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COLUNA VERTICAL



Quarta-feira, 28.08.19

Aos meus amigos benfiquistas...

Santana-Maia Leonardo

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Os meus amigos benfiquistas que me perdoem mas há coisas que eu não consigo compreender e tenho muitas dúvidas de que algum adepto de algum clube europeu consiga compreender. O problema provavelmente será meu, em virtude de ser descendente de ingleses e, como tal, ter o ADN dos ingleses na minha relação com o futebol e com o fair play.

Como já referi várias vezes, sou, desde sempre, um adepto incondicional do futebol inglês e da liga inglesa. E todos os anos não dispenso ir, pelo menos, uma vez a Inglaterra para ver, ao vivo, dois jogos da liga inglesa e viver o ambiente único e apaixonante do jogo na pátria do futebol.

O Manchester United é o maior clube inglês e um dos três maiores do mundo, juntamente com o Barça e o Real Madrid, com mais de 700 milhões de adeptos.

Todos sabemos que, ao contrário dos grandes clubes que têm outras fontes de financiamento, as receitas provenientes dos direitos televisivos são o principal sustento dos clubes com  menos expressão.

Imaginemos, agora, que o Manchester United, o Arsenal e o Liverpool, os três maiores clubes ingleses, invocando esse facto e o serem os clubes com mais seguidores em todo o mundo, se apropriassem de 80% das receitas televisivas, deixando apenas 20% das receitas para todos os outros clubes (em Inglaterra, recordo, o Manchester United recebe 1,5 vezes mais do que o último classificado e, em Espanha, o Barça recebe 2,5 mais do que o último classificado, sendo esta a maior diferença existente nos países europeus).

Imaginemos agora que a Liga Inglesa não limitava o número de jogadores por equipa e que o Manchester United, aproveitando-se do seu poderio económico e das debilidades financeiras dos restantes 17 clubes, comprava os melhores jogadores desses clubes com vista a emprestá-los posteriormente e a impedir que jogassem contra si (Isto, recordo, é proibido em Inglaterra e nos países europeus que conheço).

Imaginemos agora que todas as televisões e jornais ingleses apenas comentavam os jogos do Manchester United, Arsenal e Liverpool, impedindo a presença de qualquer comentador que não pertencesse a um destes três clubes, mesmo quando se comentavam jogos em que participavam outros clubes (em Inglaterra, não há jornais desportivos e, tal como em Espanha, todos os jogos merecem igual destaque televisivo e são comentados pelo mesmo painel de comentadores).

Imaginemos que todos os jogos do Manchester United eram transmitidos pela televisão do Manchester United e que eram comentados por árbitros, jornalistas e comentadores contratados e pagos pelo Manchester United (isto não é permitido em nenhum país do mundo).

As perguntas que gostaria de fazer aos meus amigos benfiquistas eram as seguintes:

(a)   acham que, verificando-se estas circunstâncias, havia algum sócio ou adepto do Manchester United disponível para ir assistir aos jogos do Manchester United contra pequenas equipas inglesas desfalcadas, desprotegidas e totalmente dependentes das esmolas do Manchester United?;

(b)   acham que havia algum adepto do Manchester United que fosse capaz de festejar os golos contra estas equipas, sem corar de vergonha?; e

(c)   acham que havia algum adepto do Manchester United que fosse capaz de se vangloriar das vitórias assim conseguidas, sem corar de vergonha, cantando o hino do clube: “Glory! Glory! Man United!”?

Todos sabemos a resposta. O que se passa em Portugal é uma vergonha. Mas como, por aqui, vergonha é precisamente aquilo que não existe...

O Sporting com Bruno de Carvalho também quis fazer o mesmo e o Porto também já fez o mesmo e agora só não faz mais porque não pode? Mas isso, porventura, justifica ou diminui a falta de vergonha de quem se comporta desta forma?

Portugal é um pequeno país mas, infelizmente, a ganância é precisamente uma das características mais típicas daqueles que detêm o poder neste país, seja ele qual for. Basta ler a “Peregrinação” de Fernão Mendes Pinto, o livro que melhor retrata o povo português. Quando estão na mó de baixo, não têm pejo em se rebaixar e humilhar. É “o pobre de mim!”, o coitadinho. Quando se apanham na mó de cima, não têm pena de ninguém: matam, roubam, saqueiam, sem que isso lhes pese sequer na consciência.

Por alguma razão, somos o país da Europa onde existe o maior fosso entre ricos e pobres (entre pessoas, regiões, clubes, etc.), fosso esse que, cada vez, se vai acentuando mais, à boa maneira sul-americana.

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Domingo, 25.08.19

A cláusula do Medo (Espanha) e a da Batota (Portugal)

Santana-Maia Leonardo

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Em Espanha, chamam "cláusula do medo" ou "cláusula da vergonha" à cláusula facultativa que os clubes que emprestam um jogador a outro clube podem inserir no contrato de empréstimo para os impedir de jogar contra a sua equipa. E esta cláusula é bastante depreciada, em Espanha, na medida em que revela um temor incompreensível de uma equipa jogar contra um jogador que não ficou no plantel por se considerar que ainda não tinha rodagem ou traquejo suficiente.

O Barça, recordo, perdeu o campeonato há três anos porque Munir, um canterano de la Masia que estava emprestado ao Valência, marcou o golo do empate. No entanto, não há um único sócio, dirigente ou treinador do Barça que, com base nisso, defenda a "cláusula do medo". O Barça quer jogar sempre contra os melhores jogadores das outras equipas. Ganhar contra um adversário desfalcado não honra nem dá glória. 

Mas, em Portugal, não é sequer isso que se passa. Em Espanha, os jogadores emprestados são jogadores jovens com potencial, muitos deles saídos da cantera, que precisam de jogar para desenvolver o seu potencial para regressarem à casa-mãe. Ora, não é nada disto que se passa em Portugal em que os clubes com mais poder económico contratam, por grosso, os melhores jogadores dos pequenos clubes, a maioria dos quais não têm nem idade, nem reúnem condições para aspirar sequer a poder jogar no clube-comprador, com vista a emprestá-los, desfalcando, por um lado, a equipa a quem os emprestam ou compram quando jogam contra o clube-comprador, e, por outro lado, reforçando estas equipas contra os adversários directos do clube-comprador. Para já não falar de outras dependências que se criam por esta via...

Isto não tem nada a ver com a "cláusula do medo" tão criticada em Espanha, mas com a CLÁUSULA DA BATOTA, uma especialidade bem portuguesa de adulterar as leis e os regulamentos importados dos outros países, com base no habitual chico-espertismo. E as vitórias com batota nunca são gloriosas. A não ser para os batoteiros.

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Terça-feira, 20.08.19

A cartilha da política portuguesa

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Sábado, 17.08.19

A Champions, os grandes clubes e os feirantes

Santana-Maia Leonardo

A Champions, como todas as grandes competições, é uma competição disputada pelos grandes clubes europeus que gastam fortunas para terem os melhores jogadores e pelos feirantes que lutam entre si, alguns com ofensas, a tiro e à navalhada, ou seja, à portuguesa, para conseguir o melhor lugar para a sua banca.

Para os feirantes, basta ouvi-los falar e contar as notas, a Champions não é uma competição mas uma montra onde vão expor o seu produto com o objectivo de o vender.

Este ano parece que houve um feirante que perdeu o lugar na primeira fila... e o outro que lhe ficou com o lugar já está a esfregar as mãos.

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Sexta-feira, 16.08.19

Maquiavel

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Maquivel: "Aos amigos os favores, aos inimigos, a lei."

É por essa razão que, quanto mais exigentes e rigorosas forem as leis, pior para os adversários dos governantes, autarcas e demais autoridades porque os amigos esses estão sempre tranquilos.

E, em Portugal, o excesso de leis serve precisamente para reprimir os adversários dos governantes, autarcas e demais autoridades.

É, por isso, que não consigo compreender esse apelo constante do cidadão comum a que se façam cada vez mais leis para regulamentar tudo e mais alguma coisa.

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Quarta-feira, 14.08.19

Coimbra e o poder da abstenção

Santana-Maia Leonardo - in Expresso de 16-8-2019

Basta ter em conta o impacto nacional que o boicote às eleições de uma pequena, remota e esquecida aldeia remota transmontana causa para perceber que essa é a única arma que o interior norte e o Alentejo, actualmente, dispõem para enfrentar Lisboa e fazer-se ouvir a nível nacional e internacional.

Para os residentes na cidade Lisboa-Porto, o voto é uma arma porque tem poder decisório dentro do nosso modelo grego de desenvolvimento assente na Cidade Estado; no entanto, para os residentes no Alentejo e no interior norte, o voto é absolutamente inútil e ilusório, porque não há no nosso espectro político um único partido que levante a voz contra este modelo de desenvolvimento e defenda o modelo de desenvolvimento holandês das cidades médias.

Para os residentes do Alentejo e do interior norte, só a abstenção em massa e o boicote eleitoral têm capacidade para ter impacto eleitoral, ser notícia e fazer tremer o Terreiro do Paço.

Portalegre elege, actualmente, dois deputados (um do PS e outro do PSD, seja qual for o resultado), destinados à última fila do parlamento, a não ser que sejam candidatos do partido residentes em Lisboa e impostos por Lisboa.

Se o distrito se recusasse a participar nas eleições, enquanto Lisboa não olhasse para o distrito como parte integrante de Portugal, Lisboa não tinha outro remédio a não ser olhar, porque um boicote desta dimensão teria um impacto internacional devastador para o governo.

E então se fosse o Alentejo e o interior norte, o Governo ajoelhava porque a UE teria muito dificuldade em compreender por que razão um país que recebeu tantos fundos de coesão tinha, afinal, acentuado ainda mais os graves e profundos desequilíbrios que os fundos se destinavam a corrigir. 

No entanto, face ao acelerado processo de desertificação que, tal como os incêndios, está a varrer todo o interior de Portugal, apenas Coimbra, pela sua localização fronteiriça, ou seja, junto à A1 (a verdadeira fronteira de Portugal) e pela força da sua universidade e da sua história (D. Afonso Henriques já não dorme paz), tem ainda capacidade para liderar o último e decisivo combate contra os fundamentalistas da Cidade Lisboa.   

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Terça-feira, 13.08.19

Até já, Don Andrés!

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Sexta-feira, 09.08.19

A definição de clube por Sir Bobby Robson

Santana-Maia Leonardo

"O que é um clube? É o barulho, a paixão por fazer parte dele, o orgulho na tua cidade."

Esta definição tão perfeita do que é um clube só podia ter sido feita por um dos míticos treinadores ingleses, a pátria de futebol.

E, se corrermos o mundo, não podemos deixar de concluir que foi precisamente este conceito de clube de futebol que os ingleses exportaram para todo o mundo e, sem o qual, é impossivel a existência do próprio jogo.

Por que razão, então, só em Portugal o conceito de clube foi desvirtuado, na medida em que assistimos, constantemente, de norte a sul do país, a manifestações de júbilo de portugueses com a derrota do clube que representa a sua cidade?

A explicação só pode ser uma: os portugueses nunca foram muito bons em inglês pelo que é natural que tenham traduzido mal o conceito de clube de futebol.

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Sexta-feira, 02.08.19

As ilegalidades verdadeiramente ilegais

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