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COLUNA VERTICAL

"A coragem é a primeira das qualidades humanas porque garante todas as outras.." (Aristóteles)

COLUNA VERTICAL

"A coragem é a primeira das qualidades humanas porque garante todas as outras.." (Aristóteles)

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A bola tanto pode educar como deseducar. O desporto, assente na cultura do fair play, do respeito pelo outro, da superação e do mérito e do gosto pela competição, não só educa como é essencial na formação de cidadãos. O desporto assente na cultura da ganância, da batota, do ganhar de qualquer jeito, do fanatismo e do espírito de cruzada não só destrói o cidadão como o transforma numa besta.

Desafio, por isso, o leitor a fazer um pequeno teste para avaliar o seu grau portuguesismo futebolístico.

Num corrida de Corta-Mato, o queniano Abel Muttai, que estava a poucos metros da meta, pensou que já havia concluído a prova, quando ainda faltavam alguns metros. O espanhol Iván Anaya, que vinha em segundo lugar, apercebendo-se do erro do queniano, começou a gritar para que o queniano continuasse a correr, mas Muttai não entendia o que o colega dizia. O espanhol, em vez de o ultrapassar e vencer a corrida, resolveu empurrar o queniano para a vitória.

No final, um jornalista perguntou a Iván por que razão deixou ganhar o queniano. E Iván respondeu-lhe: "Eu não o deixei ganhar, ele ia ganhar." O jornalista insistiu: "Mas o senhor podia ter ganhado!" E Iván respondeu-lhe aquilo que devia ser óbvio para toda a gente: "Mas qual seria o mérito da minha vitória? O que é que a minha mãe iria pensar se eu ganhasse desse forma?

Escolha agora apenas uma das quatro hipóteses:

(1)  O espanhol Iván Anaya agiu correctamente e eu fazia mesmo.

(2)  Apesar de valorizar o comportamento ético do espanhol Iván Anaya, eu não iria perder a oportunidade de vencer a corrida. O etíope enganou-se, paciência! A culpa não era minha.

(3)  O espanhol é um tótó. Eu fazia o mesmo, mas era o caraças!

(4)  Eu fazia o mesmo mas era o caraças! Mas, neste inquérito, vou dizer que escolho a primeira hipótese para pensarem que eu sou uma pessoa íntegra e honesta.

Resultado do teste:

Se escolheu a hipótese 1., não é português de certeza absoluta. Pode ter nascido em Portugal, mas, nas suas veias, não corre uma gota de sangue lusitano.

Se escolheu a hipótese 2., é um português aculturado. Ou seja, é descendente de estrangeiros que se fixaram em Portugal e se adaptaram aos nossos costumes.

Se escolheu a hipótese 3., muitos parabéns: é um português dos pés à cabeça. E, nessa cabecinha, todas as células foram fabricadas made in Portugal e com materiais genuinamente portugueses.

Se escolheu a hipótese 4., é um português de corpo inteiro nascido para a vida política. E se quer chegar ao mais alto cargo do Estado, deve começar já a treinar em casa, a pôr condecorações em série, ao mesmo tempo que repete, em frente ao espelho e sem se deixar rir, que os portugueses são os melhores dos melhores.

Santana-Maia Leonardo - Diário As Beiras de 5-6-2020

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A reabilitação do Estado Novo e da figura de Salazar é uma evidênvia (clicar sobre a foto para ler a notícia), basta ter em conta o cada vez maior número de pessoas que fala, de forma positiva, de Salazar e que defende políticas iliberais, patrióticas e nacionalistas.

E quanto à irracionalidade de grupo típica dos regimes totalitários (onde se incluem os regimes comunistas), basta ler os posts das redes sociais, ouvir um telejornal, ler os jornais ou ouvir os comentadores, designadamente quanto ao COVID-19, para constatar que a mesma se mantém praticamente intacta, como se não tivesse havido sequer o 25 de Abril.

Portugal é FORMALMENTE uma democracia liberal e um Estado de Direito, da mesma forma que os ciganos frequentam formalmente a escola pública, com vista exclusivamente a alcançar o mesmo objectivo: receber os subsídios. Portugal para receber os fundos de coesão da UE e os ciganos para receber o RSI. Mas nem os portugueses, nem os ciganos passaram a pensar e a agir de forma diferente.

Na hora de pedinchar, é a mesma lamúria de sempre, do coitadinho, do desgraçadinho, "ai! minha senhora, tenha pena de nós que os holandeses sã tã maus"; quando se apanham com o dinheiro, é roubar até dizer chega, se bem que os ciganos, neste aspecto, roubem muito menos e tenham muito mais consideração pelos seus.

Aliás, até é ofensivo comparar os roubos dos ciganos com o roubo dos legítimos representantes dos portugueses: enquanto os ciganos praticam o tipo de roubo artesanal de pesca à linha, os legítimos representantes dos portugueses praticam o roubo industrial de pesca de arrasto.

Santana-Maia Leonardo