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COLUNA VERTICAL

"A coragem é a primeira das qualidades humanas porque garante todas as outras.." (Aristóteles)

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"A coragem é a primeira das qualidades humanas porque garante todas as outras.." (Aristóteles)

06 Mar, 2018

Venham mais cinco!

Santana-Maia Leonardo

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Benfica, Sporting e Porto apropriaram-se da totalidade dos recursos para impedirem qualquer outro clube português de aceder à Liga dos Campeões. Mas o seu objectivo, pelos vistos, não é disputar a Liga dos Campeões, mas aproveitar a Liga dos Campeões como montra para vender jogadores. Ou seja, não lhes interessa a competição, apenas o negócio.

No entanto, continuamos a assistir à propaganda totalitária dos adeptos, jornalistas e comentadores do Benfica, Sporting e Porto que chegam a argumentar com a diferença pontual também existente entre os maiores clubes e os restantes na Liga espanhola, inglesa, francesa e alemã para nos tentar convencer de que estamos perante uma situação idêntica ao que se passa no campeonato português, como se nós fossemos idiotas.

Com efeito, uma coisa é a diferenciação resultante do sucesso, através de meios próprios e num livre mercado regulado, que é o que acontece em todas as ligas da União Europeia, outra coisa é a diferenciação assente na discriminação existente nas sociedades fechadas e hierarquizadas em castas que impedem a ascensão social das classes de nível inferior.

E é precisamente isto que se passa na liga portuguesa.

Basta fazer este simples raciocínio. Se o Bayern descer de divisão e o Hamburgo vencer a Liga Alemã, quem é que no final recebe mais dinheiro? E na Liga italiana como é? E na liga inglesa? E na liga holandesa? E na Liga dos Campeões? E na Liga Europa? Se o Porto for campeão europeu e o Barça for eliminado nos oitavos de final, quem recebe mais dinheiro no final da prova?

E em Portugal como é? Se o Vitória for campeão e o Benfica ficar em décimo lugar, quem é que recebe mais dinheiro? Everybody knows…

O Mancheste City, por exemplo, era até há pouco tempo um clube do fundo da tabela. Mas porque, na liga inglesa, as regras são iguais para todos e todos são tratados por igual, inclusive na comunicação social, qualquer clube é atractivo para os investidores.

É precisamente por vivermos num estado que continua a permitir que a liga portuguesa continue a ser um jogo com cartas marcadas em que são sempre os mesmos a baralhar e a dar as cartas que me dá sempre uma enorme vontade de rir quando os colossos portugueses começam a falar fininho… Os 5-0 do Porto – Liverpool deram-me um gozo enorme. Já não me ria tanto desde que o Benfica levou 5-0 do Basileia.

Jorge Jesus, pelo menos, tem a consciência do tamanho dos colossos portugueses e sabe bem até onde pode chegar. Basta ver a satisfação com que ficou por ter sido eliminado na fase de grupos da Liga dos Campeões.

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Teoricamente este lance do Porto - Sporting é penalti mas, na prática, não é. 

E é muito fácil perceber a diferença entre a teoria e a prática.

Teoricamente é como os lances são analisados e interpretados pelos intelectuais da bola dos nossos programas desportivos; na prática, é como os lances são interpretados pelos árbitros da maior e melhor liga do mundo: a liga inglesa.

Resumindo: para os intelectuais da bola portugueses, este lance é penalti, mas, para um árbitro inglês, este lance é um lance normal de futebol e de disputa da bola.  

Santana-Maia Leonardo

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Na última reunião da Câmara Municipal de Abrantes em que participei, mais precisamente na reunião da câmara de 10 de Outubro de 2013, solicitei, mais uma vez, que a senhora presidente da câmara nos respondesse a esta questão que lhe colocámos sucessivamente em quase todas as reuniões da câmara durante o nosso mandato e a que se recusou sempre a responder:

"Uma vez que esta é a última reunião em que participamos, gostaríamos de saber se a senhora presidente já sabe quem foi o advogado, do lado da Câmara, que participou na redacção do protocolo com a RPP Solar, tanto mais que não foi certamente por falta de oportunidade que não obteve esta informação do seu antecessor, tendo em conta que durante quinze dias andou quase sempre na sua companhia."

Eu posso ter muitos defeitos mas não sou estúpido, nem gosto que façam de mim parvo.

Se eu insisti, durante todo o mandato, em que a senhora presidente nos desse esta resposta e se a senhora presidente se recusou sempre a responder, é obviamente porque está nesta resposta a chave para percebermos o que se passou com a RPP Solar e qual foi o papel e a responsabilidade do executivo municipal.

Se eu fosse vereador, continuava a fazer em todas as reuniões da câmara esta pergunta e a exigir a resposta, apesar de saber que a presidente da câmara e o seu antecessor nunca vão dar a resposta porque isso tornaria tudo claro como a água.

Mas, em Abrantes, também já percebi que o que interessa à esmagadora maioria é que tudo continue turvo como a água do Tejo.

Santana-Maia LeonardoRede Regional de 26-12-2017

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A UEFA publicou em 2015 três estudos essenciais para compreender a realidade do futebol português: I) média de assistências aos jogos por país; II) distribuição das receitas televisivas por país; III) percentagem de adeptos por clube por país.  Sem conhecer o doente e a doença, não vale a pena avançar ou sugerir tratamentos.

O futebol português é, aliás, o espelho da sociedade portuguesa. Basta olhar à nossa volta, quer para os clubes, quer para os partidos, quer para as empresas, quer para o sector financeiro, quer para as associações de solidariedade social, quer para as associações de bombeiros, quer para a comunicação social, para constatar, até pelo cheiro, que o nosso país está em adiantado estado de decomposição onde apenas os vermes conseguem sobreviver. E é muito difícil salvar o doente quando o doente já morreu... Esperemos que não seja esse o caso, o que, sem querer ser demasiado pessimista, duvido muito.

Analisando esses três estudos, constatamos que Portugal é o único país da UE onde não existe centralização dos direitos televisivos e o país da UEFA onde o fosso entre clubes ricos e pobres é maior, na distribuição das receitas. Na liga inglesa, por exemplo, o Manchester United, o clube mais valioso do mundo à frente de Barça e Real Madrid, recebeu apenas uma vez e meia a mais do que o último classificado.

Quanto à média de espectadores por jogo, a liga portuguesa tem uma média de espectadores inferior à II Liga inglesa e à II Liga alemã, apesar de a média dos jogos na Luz, Alvalade e Dragão estar próximo da média das ligas com mais espectadores.

Agora passemos à análise da relação entre adeptos e clubes por país. A percentagem de adeptos ingleses do Manchester United, o maior clube inglês e o clube mais valioso do mundo, é de 14%, encontrando-se a maioria concentrada na região de Manchester. É mais ou menos o que sucede em toda a Europa. Mesmo em Espanha, o Real e o Barça juntos têm apenas 33% dos adeptos espanhóis e concentrados em redor das respectivas cidades.

E em Portugal como é? Só o Benfica tem 47% dos adeptos e o Sporting e Porto os outros 47%. Com a agravante de a massa adepta do Benfica e do Sporting estar distribuída por todo o território nacional. Isto significa que é impossível realizar uma competição limpa em Portugal porque não é possível sequer encontrar clubes que não estejam infiltrados por adeptos, sobretudo, do Benfica e do Sporting. E sem clubes e decisores independentes (Conselhos de Arbitragem, de Disciplina, de Justiça, árbitros, delegados e observadores) não é possível realizar uma competição limpa. 

Portugal é um caso único no mundo em que não é necessário haver corrupção porque a competição (à semelhança do que acontece nos concursos públicos nas câmaras e no país) está corrompida à nascença. Isso resulta claramente da leitura dos e-mails do Benfica e, se repararem, da própria defesa do advogado do Benfica. Para haver corrupção, é necessário haver estruturas independentes. Ora, em Portugal, estamos numa fase anterior onde não é necessário haver sequer corrupção porque os decisores são colocados pelos clubes-monopólio e agem ao seu serviço, tal como acontece nos concursos públicos em que o júri é escolhido pelo partido que governa.

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