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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

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30 Jun, 2019

A cultura da batota

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A venda de João Félix para o Atlético de Madrid deixou a nação benfiquista em êxtase, apesar de toda a gente saber qual o destino das verbas das vendas de Jorge Mendes: uma parte é consumida pela pesada administração das SAD e a outra para comprar jogadores de Jorge Mendes e sustentar uma chusma de jogadores que não têm outra função a não ser desvirtuar a competição.

Em Portugal, o clube dominante, porque não tem dinheiro para disputar o mercado com os grandes clubes europeus, prefere investir em jogadores de segunda linha para emprestar aos chamados clubes “pequenos” com o objectivo, por um lado, de reforçar esses clubes contra os seus adversários e enfraquecê-los quando joga contra eles e, por outro, reforçar o seu poder nos diferentes órgãos associativos.

Como todos sabemos, os jogos entre Benfica, Sporting e Porto são sempre de resultado imprevisível, mesmo que uma dessas equipas seja melhor do que as outras. O futebol é tão imprevisível que, por muito grande que sejam as diferenças entre clubes do mesmo nível, o resultado nunca é garantido. Daí que a vitória no campeonato dependa muito dos jogos com os outros clubes de menos nomeada.

E o que se passa em Portugal é que o clube com maior disponibilidade económica, através da vergonhosa política de empréstimos maciços de jogadores, transforma a competição numa prova de obstáculos para os seus adversários e praticamente sem obstáculos para si.

Esta cultura da batota está tão entranhada que poucos a denunciam. Em Portugal, a discussão sobre a verdade desportiva centra-se quase exclusivamente no VAR. Ou seja, é como se numa corrida de 400 metros obstáculos em que fosse permitido a um corredor correr numa pista sem obstáculos, a discussão sobre a verdade desportiva da prova se centrasse sobre a existência do Photofinish.

Enquanto os portugueses não conseguirem ter uma relação saudável com a competição desportiva, assente no fair play, no respeito pelos adversários e na integridade das competições, nunca conseguiremos resolver o problema estrutural da corrupção em Portugal. Quem é educado no jogo da batota cresce e forma-se como corrupto. 

Santana-Maia Leonardo

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Os grandes clubes europeus são os que compram os melhores jogadores e não aqueles que os vendem. Mesmo o Atlético Madrid, que ainda não atingiu o patamar dos maiores clubes europeus, ao ser obrigado a ficar sem o seu melhor jogador, em virtude de haver um clube que bate a cláusula de rescisão de 120 milhões de euros, decidiu investir essa quantia num jogador com um cláusula de rescisão equivalente. Até porque não havia um único adepto do Atlético de Madrid que aceitasse que o clube não investisse, de imediato, os 120 milhões do Griezman num jogador equivalente.

É isso que distingue os grandes clubes das lojas de conveniência. Enquanto os grandes clubes europeus disputam os melhores jogadores, os clubes portugueses empenham-se em vendê-los.

Dir-me-ão que, com o dinheiro das vendas, poderão comprar os melhores jogadores das equipas portuguesas, reforçando os clubes pequenos e médios contra os seus adversários e desfalcando-os quando jogarem contra a sua equipa e assim garantirem a vitória na liga portuguesa ad eternumQue grande proeza!

É natural que, no país dos Lilliputeanos, os anões se achem os maiores.

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Os membros da Academia de Ciências de Lisboa elegeram recentemente para a integrar, na área do Direito e da Ciência Política, como Correspondente Nacional, o juiz conselheiro António Santos Abrantes Geraldes.

Tal eleição, pela honra e distinção que encerra, é o reconhecimento do mérito que toda a gente não pode deixar de reconhecer a António Geraldes e, por isso, não pode deixar de encher de orgulho todos os seus amigos e certamente os seus colegas do Supremo Tribunal de Justiça.

Pelos vistos, ainda existem, em Portugal, Instituições que premeiam o mérito e a excelência.

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Santana-Maia Leonardo

(I)

Toda a gente sabe que as SAD da maioria dos clubes portugueses apenas servem para esconder uma realidade que toda a gente sabe qual é porque está à vista de todos: o domínio dos clubes dominantes e dos seus investidores sobre a maioria dos restantes clubes que funcionam como verdadeiros clubes-satélite.

Não seria mais honesto e transparente permitir que as equipas B, C e D do Benfica, Sporting e Porto disputassem a I Liga, em vez de assistirmos a esta palhaçada de se simularem putativas vendas e empréstimos de jogadores com o único intuito de injectar dinheiro e financiar o clube satélite?

(II)

Durante os últimos anos, temos ouvido Porto, Benfica e Sporting a queixarem-se de haver clubes que disputam os jogos com os três grandes com intensidades diferentes, insinuando dessa forma que as referidas equipas estariam ao serviço do "grande" contra o qual coloca menos intensidade no jogo.

Isto veio-me à memória quando li os extractos das escutas telefónicas da operação OIKOS.

E porquê? Porque das escutas telefónicas resulta que os jogadores subornados apenas deviam jogar com menos intensidade, não devendo cometer actos flagrantes que prejudicassem a sua equipa para não levantar suspeitas.

Será que em Portugal também há equipas pagas para jogar com menos intensidade contra algumas equipas? Benfica, Sporting e Porto devem saber do que se queixam certamente pelo que fazem...

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Tal como acontece com os países, enquanto as ligas ricas geram riqueza, as ligas pobres geram ricos.

E nós somos efectivamente um liga pobre que, tal como acontece com os países pobres, é dominada por uma oligarquia que enriquece, apropriando-se da matéria-prima existente no país e vendendo-a às ligas ricas, sem que a liga portuguesa, tal como os povos dos países pobres, ganhe alguma coisa com isso. Ganham os dirigentes e os intermediários mas a liga e os clubes continuam pobres e a viver na miséria.

Luís Filipe Vieira, na Liga Portuguesa, age e comporta-se como um verdadeiro José Eduardo dos Santos e Pinto da Costa como um dos generais angolanos que aspira a suceder-lhe, enquanto o povo/clubes vivem na miséria e são obrigados a viver das suas esmolas e a prestar-lhes vassalagem.

E quando ouvimos, na sua boçalidade, um auto-denominado presidente de um dos maiores clubes do mundo entusiasmar o povo com a promessa de reservar 15 milhões para a compra de um avançado, só dá vontade de rir. Das duas uma: ou o clube não é assim tão grande como o pintam ou falta um zero aos 15 milhões.

Santana-Maia Leonardo

07 Jun, 2019

Sejamos justos

Santana-Maia Leonardo

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Cristiano Ronaldo é,sem sombra de dúvida, o melhor jogador português.

Mas se a Bola de Ouro e o The Best têm apenas em conta as perfomances de cada jogador nos títulos conquistados em cada época, temos de concluir que o único jogador português com palmarés esta época para se candidatar à Bola de Ouro e ao The Best é Bernardo Silva. 

Bernardo Silva foi eleito o melhor jogador do Manchester City, precisamente o clube que bateu o record de títulos do melhor e mais competitivo campeonato do mundo. Venceu o campeonato inglês, a Taça de Inglaterra, a Taça da Liga e a Supertaça Inglesa. Além disso, foi eliminado da Champions nas meias-finais nas circunstâncias que todos viram, depois de um jogo épico e de terem falhado um penalti no jogo da primeira mão. E se Portugal está na Final Four da Liga das Nações, é, sobretudo, graças a ele, porque Cristiano Ronaldo não participou sequer nas eliminatórias.

Por sua vez, Cristiano Ronaldo, para além de ter feito alguns bons jogos, ganhou apenas a Liga italiana, o que é uma rotina para a Juventus, tendo sido eliminado da Champions, nos quartos de final pelo Ajax, e da Taça de Itália pelo Atalanta, o que significa que a Juventus fez uma época inferior às anteriores.

Santana-Maia Leonardo

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Rui Santos, na sua luta pela higienização do futebol português, resolveu lançar o Movimento pela Paz no Futebol.

Ora, como explicou Javier Tebas (na foto), presidente de Liga Espanhola, só a centralização dos direitos televisivos tem capacidade para pacificar o futebol, na medida em que coloca a competição por cima dos clubes, técnicos e jogadores.

Sem centralização, é a lei da selva porque quem conseguir melhores resultados desportivos também consegue melhores direitos televisivos. E, nestas circunstâncias, vale tudo até tirar olhos...

Com a centralização, quem compra paga mais mas não aceita que os competidores ponham em causa o produto que lhe foi vendido. COMO É ÓBVIO.

É precisamente por essa razão que, no resto da Europa, não assistimos às palhaçadas dos programas televisivos e dos departamentos de comunicação que assistimos em Portugal, ou não fôssemos o único país europeu onde não existe centralização do direitos televisivos.

Santana-Maia Leonardo

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Se acompanharam o caso dos resultados combinados no futebol espanhol, também devem ter lido sobre a principal causa apontada: os baixos salários e/ou os salários em atraso praticados pelos clubes das divisões secundárias. 

A I e II Liga inglesas e a I Liga espanhola estão, de certa forma, protegidas devido à centralização dos direitos televisivos que não só permite aumentar a competitividade e as receitas mas sobretudo porque dá a todos os clubes e jogadores meios para terem uma vida digna e não viverem em permanente estado de necessidade.

A centralização dos direitos televisivos, para além de não retirar um cêntimo de receitas aos grandes clubes, torna a competição mais atractiva, mais justa, mais equilibrada e menos permissiva à viciação de resultados.   

Ora, se isto é uma evidência, por que razão Benfica, Sporting e Porto, com o consentimento das SAD dos restantes clubes, não querem a centralização dos direitos televisivos, sendo um caso único na União Europeia?

A resposta é óbvia: porque, com a independência económica dos pequenos clubes e com os salários em dia, ficava muito mais difícil comprar jogos e subornar clubes e jogadores. Os Boaventuras, os Paulo Gonçalves, os Geraldes, os Teles, assim como todos os Apitos Dourados, Verdes e Encarnados, deixavam de ter utilidade e de fazer sentido.

Perguntam os mais ingénuos: mas se Benfica, Sporting e Porto não perdem receitas com a centralização dos direitos televisivos, por que razão se opõem à centralização, permitindo, dessa forma, que a liga portuguesa se continue a disputar fora das quatro linhas, com jogos de influências, subornos, compra de resultados e de jogadores?

A resposta é mais do que óbvia: porque a não centralização dos direitos televisivos garante, logo à partida, os lugares europeus a estes três clubes e ao Braga, sem necessidade de correrem qualquer risco com uma liga mais competitiva e equilibrada.

A corrupção existe em todos os países e nenhuma instituição está a salvo mas o que distingue os países civilizados dos países do terceiro-mundo é que, nos países civilizados, há pessoas e organizações mafiosas que são perseguidas e combatidas pelas instituições do Estado, enquanto, nos países do terceiro mundo, as instituições do Estado são a corrupção em pessoa. 

Viram qual foi a primeira decisão tomada pelo presidente do Huesca, apesar de clamar inocência? Apresentou a demissão de todos os cargos do clube. Em Portugal, por mais processos que haja, os presidentes agarram-se aos cargos como lapas porque sabem que essa é a sua única tábua de salvação. E os adeptos, como é característico dos países do terceiro-mundo, desde que o seu clube ganhe, é para o lado que dormem melhor.