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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

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A corrupção em Portugal é endémica, estrutural e sistémica. O poder assenta numa espiral de corrupção que vai da base até ao topo. Todos os empregos e concursos públicos na mais remota freguesia até aos lugares cimeiros da Administração Central do Estado são conseguidos através de esquemas de amiguismo, compadrio e troca de favores, sob uma capa de aparente legalidade que encobre a batota generalizada. "Everybody knows"...

Por isso, todos os governos portugueses se recusam a aprovar a legislação europeia mais eficaz na luta contra a corrupção, invocando putativas inconstitucionalidades e direitos humanos, porque sabem que, se essa legislação fosse aprovada e aplicada, Portugal desmoronava-se.

Assim, preferem ir aprovando medidas que criem a ilusão de que se combate a corrupção, seguindo o mito de Sísifo: quando estão quase a ser presos, surge mais um recurso ou uma inconstitucionalidade ou uma falha do MP ou uma nova lei e volta tudo ao princípio.

Santana-Maia Leonardo - Diário As Beiras de 6-7-2020

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O turismo tem muito de conjuntural e de modas. Basta o Egipto, a Tunísia e a Turquia recuperarem a confiança e voltam a ser destinos preferenciais. E Portugal, como sempre, não aproveitou o boom do Turismo para levar a cabo reformas essenciais para se tornar num destino turístico de qualidade (clicar sobre a foto para ler a notícia).

Aqui funcionamos desta maneira: se a carne de porco passa a ser muito procurada, toda a gente passa a produzir carne de porco até ao momento em que o preço baixa e vão todos à falência. Típico de um povo sem organização que se move exclusivamente por inveja e ganância. O resto do tempo é passado a choramingar de mão estendida por não ter sorte nenhuma...

Aproveitem para ler "A Peregrinação" de Fernão Mendes Pinto que é o livro que retrata na perfeição o nosso povo e não Os Lusíadas que retrata o povo que Camões gostaria que nós fôssemos, mas infelizmente não é, como o próprio reconhece nas instâncias finais do Canto X.

Santana-Maia Leonardo

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O presidente da câmara de Lisboa respondeu ao presidente da câmara de Ovar com a mesma arrogância com que os presidentes do Benfica e do Sporting tratam os presidentes dos clubes de província (é este o termo, não é?), quando algum destes tem a ousadia de reclamar igualdade de tratamento. E o argumento é da mesma natureza: Lisboa é Portugal, tal como Benfica e Sporting são clubes nacionais, enquanto os outros municípios e clubes são os pequenos clubes e municípios de província, devendo a sua mísera existência e a sua sobrevivência exclusivamente a Lisboa e aos clubes de Lisboa.

Até o Porto, a segunda cidade portuguesa, é tratada com desdém por Lisboa, sendo Lisboa a capital europeia mais açambarcadora de sedes nacionais da Administração Central do Estado, de órgãos de soberania, de institutos e organismos públicos, de bancos e de órgãos da comunicação social. O próprio FC Porto é tratado depreciativamente como clube regional, como se fosse necessário ter sede em Lisboa para ter dimensão nacional.     

Que os lisboetas pensem e se comportem desta forma, não estranho! Essa tem sido sempre a sua imagem de marca. Lisboetas e alfacinhas, saliente-se, não são sinónimos. Alfacinha é uma pessoa que nasceu em Lisboa; lisboeta é uma pessoa que se considera mais do que as outras, só porque vive ou foi viver para Lisboa, como é precisamente o caso de Fernando Medina que nasceu no Porto e foi viver para Lisboa.

O que eu estranho, me indigna e escandaliza é a passividade humilhante e subserviente dos residentes do Condado Portucalense, perante a arrogância, a insolência e a prepotência contínua e sistemática dos governantes do Reino de Leão e Águias.

Ora, esta era precisamente a altura de os residentes no Condado Portucalense mostrarem a raça de que são feitos (ou será que são da raça rastejante?) e imporem um cerco sanitário à Região de Lisboa, não tanto para conter o surto da COVID-19, mas sobretudo para impedir que os fundos de coesão que vão chegar de Bruxelas, sejam, de novo, açambarcados pelos Xerifes de Nottingham que governam o Reino de Leão e das Águias desde o Terreiro de Paço e do Largo do Município.

Santana-Maia Leonardo Diário As Beiras de 29-7-2020

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Eu não só não sou racista como vivi toda a minha infância com o desgosto de não ser preto.

Nasci em Setúbal, onde vivi até aos 9 anos, e, como praticamente todos os meus amigos, o único sonho da minha vida era ser jogador de futebol.

Naquele tempo, o meu clube e os dos meus amigos era naturalmente o Vitória e os meus ídolos eram Jacinto João, José Maria e Conceição. Três pretos.

Depois, olhava para o principal rival do Vitória e os melhores jogadores eram Eusébio e Coluna. No Belenenses, o rei era Matateu. O melhor jogador do mundo era Pelé. Todos pretos.

Ora, não era preciso ser muito inteligente para tirar esta ilação óbvia: os pretos, futebolisticamente falando, que era o único que me interessava, eram uma raça muito superior à dos brancos, fazendo com que eu atribuísse as minhas carências técnicas ao facto de ser branco.

Além diso, cresci com o mau pai a tratar a Rita Cigana por mãe cigana, por ter sido ela que o amamentou, em virtude de a minha avó ter morrido no parto.

Ora, tendo crescido com uma avó cigana e com o desgosto de não ser preto, como é que eu podia ser racista? 

Não só não sou racista como não sou nacionalista.

As nacionalidades são um conceito recente inventado pelos historiadores do séc. XIX, com base em fragmentos avulsos recolhidos no passado que, no tempo em que ocorreram, não tinham o significado que eles lhe atribuíram e que serviram para fundamentar a irracionalidade nacionalista que foi a principal responsável pelos grandes conflitos mundiais do séc.XX.

Concordo, por isso, em absoluto com Eduardo Manzano Moreno, professor de investigação do CSIC e na Academia Global Britânica da Universidade de St. Andrews, quando afirma que é o diabo que tem carregado as identidades nacionais, através dos tempos, "como bem demonstram aqueles que praticam violências físicas e verbais justificando-as nos deveres sagrados e nas heróicas resistências dos seus antepassados.

Por isso, já vai sendo altura de nós, historiadores, nos deixarmos de armar em astrólogos que decifram constelações nacionais com base no passado e passarmos a ser os astrónomos que escrutinam no universo do tempo os elementos que nos trouxeram até aqui. 

Talvez desta forma, fôssemos capazes de compreender que o que une as comunidades imaginárias do século XXI são os valores de solidariedade e igualdade que nunca passaram pela cabeça de nenhum dos nossos antepassados. (...)" 

Santana-Maia Leonardo

 

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