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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

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Extracto do artigo de Eduardo Manzano Moreno, professor de investigação do CSIC e na Academia Global Britânica da Universidade de St. Andrews, publicado no jornal El País de 24-03-2020:

"(...) As identidades [nacionais] através dos tempos as carrega o diabo, como bem demonstram aqueles que praticam violências físicas e verbais justificando-as nos deveres sagrados e nas heróicas resistências dos seus antepassados.

Por isso, já vai sendo altura de nós, historiadores, nos deixarmos de armar em astrólogos que decifram constelações nacionais com base no passado e passarmos a ser os astrónomos que escrutinam no universo do tempo os elementos que nos trouxeram até aqui.

Talvez desta forma, fôssemos capazes de compreender que o que une as comunidades imaginárias do século XXI são os valores de solidariedade e igualdade que nunca passaram pela cabeça de nenhum dos nossos antepassados. (...)" 

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Todos nós conhecemos a história dos três porquinhos mas a maioria nunca lhe deu a devida atenção, caso contrário a história não se teria repetido tantas vezes e não se ia repetir mais uma vez.

Basta ler as redes sociais, ouvir os parceiros sociais e ver os noticiários, para constatar que a esmagadora maioria dos portugueses está convencida de que o governo português, se quiser,  consegue manter, pelo tempo que for preciso, o Serviço Nacional de Saúde a funcionar e o povo fechado em casa, garantindo-lhe os salários, pensões e subsídios. Isto apesar de António Costa ter sido absolutamente claro ao explicar que o Governo só ia conseguir aguentar os próximos três meses porque existe um grande número de portugueses a trabalhar e a arriscar a sua vida para que nada falta àqueles que ficam em casa com salário garantido. A alternativa não é entre “salvar vidas” e a “economia”, pela razão óbvia que, sem economia, é impossível “salvar vidas”. Aliás, se o importante fosse “salvar vidas”, já se tinham aberto as fronteiras da Europa aos milhões de migrantes que fogem à fome, à miséria e às doenças e que se encontram a viver em condições sub-humanas. A economia que se lixe! Ou as únicas vidas que importa salvar, afinal, são as nossas?

A COVID-19 é um autêntico terramoto que está a abalar fortemente as nossas vidas mas o tsunami que se lhe vai seguir é que vai ser verdadeiramente devastador. O Governo, no combate à pandemia, como explicou António Costa, vai gastar, nos próximos três meses, o que tem e o que não tem, bem sabendo que, a partir daqui, vai ficar nas mãos da Alemanha. Ou seja, nas mãos do odiado porquinho, com que todos gozam e todos detestam, quando o Lobo Mau está longe, mas, para onde todos os europeus correm em busca de abrigo, quando o Lobo Mau, com um sopro, deita por terra as suas frágeis e mal construídas casinhas.

Neste momento, ainda não estamos nesta fase. Neste momento, estamos na fase em que o porquinho que construiu a sua casa com palha se abriga dentro dela para se proteger do Lobo Mau. É precisamente aqui, dentro das nossas casinhas, cumprindo o estado de emergência, que nos encontramos neste momento, enquanto o Lobo Mau enche o peito de ar.

Só daqui a três meses é que o Lobo Mau vai soprar com toda a força e varrer a nossa casa do mapa. E se a Alemanha não nos abrir a porta, não temos salvação. É nas mãos da Alemanha que António Costa (e eu) deposita o destino de Portugal mas tenho receio que, desta vez, os alemães temam que a sua casa seja pequena para albergar tanta gente.

O problema, obviamente, não são os porquinhos portugueses que cabem num buraco qualquer. O problema é a Espanha, a França e, sobretudo, a Itália que ainda há bem pouco tempo, na sua imensa irresponsabilidade, ameaçava romper com a estabilidade da zona euro e sair da UE. Ou seja, países com um peso demasiado grande e, ainda por cima, pouco fiáveis para serem carregados às costas por um único país por muito grande que seja. E sem a ajuda da Alemanha, a Itália entra em bancarrota e com ela arrasta toda a zona euro, correndo o risco de fazer implodir a União Europeia. E se isso suceder… Eu preferia não estar cá para ver!

Santana-Maia Leonardo - Diário As Beiras de 31-3-2020

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O que me espanta não é o facto de governo chinês ter mandado matar o médico Li Wenliang, de 34 anos, que alertou o mundo para o COVID-19 (depois de o terem obrigado a confessar o seu comportamento "ilegal"); nem o anúncio, no final do ano, de que a China tinha a epidemia controlada; nem o perdão e a reabilitação, a título póstumo do referido médico, ao mesmo tempo que anunciavam a punição severa dos polícias que o obrigaram a confessar o seu comportamento "ilegal"; nem a exportação do vírus para todo o mundo; nem tão-pouco a manipulação dos números, proibindo o acesso aos hospitais dos infectados (conforme relatado por uma testemunha chinesa que provavelmente também já morreu acidentalmente), para que as mortes não fossem registadas como COVID-19, permitindo, assim, aos ditadores chineses apresentar a China como um exemplo mundial de sucesso no combate à pandemia e atribuir a culpa da nova vaga a casos importados. 

O que me espanta é haver gente em Portugal que acredita e divulga as patranhas propagandísticas da ditadura comunista chinesa, chegando mesmo a defender o seu modelo.

Ainda hoje a Revolução Cultural Chinesa, que matou milhões de pessoas à fome e que ficou conhecida pela Grande Fome, continua a ser apresentada pela propaganda do regime, tal como sucedeu com a Grande Purga de Estaline, como um feito épico do povo chinês.  

Mas o defeito é meu porque estava convencido de que a estupidez humana, apesar de ser infinita, como demonstrou Einstein, não era assim tão estúpida, nem tão infinita...

Mas não precisam de publicar mais posts desse tipo para me convencerem porque já estou totalmente convencido. A estupidez humana é, na verdade, qualquer coisa de sublime pela sua grandiosidade e infinitude que nos deve orgulhar a todos.

É, aliás, uma daquelas obras genuinamente humanas que, pela sua imensidade, nem Deus seria capaz de conceber ou sequer imaginar.

Santana-Maia Leonardo

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"A maior lição da vida é a de que, às vezes, até os tolos têm razão."

"A desvantagem do capitalismo é a desigual distribuição das riquezas; a vantagem do socialismo é a igual distribuição das misérias."

"O pessimista vê dificuldade em cada oportunidade; o optimista vê oportunidade em cada dificuldade."

"Na política, a verdade é tão importante que tem de vir rodeada de uma escolta de mentiras."

"Não há mal nenhum em mudar de opinião. Contando que seja para melhor."

"A democracia é o pior sistema político, exceptuando todos os outros."

"Uma mentira dá uma volta inteira ao mundo antes mesmo de a verdade ter oportunidade de se vestir."

"Vivemos com o que recebemos, mas marcamos a vida com o que damos."

"O sucesso é ir de fracasso em fracasso sem perder entusiasmo."

"Estou sempre disposto a aprender, mas nem sempre gosto que me ensinem."

"Todas as grandes coisas são simples. E muitas podem ser expressas numa só palavra: liberdade; justiça; honra; dever; piedade; esperança."

"A política é quase tão excitante como a guerra e não menos perigosa. Na guerra a pessoa só pode ser morta uma vez, mas na política diversas vezes."

"Nós estamos com a Europa, mas não somos da Europa."

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(...) [César Renduales, professor de Sociologia da Universidade Complutense] está convencido que a nossa cultura é adultocêntica: "À pobreza nas políticas de infância soma-se uma sociedade onde as crianças o único que podem fazer é não incomodar. E a isso se junta quem decide os decretos: não é o mesmo viver num piso interior de 40 m2, terreno fétil para a violência e o stress, do que numa vivenda de 200 metros com jardim."  (...)

Extracto da reportagem de Beatriz Lucas publicada no jornal el País de 24-03-2020

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Extractos de um excelente artigo do escritor italiano de Antonio Scurati publicado no jornal El País de 24-03-2020:

"Fomos a geração mais afortunada da história da humanidade. (...) Fomos guerreiros de salão, banhistas em praias de migrantes e o pânico é a nossa patologia mais típica.  (...)

Ao contrário da geração dos nossos pais e avós, nós não conhecemos a guerra nem a política como sentimento de pertença a um destino comum. Com a crise do cronovírus chegou o nosso momento (...)

A julgar por certas situações vergonhosas, alguém diria que a nossa afortunadíssima geração, quando chegou o momento de pôr à prova o seu grau de maturidade, só parece ser capaz de reagir com actos de pânico (fugas precipitadas em comboios nocturnos desde as cidades afectadas do norte até ao sul de Itália, apesar de se ter decretado as medidas de confinamento) ou de irresponsabilidade (...). Não consigo resignar-me a acreditar que seja assim. Devemos admitir que chegámos até aqui sem a experiência do que sempre definiu a condição humana: a plena consciência da nossa mortalidade, a lúcida e plena consciência de que a vida e a morte serpenteiam juntas por caminhos complementares, contíguos e de igual importância.

Por outras palavras, fomos um geração apolítica. Transeuntes solitários por caminhos em busca da felicidade individual, não conhecemos a política como sentimento de pertença a um destino comum. Pois bem, não nos resta outro remédio do que descobri-lo agora. E devemos aprender depressa. (...)"

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"O medo aumenta as probabilidades de se tomar uma decisão errada."

"Não é saudável estar bem adaptado a uma sociedade profundamente doente."

"Só um indivíduo que não está adaptado na sociedade pode infuenciá-la de maneira fundamental." 

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É extraordinário como pessoas aparentemente inteligentes ainda defendam a importância de debater publicamente certos temas, antes de tomar as decisões, seja a Eutanásia, o período de quarentena ou o estado de emergência.

E não posso deixar de voltar à metáfora do futebol, a única que a maioria dos portugueses presta atenção (ainda que poucos a entendam), para comentar esta questão.

Quando os únicos debates que têm audiência em Portugal são os debates diários de comentadores fanáticos do Benfica, Sporting e Porto em todas as televisões portuguesas, simultaneamente, promovidos por gente que prima pela (pouca) inteligência, independência e educação, qualquer pessoa com dois dedos de testa fica esclarecido sobre o nível de boçalidade intelectual de uma maioria significativa de portugueses para debaterem com um mínimo de conhecimento e inteligência o que quer que seja.

E não vale a pena o leitor ficar ofendido comigo porque os shares de audiência destes programas não mentem.

E quando falo da estupidez generalizada que se revela nas grandes audiências desse tipo programas desportivos (se é que se podem chamar "programas" e "desportivos"), não me estou a referir àquele grupo de gente sem escolaridade que não sabe ler, nem escrever.

Bem pelo contrário.

Tal como dizia Bertrand Russell (e o caso português é uma evidência), «Os homens nascem ignorantes, não estúpidos. Eles tornam-se estúpidos pela educação.»

Santana-Maia Leonardo

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