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COLUNA VERTICAL

"A coragem é a primeira das qualidades humanas porque garante todas as outras.." (Aristóteles)

COLUNA VERTICAL

"A coragem é a primeira das qualidades humanas porque garante todas as outras.." (Aristóteles)

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O que este caso vem pôr em causa não é o juiz mas a justiça portuguesa, enquanto instituição.

Aliás, o simples facto de Benfica e Porto se degladiarem na praça pública, através das suas empresas de comunicação, comentadores e apaniguados nas redes sociais, transformando processos judiciais em autênticos jogos de Benfica - Porto, com as habituais suspeições de viciação do sorteio dos árbitros e da sua idoneidade, é sintomático do estado gravemente doentio da sociedade portuguesa e de todas as suas instituições, designadamente da justiça portuguesa. E seja qual for a decisão, ela nunca será respeitada porque está ferida de morte.

Analisemos alguns aspectos deste caso que são bem reveladores da gravidade doença, doença essa que já não tem cura. Quando se deixam as metástases de um tumor maligno se espalharem, a seu bel prazer, por todos os órgãos da República Portuguesa, é impossível salvar o doente. Se é que ainda está vivo... Pelo cheiro nauseabundo, o mais certo é o doente já ter morrido...

PONTO UM - Quem escolhe ser juiz tem de ter recato e discrição. Nada o impede de ter as suas simpatias. Mas tem de ter distanciamento da política, dos clubes, etc etc. Quem quer ter vida pública e expor-se no Facebook como um adepto fanático de um clube de futebol, de um partido ou de uma religião, não pode ser juiz.

PONTO DOIS - O CSM tem de perceber que a respeitabilidade da instituição depende das garantias de imparcialidade e isenção do julgador pelo que devia ter aceitado o pedido de escusa com base na argumentação do juiz que ficou exposto de forma absolutamente gratuita. Não é o facto de um juiz ter uma simpatia clubística que vai pôr em causa a sua honestidade profissional, da mesma forma que muitos professores são capazes de avaliar com rigor os seus próprios filhos. Mas, quer na justiça, quer nas avaliações, é importante que o decisor não esteja condicionado na sua liberdade de decisão, até para evitar que, para demonstrar a sua honestidade, seja demasiado exigente com a parte com que tem ligações afectivas, acabando por prejudicar quem ama.

PONTO TRÊS - Finalmente, o presidente do Benfica (que, PASME-SE, ainda não se demitiu, nem os sócios sequer exigiram a sua demissão) está envolvido, através do seu braço direito, num processo de corrupção de funcionários judiciais e é arguido num processo de corrupção a um juiz também ligado ao Benfica, a troco de um lugar no Benfica, juiz este que já foi expulso da magistratura, na sequência do processo disciplinar que lhe foi levantado com base nestes factos. Neste processo, veio a público que existia uma rede que manipulava a distribuição de processos no Tribunal da Relação de Lisboa e que envolve mais juízes e funcionários. Ora, o facto de o juiz Paulo Registo, adepto confesso e apaixonado pelo Benfica, ter sido sorteado para dois casos directamente relacionados com o Benfica (quando se fala no Rui Pinto em Portugal são os próprios benfiquistas que o relacionam com os emails do clube), não significa que tenha havido viciação do sorteio. Mas a verdade é que isto chegou a um ponto tal que já ninguém acredita em coincidências, uma vez que a justiça portuguesa está, neste momento, sob suspeita e precisamente por causa de funcionários judiciais, magistrados e dirigentes do Benfica, mais precisamente o seu Presidente.

Resumindo: não basta a mulher de César ser séria, é preciso parecê-lo. Quanto ao PARECER, não parece; e, quanto ao SER, já toda a gente tem legítimas e fundadas dúvidas. E o pior de tudo é quando uma instituição perde a sua credibilidade... porque, depois de perdida, NUNCA MAIS A RECUPERA.

Santana-Maia Leonardo

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O povo português residual, que é largamente maioritário em Portugal, tem uma marca que o distingue dos restantes portugueses, a maioria dos quais reside e trabalha no estrangeiro: apenas aceita partilhar aquilo que é dos outros.  

O povo português residual é descendente dos cortesãos e parasitas que se amontoavam nas praias de Lisboa, cheios de medo do mar sem fim, à espera da chegada das naus com as especiarias, o ouro do Brasil e, mais tarde, as divisas dos emigrantes com que matavam a fome e proclamavam o orgulho de ser português, como se, para tal, tivessem dado algum contributo, para além de darem ao dente. 

Santana-Maia Leonardo

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«Nunca lutes com um porco. Primeiro, porque ficas sempre sujo e, segundo, porque o porco gosta.»

«A democracia é um mecanismo que garante que nunca seremos governados melhor do que aquilo que merecemos.»

«Quem sabe faz, quem não sabe ensina.»

"Liberdade significa responsabilidade, é por isso que a maioria das pessoas a teme."

"A democracia muitas vezes significa o poder nas mãos de uma maioria incompetente."

"É impossível haver progresso sem mudança, e quem não consegue mudar a si mesmo não muda coisa alguma."

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O Benfica e o Sporting são de Portugal como são todos os clubes portugueses. E é precisamente isto que os alfacinhas não entendem: Lisboa é Portugal, tal como todas as cidades portuguesas, mas Portugal não é Lisboa.

O Barça e o Madrid são clubes com dimensão mundial e implantação em todo o mundo com mais de 300 milhões de adeptos mas não são o Mundo. Independemente do número de adeptos e da sua implantação nacional ou mundial, um clube desportivo está vinculado à cidade onde tem a sua sede social, o estádio e onde festeja os seus títulos.

Quando o Benfica ou o Sporting ganham um título é o presidente da câmara de Lisboa que recebe a equipa para celebrar mais uma conquista da cidade de Lisboa e não é o Presidente da República nem o presidente da câmara de Portalegre ou de Bragança.

E porquê? Porque o Benfica e o Sporting, na liga portuguesa, são não só um clube de Lisboa como representam a cidade de Lisboa. Se fossem campeões europeus, já seriam recebidos pelo presidente da Câmara de Lisboa e pelo Presidente da República.

E porquê? Porque, neste caso, apesar de continuarem a ser clubes de Lisboa (daí continuarem a ser recebidos pelo presidente da câmara de Lisboa), são também representantes de Portugal na Liga dos Campeões (daí serem recebidos pelo Presidente da República).

Qualquer pessoa de qualquer país do mundo percebe isto, excepto os portugueses, formatados desde o berço a não questionar que Portugal é Lisboa.

E a verdade é que Benfica e Sporting desempenharam um papel ímpar nesta estratégia ao longo do último século, bebida pelo Estado Novo em Benito Mussolini, o primeiro político que percebeu a importância do futebol na manipulação das massas populares, ao inculcarem na tola dos portugueses que a única, verdadeira e genuína rivalidade portuguesa é entre os dois clubes de Lisboa.

O Sporting de Lisboa, o Sporting de Gijón ou o Sporting de Braga são clubes com a mesma dignidade, independentemente do seu tamanho, dos seus orçamentos ou da sua implantação nacional ou mundial.

Acontece que a esmagadora maioria dos portugueses aceita, com naturalidade, essa supremacia de Lisboa sobre as suas próprias terras e concelhos como se Lisboa e os seus clubes mais representativos fossem o Vaticano e as autarquias e os clubes das suas terrinhas, de que eles tanto gostam, fossem capelinhas onde os devotos anseiam que os Senhores de Lisboa (Presidente da República, do Governo, do Benfica ou do Sporting) ali vão, de vez em quando, em procissão para serem adorados e bajulados pelo povo humilde e crente.

Tal como Eça de Queiroz, abomino esta forma doutrinária e religiosa de fazer política, ao serviço da qual está o futebol português, e que é difundida, permanentemente, pela comunicação social de Lisboa. E é precisamente por esta razão que eu não sou português. Deus me livre!

Nota: o único alentejano de merda que eu conheço sou eu. Os outros são todos do Benfica ou do Sporting de Lisboa.

Santana-Maia Leonardo

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É extraordinário como a classe política portuguesa é mais reconhecida e devota da Revolução que lhe garantiu o estado de excepção em que sempre viveu do que os cristãos e a Santa Madre Igreja a Cristo e à Ressurreição, ao ponto de os primeiros não deixarem de celebrar o 25 de Abril, enquanto os segundos encerraram voluntariamente as igrejas na Páscoa.

Pelos vistos, os únicos que acreditam em milagres são os crentes da política portuguesa...

Por isso, não podem perder a missinha do 25 de Abril que lhes deu tantas mordomias... Um verdadeiro milagre!

Santana-Maia Leonardo

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Os assuntos de carácter científico não os discuto porque sou um ignorante.

Relativamente às decisões de carácter político, em caso de pandemia, cumpro-as, sempre com algum cepticismo por serem políticas logo muito falíveis, porque, quer seja numa guerra, quer seja numa calamidade pública ou pandemia, o pior que pode acontecer é a anarquia, o salve-se quem puder, cada um fazer o que acha e não se obedecer à cadeia de comando.

Agora o que eu espero da comunicação social, em qualquer circunstância, é que ela não aceite ser passeada à trela pelo poder politico e, muito menos, ser o Pravda do regime. Ora, quem lê a imprensa estrangeira como eu e quem vai frequentemente ao estrangeiro como eu, não pode deixar de estranhar esta forma estranhamente laudatória como a nossa comunicação social se comporta relativamente ao poder seja ele qual for.

Aliás, acontece frequentemente o seguinte: qualquer crítica que atinja Portugal ou é omitida ou é deturpada, tal como fazia o Pravda, para unir mais os portugueses contra o inimigo estrangeiro; os elogios a Portugal, a maioria dos quais tem a sua fonte na própria imprensa portuguesa, são transcritos omitindo-se a fonte como se a mesma fosse estrangeira.

Resumindo: a comunicação social de Lisboa é um autêntico boletim municipal do Governo, limitindo-se a reproduzir em tom épico, tal como fazem os pasquins dos municipios deste país, os feitos do senhor presidente da Câmara. Neste caso, suas Excelências os irmãos Dupond e Dupont.

Desculpem, vou ter de interromper, porque tenho de ir vomitar....

Santana-Maia Leonardo