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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

Santana-Maia Leonardo

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Antes de mais, gostaria de esclarecer os meus amigos benfiquistas e sportinguistas (infelizmente, não tenho outros) que, quando me refiro que a liga portuguesa é uma liga viciada por natureza, não me estou a referir nem ao Apito Dourado, nem ao Mailgate.

Esses casos, tal como a operação Marquês ou o BES, são a consequência natural de sistemas corruptos mas não são a sua causa.

Também nunca disse ou defendi que as pessoas não têm o direito de serem do clube que quiserem.

Pelo contrário, reconheço o direito a todas as pessoas a serem do clube que quiserem, a mudar de clube, assim como a divorciarem-se e a casar de novo e as vezes que quiserem e com quem quiserem...

O que eu digo é diferente. Os portugueses querem ser todos do Benfica ou do Sporting? Pois que sejam. Têm o direito de ser. Agora isso torna é impossível a existência de um campeonato português, na medida em que um campeonato pressupõe a existência de vários clubes e se todos os portugueses são do mesmo...

O mesmo acontece se os portugueses forem todos apenas de dois ou três clubes. Três clubes não é número suficiente para se poder organizar um verdadeiro campeonato, desde logo porque é impossível garantir a independência dos decisores e dos demais participantes.

Mas é precisamente isso que sucede no campeonato português.

Se alguém nos convidar para jogar à sueca, o nosso parceiro não pode desejar e torcer para que seja o outro par a ganhar o jogo, nem pode ser sempre a mesma pessoa a baralhar, partir e dar as cartas.

Ora é precisamente isso que se passa na liga portuguesa.

Isto é tão evidente que basta abrir a tv ou ler os comentários no Facebook.

Em Portugal só há três clubes e com três clubes é impossível fazer um campeonato, o que significa que há 15 clubes que são constituídos por dirigentes, jogadores e sócios que são adeptos de um desses três clubes o que vicia a competição, directa e indirectamente, na medida em que participam na eleição dos órgãos da Liga, da FPF, do Conselho de Arbitragem e Disciplina.

Basta ler os comentários aos meus textos em que sou acusado de ser benfiquista, sportinguista ou portista, consoante o sentido da minha crítica, para chegar à mesma conclusão. E por que razão é que isso sucede? Porque não existe praticamente ninguém em Portugal que aceite que possa existir algum português que não simpatize com um destes três clubes.

Aliás, a partir do momento em que os próprios benfiquistas se orgulham de ser seis milhões e os sportinguistas quatro milhões, deveriam ser os próprios benfiquistas e sportinguistas a reconhecer, caso não fossem, nem tivessem o espírito dos batoteiros, que não existem condições objectivas para uma liga portuguesa de futebol. O mais que se podia fazer era organizar uma liguilha entre Benfica, Sporting e Porto. Mas mais do que isso é criar uma ficção, logo um campeonato viciado à nascença.

Como gosto de futebol e não de trafulhice, nem de fantasias de Natal, é natural que não me interesse pela nossa I Liga e que siga a Liga onde existe maior competitividade: a liga inglesa. Como já disse várias vezes, a Liga Inglesa é o meu estilo de música preferido e o Barça a minha banda preferida.

Mas uma coisa é defender o modelo das Ligas inglesa e americana por gostar do jogo e da competição, outra coisa é defender os ingleses ou os americanos. O facto de um português defender as democracias europeias, antes do 25 de Abril, e ser contra o salazarismo e a União Nacional não o transforma num anti-português ou num defensor dos espanhóis ou dos ingleses.

Muito pelo contrário.