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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

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"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

26 Fev, 2018

O rebanho

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Raquel Vaz-Pinto, autora do livro "Para lá do relvado", na sua entrevista ao jornal A Bola de 18 de Junho, confessa que não fala no livro sobre Portugal porque vive "o Benfica com grande intensidade” (“Sou uma adepta fanática"), apesar de reconhecer, como eu já aqui escrevi, que, nos anos da ditadura, Salazar também instrumentalizou o Benfica.

Mas vejamos o que disse sobre a Itália fascista e sobre a Espanha franquista, para podermos fazer a extrapolação para o nosso país, uma vez que a ideologia e a metodologia eram as mesmas em Roma, Madrid e Lisboa: "Na Itália fascista, Mussolini foi o primeiro líder político que compreendeu a capacidade de instrumentalização do futebol como espectáculo de massas. É uma das primeiras grandes ligações, explícitas, entre política e futebol. Com a selecção venceu dois mundiais, mas do ponto de vista interno não lhe correu bem, porque tentou reorganizar as equipas romanas, fundando a Roma e dando à Lázio uma identidade fascista. (...)”. Por sua vez, na Espanha franquista, "havia um apoio explícito de Franco ao Real Madrid. O mítico presidente do Real Madrid, Santiago Bernabéu, era um soldado franquista que participou, aliás, no cerco a Barcelona no final da guerra civil. (...)"

Ou seja, Salazar conseguiu, sem qualquer esforço, aquilo que Mussolini e Franco não conseguiram, apesar de todo o seu empenho e dedicação: que Itália e Espanha ajoelhassem perante Roma e Madrid. Com efeito, apesar dos esforços de Mussolini, as duas equipas romanas nunca conseguiram suplantar as equipas do norte de Itália, assim como as gentes de Barcelona nunca prestaram vassalagem a Madrid, apesar do poderio e do sucesso internacional do Real.

Em Portugal, no entanto, bastou o sucesso do Sporting nos anos cinquenta e do Benfica nos anos sessenta para o país inteiro, Porto inclusive, se converter a Lisboa sem que o pastor precisasse sequer de levantar o cajado. E isto diz muito sobre a inata vocação de ovelha do povo lusitano.

Miguel Sousa Tavares disse, em A Bola, uma coisa óbvia para qualquer pessoa que não seja portuguesa: "nunca hei-de perceber que estranha perturbação de personalidade leva uma pessoa do Porto a ser benfiquista." Na verdade, sendo o Porto, naturalmente, a grande cidade opositora de Lisboa, custa a perceber o que leva alguém do Porto a ser benfiquista ou sportinguista. Mas Júlio Machado Vaz, que nasceu e reside no Porto, na sua entrevista ao jornal A Bola do passado 21 de Maio, deu a explicação que só um português entende: "O facto de o Benfica ganhar quase tudo na década de 60 (...) tinha tudo para me atrair."

Por outras palavras: o português comum é do que ganha e, tal como as ovelhas, segue sempre o rebanho. É, assim, no futebol (47% dos adeptos portugueses são do Benfica, enquanto em Inglaterra o Manchester tem 15% dos adeptos e o Real e o Barcelona juntos têm 33%) e é assim na política (até hoje, desde o século XIX, não houve um único primeiro-ministro que tivesse perdido as eleições, após concluir o mandato, para já não falar no que se passa no redil das autarquias).

Santana-Maia Leonardo Diário As Beiras de 26-7-2016

22 Fev, 2018

Crime sem castigo

Santana-Maia Leonardo - Rede Regional de 22-2-2018

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Parecia, à primeira vista, que a entrada de Elina Fraga para vice-presidente do PSD representava um acto de contrição, ainda que tardio, pela implementação da reforma do mapa judiciário pelo anterior governo nas circunstâncias em que foi feita. Mas pelos vistos, não basta o crime ter ficado sem castigo como os seus autores continuam ainda a não mostrar o mínimo arrependimento, apesar das graves lesões que causaram a muita gente.

A implementação do mapa judiciário, apesar de ter sido uma decisão política, não significa, só por si, que a responsabilidade criminal fique excluída. Se o governo, por exemplo, na área da Saúde, decidir mandar encerrar vários hospitais locais e regionais, criando mega-hospitais centrais para onde transfere os doentes, estamos perante uma decisão política. Mas, se o governo transferir os doentes para esses mega-hospitais, sem que os mesmos ainda estejam construídos ou sem terem capacidade para receber os doentes, nem médicos e enfermeiros em número suficiente para cuidar deles, levando a que muitos morram ou sofram um agravamento significativo ou irremediável do seu estado de saúde, neste caso já estamos no âmbito da responsabilidade criminal.

Ora, foi precisamente isto que sucedeu com a reforma do mapa judiciário, com a agravante de a ministra ter agido dolosamente, uma vez que foi avisada por toda a gente para a tragédia que se adivinhava se persistisse na sua loucura e, apesar disso, conformou-se com ela. O Governo de Passos Coelho e a ministra da Justiça decidiram levar a cabo uma reforma do mapa judiciário sem ter os meios financeiros, humanos, informáticos e logísticos para a levar a cabo, causando danos irreversíveis, quer patrimoniais, quer não patrimoniais em muita gente.

A reforma do mapa judiciário não foi apenas um atentado contra o Estado de Direito. Foi também um atentado contra os cidadãos que viram as suas vidas serem destruídas em consequência dos atrasos processuais e do aumento dos custos e dos encargos que a reforma provocou, sobretudo por ter sido levada a cabo sem ter as condições mínimas necessárias para o efeito.

Além disso, não deixa de ser esclarecedor do país em que vivemos a comoção que gerou na nossa classe política a mudança de umas centenas de trabalhadores do INFARMED de Lisboa para o Porto e a sua indiferença perante a mudança radical causada na vida de milhares e milhares de funcionários e trabalhadores com a reforma do mapa judiciário.  

Aos Abrantinos e à Imprensa:

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Face às notícias e opiniões distorcidas tornadas públicas dos últimos dias, a sociedade Iniciativas de Abrantes, Lda, proprietária do Teatro S. Pedro, vê-se obrigada a prestar alguns esclarecimentos.

1 -Com o objectivo de permitir a reabilitação do Teatro S. Pedro através de uma candidatura a um programa de financiamento e a sua posterior utilização cultural pela sociedade abrantina, a Iniciativas de Abrantes cedeu à Câmara Municipal de Abrantes, por sua própria iniciativa e mediante um protocolo assinado no dia 29 de Janeiro de 1999, a gestão e a utilização do referido imóvel de forma gratuita e por um longo período de 19 anos. Durante o período de vigência do protocolo, a Iniciativas de Abrantes prescindiu generosamente da sua única fonte de receitas em prol do Cultura da Cidade.

A partir de 1 de Dezembro de 2001, a Câmara Municipal de Abrantes beneficiou, injustificada e ilegitimamente, de rendas mensais provenientes do arrendamento de uma área da cobertura do imóvel a uma empresa de telecomunicações, rendas que atendendo ao enquadramento e às condições do protocolo existente entre a Iniciativas de Abrantes e a Câmara Municipal de Abrantes, deveriam, por razões de ordem legal e moral, ter revertido para a sociedade proprietária. Acresce que, durante os primeiros anos de vigência do protocolo, a Iniciativas de Abrantes continuou a pagar o IMI, apesar de ser o próprio Município a gerir e utilizar o imóvel.

Feitas as contas, poder-se-á dizer, pois, que durante os últimos 19 anos a Iniciativas de Abrantes não só cedeu gratuitamente o Teatro S. Pedro à Câmara Municipal de Abrantes como ainda contribuíu, directa e indirectamente, com uma quantia superior a 100.000€ para os cofres municipais.

2- No dia 5 de Janeiro de 2018, a gerência das Iniciativas de Abrantes recebeu da Srª Presidente da Câmara, por email, três propostas alternativas para o futuro do teatro, as únicas que até agora a Câmara admitiu discutir.

A primeira proposta consistia na “aquisição da propriedade plena do imóvel pelo Município pelo valor de 267.000€”.  Acontece que a Câmara Municipal encomendou, em Novembro de 2017, uma avaliação externa do imóvel, na qual o avaliador lhe atribuíu o valor actual de 844.000€. Acresce que a referida avaliação tem apenas em conta o valor do terreno e da construção civil, não valorizando as múltiplas funcionalidades do cineteatro e o extraordinário projecto do arquitecto Ruy da Athouguia, o nome cimeiro da arquitectura modernista portuguesa, e o facto de o Teatro S. Pedro ser o mais notável edifício de arquitectura civil do século XX em Abrantes. Além disso, para se avaliar a ridícula oferta de compra da Câmara Municipal, haverá que a comparar com os elevados valores por esta despendidos em recentes negócios imobiliários, tais a compra do edifício Milho, do segundo andar do Edifício Falcão e do Colégio de Fátima, e com projectos como o do novo mercado diário ou o do frustrado Museu MIAA.

Em segundo lugar, a CMA propunha “a reformulação do protocolo, através da assinatura de um contrato de comodato, prorrogando-se o prazo de utilização por parte do Município e sendo este a executar as obras necessárias”, isto é, continuar a usufruir gratuitamente do Teatro S. Pedro, apesar de tudo o já referido no primeiro ponto deste comunidado.

Finalmente, a terceira proposta consistia na “assinatura de um contrato de arrendamento, com o pagamento de uma renda mensal a ser acordada entre as partes, mediante a execução por parte da sociedade proprietária das obras de conservação/beneficiação necessárias ao bom funcionamento do imóvel”.  Note-se que o protocolo previa que, em troca da cedência gratuita do Teatro S. Pedro, a Câmara Municipal de Abrantes se comprometia a mantê-lo em bom estado de conservação, o que não fez pelo menos em relação ao exterior do edifício. As obras não realizadas são indubitavelmente da responsabilidade da Câmara Municipal de Abrantes, que com esta proposta as pretende empurrar para a sociedade proprietária.

Naturalmente, a Assembleia Geral da Iniciativas de Abrantes decidiu, por unanimidade, não aceitar qualquer uma destas propostas.

3- A Iniciativas de Abrantes está disposta a arrendar o Teatro S. Pedro à Câmara Municipal de Abrantes por prazo, valor de renda e condições a acordar entre as partes, desde que todas as obras necessárias à boa conservação do imóvel, incluindo a reparação e a pintura do exterior, sejam da responsabilidade da arrendatária. Por outro lado, a Iniciativas de Abrantes está também aberta a negociar a venda do imóvel à Câmara ou a qualquer outra entidade, por um valor justo que tenha em consideração as suas características, funcionalidades, particularidades e autoria arquitectónica.

Abrantes, 19 de Fevereiro de 2018

Santana-Maia Leonardo Rede Regional de 30-1-2018

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Sem o VAR, uma pessoa ingénua ainda dá o benefício da dúvida sobre a honestidade do árbitro. Com o VAR tornou-se evidente o estádio de corrupção a que isto chegou. Porque, se é admissível que o árbitro e o fiscal de linha se possam equivocar num lance, já não é admissível que o VAR só veja o que lhe interessa, favorecendo intencionalmente uma das equipas.

O VAR no futebol inglês ou alemão até pode resultar mas, num país de batoteiros como é o nosso, apenas serve para acentuar ainda mais o fosso entre aqueles que baralham e escolhem as melhores cartas e os que têm de jogar com as cartas que lhes dão. O VAR, em Portugal, serve exclusivamente para corrigir as decisões erradas e distorcer as decisões correctas da equipa de arbitragem, sempre que prejudicam os chamados "Grandes".

Resumindo: não adianta mudar de tractor quando o problema é do tractorista. A lei que permitia o adiamento dos julgamentos por atestado médico foi copiada da lei alemã. Só que, na Alemanha, era raríssimo haver um adiamento por doença, enquanto em Portugal todos os arguidos passaram a estar doentes no dia do julgamento. A lei era a mesma, mas o povo é muito diferente.

Nós somos um povo estruturalmente corrupto e que convive bem com a corrupção. Para os outros, o nosso grau de exigência é máximo; para nós e para os nossos, somos de uma tolerância extrema. A maioria dos portugueses vende-se por uma rodela de chouriço, sem sequer perceber que, mais tarde, vai ter de pagar o porco. E a pior corrupção e a mais eficaz é aquela que corrompe o sistema, em vez de corromper directamente o agente. É o que se passa na nossa vida política (autárquica, regional e nacional) e foi precisamente isso que o Porto fez no Apito Dourado e o Benfica no Mailgate. E, pelos vistos, o futebol português está agora a entrar numa nova era: a era da verdade desportiva à moda da Coreia do Norte.

O Sporting, reconheço, foi até há pouco tempo um sinal de esperança... Mas, com a eleição de Bruno de Carvalho, entrou também na era do vale tudo de Pinto da Costa e Filipe Vieira. E a estratégia é sempre a mesma: diabolizam um inimigo para fanatizar os adeptos (Pinto da Costa diabolizou o Sul, Filipe Vieira diabolizou o Porto e Bruno de Carvalho diabolizou o Benfica) e, a partir daí, entramos no mundo da irracionalidade das massas típica dos movimentos fascistas e comunistas. Como dizia, W. Reich, "a irracionalidade é o fascismo."

O discurso e os métodos usados pelos presidentes do Benfica, Sporting e Porto, com recurso à manipulação de imagens e de notícias, às cartilhas, aos insultos, aos directores de comunicação e à fanatização dos adeptos são típicas dos movimentos fascistas e estalinistas. Mas nós somos o país ideal para este tipo de comportamento, tanto assim que Salazar e Cunhal foram eleitos pelos portugueses, ainda há pouco tempo, como os dois maiores vultos da nossa história.

É certo que, em toda a Europa, os jogos entre grandes e pequenos é sempre uma luta entre David e Golias. Só que, na liga portuguesa, os Golias, com medo de levar uma pedrada no meio da testa, só aceitam combater com David, depois de lhes algemarem as mãos atrás das costas.

Santana-Maia Leonardo

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Fui agora chamado a atenção por um adepto do Marítimo de que os comentadores portugueses terão justificado a cabazada que o FC Porto arrecadou do Liverpool com a diferença de orçamentos dos dois clubes.

Em todo o caso, é bom não esquecer que o Liverpool tem um orçamento 3 ou 4 vezes superior ao do Benfica, Sporting e Porto, enquanto qualquer destes três clubes tem um orçamento 15 a 20 vezes superior ao do Vitória.

Além disso, sempre que um "pequeno" invoca a diferença de orçamentos para justificar os maus resultados com os "colossos" portugueses, caem-lhe em cima os comentadores desportivos como se essa não fosse uma razão atendível.

Imagino como devem estar hoje aliviados os adeptos do Benfica depois de terem visto o Manchester City ter vencido por 4-0, ao pé coxinho, no campo onde o Glorioso levou 5. Até arrepia!

Agora há uma coisa que, nesta história, fica por explicar: por que razão Benfica, Sporting e Porto se aproporiam da totalidade das receitas da liga portuguesa, retirando competitividade à nossa liga, se afinal, como eles próprios reconhecem, não tem a mínima hipótese de a disputar?

Não seria mais inteligente apostarmos numa liga mais competitiva e mais entusiasmante para todos, em vez de andar a levar cabazadas por essa Europa fora só para encher os bolsos dos dirigentes e empresários?

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