fixar o que não existe, a não ser que o Governo esteja a pensar na criação de mais uns lares de idosos. Mas até os lares de idosos já são de mais, neste momento… O que o interior precisa é da transferência de população jovem e qualificada de Lisboa para o interior. E isso só se consegue com a deslocalização de serviços como o Infarmed, universidades, direcções-gerais, ministérios, etc. etc.

Portugal podia e devia, de facto, ser gerido como uma pequena cidade, deixando a avenida marginal para o sector comercial e empresarial e o interior da cidade para os serviços. E cada bairro da cidade podia ter uma especialização. A título de exemplo: o bairro de Trás-os Montes podia acolher, por exemplo, os ministérios, direcções-gerais, etc. relacionados com a agricultura e florestas; o bairro do Alentejo podia acolher os ministérios e as direcções-gerais, relacionadas com a Defesa, assim como os quartéis militares situados em Lisboa, o Hospital Militar e as cúpulas do Exército, etc.; o bairro das Beiras podia acolher as principais universidades públicas de Lisboa, o ministério da Educação e respectivas direcções-gerais; o bairro do Algarve o Turismo; etc. etc.

Mas basta assistir à reacção dos trabalhadores do Infarmed (e a deslocalização é apenas na avenida marginal, imagine-se se fosse para Castelo Branco ou para Guarda) e dos políticos portugueses, inclusivamente o PCP, para perceber que qualquer reforma do Estado que passe pelo repovoamento do território conta com a oposição firme de todos os partidos portugueses porque ninguém quer sair de Lisboa. As grandes reformas que todos defendem, inclusive a regionalização, estão ao serviço do modelo de desenvolvimento da Cidade Estado e não são mais do que a criação de tachos para os amigos que já lá vivem, sem que haja qualquer transferência de pessoas de Lisboa para o interior. Pelo contrário, Lisboa vai continuar a ser a foz onde vão desaguar todos os rios, ribeiros e riachos portugueses.

Santana-Maia Leonardo

Na passada 5.ª Feira, li uma notícia a propósito das declarações do treinador do Barça Vallverde no jornal desportivo catalão LE SPORT, de que sou assinante, que não deixam de ser surpreendentes. 

Valverde declara que não gosta de planteis com mais de 20 jogadores, pelo que espera que a direcção proceda à redução do plantel neste mercado de inverno, salientando que não faz sentido ter um plantel muito numeroso quando o Barça tem uma equipa B a disputar a II Liga.

É bom recordar que isto é dito pelo treinador do clube de futebol com o maior orçamento do mundo e que está a disputar a Liga dos Campeões, a Liga espanhola e a Taça do Rei, sendo um dos favoritos a vencer todas as provas.

Se o FC Barcelona necessita apenas de um plantel de 20 jogadores para disputar todas as provas de um grau de exigência máximo, por que razão FC Porto, Sporting CP e SL Benfica, que também têm equipas B e Academias de que tanto se gabam, têm necessidade de ter plantéis tão vastos (os três juntos têm mais de 200 jogadores inscritos) e de comprar tantos jogadores para disputar jogos com equipas paupérimas e desfalcadas dos seus melhores jogadores, uma vez que são emprestados pelo Triunvirato? 

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Santana-Maia Leonardo - Rede Regional 11-1-2018

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O futebol é hoje uma indústria que movimenta quantidades industriais de dinheiro pelo que não é possível nem é honesto misturar ou comparar sequer a liga profissional de futebol com qualquer outra modalidade nacional. O termo de comparação pode ser a NBA ou as ligas americanas do Super Bowl ou do Basebol mas não, como é óbvio, o campeonato nacional de basquetebol ou de râguebi.

Ora, em todas as ligas profissionais de futebol dos países da UE, tal como nas ligas profissionais norte-americanas, não é permitido sequer aos clubes disporem dos direitos televisivos, quanto mais transmitirem em exclusivo os seus próprios jogos. E mesmo para quem considere, como é o meu caso, que somos um país com mentalidade de terceiro mundo, a verdade é que não existe um único país, mesmo no terceiro mundo, onde seja permitido a um clube da liga profissional de futebol transmitir os seus jogos em exclusivo. E é muito fácil perceber porquê.

Quando há muito dinheiro em jogo, é necessário reforçar a independência de todas as estruturas que suportam a competição para evitar precisamente o que sucede em Portugal: que haja o condicionamento da competição e dos seus intervenientes por parte de algum clube ou clubes participantes. E o poder da imagem é hoje um dos poderes mais poderosos do mundo, passe o pleonasmo, e mais inibidor pelo que não pode estar na mão de um dos clubes participantes. É precisamente também por esta razão que não é permitido que uma televisão partidária transmita em exclusivo a actividade do governo.

Além disso, basta fazer um pequeno exercício para perceber o absurdo desta situação. Temos, no entanto, de ficcionar que a nossa liga é um verdadeiro campeonato de futebol disputado por dezoito clubes e não um jogo da batota disputado por três seitas, cada uma das quais com as suas catedrais, capelinhas, papas, padres, missas e fiéis devotos. Se fosse uma verdadeira liga de 18 clubes, significava que todos os clubes tinham iguais direitos e, como tal, todos eles poderiam vender os seus direitos televisivos e transmiti-los na sua televisão. Tal significava que os portugueses para verem os jogos da I Liga teriam de pagar 18 taxas de televisão aos 18 clubes que a disputam. E se em Espanha e Inglaterra seguissem o exemplo, cada português teria de pagar 54 taxas televisivas para também poder ver os jogos da Liga inglesa e espanhola.

Para já não falar na imoralidade da violência imposta a todos os adeptos que não são do Benfica de serem obrigados a ter de financiar o Benfica se quiserem ver o jogo do seu clube com o Benfica e, como se isso já não fosse humilhação bastante, a ter de suportar durante todo o decurso do jogo a sua propaganda institucional e o facciosismo dos seus comentadores.

O que se passa em Portugal é uma VERGONHA e é bem demonstrativo de como o nosso povo convive bem com a corrupção, o compadrio e a aldrabice. Não é por isso de admirar que, enquanto nos outros países, os políticos suspeitos de corrupção se afastem dos cargos imediatamente, aqui sejam reeleitos mesmo depois de acusados e condenados.

06 Jan, 2018

A democracia

Santana-Maia Leonardo Rede Regional de 6-9-2017

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Numa das primeiras consultas democráticas de que há memória, Pôncio Pilatos pediu ao povo para escolher entre um ladrão (Barrabás) e um homem justo (Jesus Cristo). E quem é que o povo escolheu?

A democracia portuguesa tem também sido reveladora desta estranha atracção do voto popular pelas pessoas menos escrupulosas. O ladrão é sempre mais sedutor do que o homem justo e recolhe, quase sempre, mais votos.

Isto não é suficiente, obviamente, para pormos em causa a democracia até porque, como dizia Churchill, ainda não se descobriu melhor: «A democracia é o pior sistema político, exceptuando todos os outros». Além disso, se, entre um ladrão e um homem justo, o povo elege o ladrão, também não se pode depois queixar de ser governado por ele. 

Como dizia Bernard Shaw, na melhor definição de democracia que conheço, «a democracia é um mecanismo que garante que nunca seremos governados melhor do que aquilo que merecemos.» E, efectivamente, até agora, só temos colhido o que plantámos.