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COLUNA VERTICAL

"A coragem é a primeira das qualidades humanas porque garante todas as outras.." (Aristóteles)

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"A coragem é a primeira das qualidades humanas porque garante todas as outras.." (Aristóteles)

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O que se está a passar com o Desportivo das Aves, desde os jogadores e técnicos com salários em atraso há várias meses, passando pela conta-corrente com o Benfica exposta pelo jornal Público e terminando na pouca transparência da SAD, é a ponta visível do iceberg que é a Liga portuguesa.

Na expansão, globalização e comercialização das diferentes ligas europeias de futebol, sejam as ligas nacionais, sejam as competições de clubes da UEFA, houve um factor absolutamente determinante que mudou o rumo da história e da indústria do futebol: a centralização dos direitos televisivos.

A centralização dos direitos televisivos permitiu, por um lado, que as ligas europeias pudessem ser vistas e seguidas em todo o mundo e, por outro, que se tornassem cada vez mais competitivas e, consequentemente, cada vez mais  atractivas, ao dotar os clubes pequenos e médios de meios próprios que lhes permitem construir equipas fortes, competitivas e com independência económica.

Os grandes clubes europeus têm outras fontes de financiamento: publicidade, merchandesing, sócios, parcerias, vendas de lugares no estádio, etc. etc. Mas os clubes pequenos e médios dependem exclusivamente da repartição dos direitos televisivos. E, apesar de se saber que o elevado valor da Liga espanhola depende exclusivamente de Messi, como recentemente referiu Tebas, presidente da Liga espanhola, a verdade é que o Barça, que tem o plantel mais caro do mundo e paga a Messi, recebe apenas 2,5 vezes mais do que o último classificado da liga espanhola. E na Liga inglesa o United recebe apenas 1,3 vezes mais do que o último classificado. Mas é precisamente, por isso, que as ligas espanholas e inglesas se tornam atractivas para o mundo inteiro.

Acontece que a liga portuguesa, em vez de acompanhar o movimento europeu da centralização dos direitos televisivos que revolucionou a indústria do futebol, permitiu que o Benfica, seguido pelo Sporting e o FC Porto, boicotassem esta reforma absolutamente estruturante do futebol europeu, asfixiando economicamente os clubes pequenos e médios e satelizando-os.

Com efeito, sem a centralização dos direitos televisivos, os clubes portugueses pequenos e médios não têm viabilidade económica, vivendo das esmolas do Benfica, Sporting e FC Porto que açambarcaram tudo: as receitas geradas pelo futebol, os jogadores, os adeptos e os comentadores desportivos. Só o Benfica, segundo o Público, tem quase 300 jogadores contratados e, segundo o estudo da Uefa, Benfica, Sporting e Porto têm a totalidade dos adeptos portugueses (95%).

Ou seja, sem a centralização dos direitos televisivos, os pequenos e médios clubes vivem na dependência total dos três grandes que os ajudam a pagar as contas, através da compra de resultados desportivos e de votos nas Assembleias da Liga, da compra de jogadores que não precisam, de contratos de empréstimo de jogadores e de pagamento de comissões aos administradores. Além disso, jogadores com vários meses de salários em atraso são presa fácil para quem os quiser subornar. Como é óbvio. E é precisamente para os pagamentos em numerário que existem os sacos azuis. Até os adeptos e dirigentes dos clubes pequenos e médios são dos três grandes. Tal não é a miséria!… Até os adeptos têm de ser emprestados para que os clubes pequenos e médios possam existir.

Santana-Maia Leonardo - Diários As Beiras de 28-7-2017

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O célebre caso das "30 oliveiras", denunciado por mim e Belém Coelho quando éramos vereadores da câmara de Abrantes e que acabou por ter impacto a nível nacional, em todos os órgãos de comunicação social, é o retrato perfeito da política portuguesa.

Dir-me-ão que, nos outros países, também há quem utilize mal os dinheiros públicos. Nisso estamos todos de acordo. Mas a questão não é essa. O que nos distingue dos países civilizados é que o mau uso dos dinheiros públicos em Portugal, em vez de levar à demissão ou penalizar eleitoralmente quem o faz, pelo contrário, ainda lhe dá mais votos e é o caminho mais curto para ascender a cargos governativos.

É, por esta razão, que a UE tem de ter sempre "um olho no burro e outro no cigano" quando entrega dinheiro a esta gente. Se bem que os ciganos sejam gente bem mais confiável, quer na forma como gerem o dinheiro que se lhe dá, quer naquilo que dizem...

Deixo-vos aqui a minha intervenção, na reunião da Câmara de Abrantes de 22 de Julho de 2013 (a penúltima intervenção sobre este tema), com a ressalva de que eu, actualmente, não tenho nem filiação partidária, nem cor partidária. Aliás, pelo conhecimento que tive da forma como se faz política em Portugal fiquei, literalmente, sem cor. 

Pedido de esclarecimento dos vereadores eleitos pelo PSD na reunião da Càmara de Abrantes de 22 de Julho de 2013 (clicar sobre a foto para ler a intervenção na íntegra)

AS 30 OLIVEIRAS DO CENTRO ESCOLAR DE ALFERRAREDE

Se a compra das 30 oliveiras por 60.000,00€ já nos parecia um absurdo, a notícia na Rede Regional de 28-6-2013 (que transcrevemos em seguida) sobre a identidade do vendedor deixou-nos em estado de choque:

«A Câmara Municipal de Abrantes gastou mais de 60 mil euros na compra de 30 oliveiras para colocar no recinto do novo centro escolar da freguesia de Alferrarede. Feitas as contas, cada árvore que enfeita o recreio da escola básica Maria Lucília Moita, inaugurada com pompa e circunstância a 1 de junho de 2012, dia mundial da criança, vai custar mais de 2 mil euros ao erário público. Tudo somado, são mais de 12 mil contos em moeda antiga, em árvores adquiridas por ajuste direto a uma empresa da família do presidente da Câmara de Proença-a-Nova, João Paulo Catarino, eleito pelo PS, tal como o executivo abrantino.

A informação é pública e pode ser consultada no portal "BASE.gov". A 16 de Abril de 2013, a Câmara de Abrantes adquiriu por ajuste direto "30 oliveiras centenárias" por 50.950 euros, mais IVA, à empresa Aeroflora, Lda., com sede em Proença-a-Nova, distrito de Castelo Branco.»

A senhora presidente pode dar todas as explicações do mundo, mas não esperará certamente que os vereadores do PSD sejam tão ingénuos que acreditem em histórias da Carochinha. Até porque a senhora presidente sabe bem, por experiência própria, que, com os actuais vereadores do PSD, nunca pôde contar com a histórica conivência e a fingida ingenuidade do PSD de Abrantes, pelo que terá de guardar essas histórias para uma próxima oportunidade.

"Em política, o que parece é". Por isso, nesta parte, dispensamos-lhe qualquer explicação em virtude de a mesma ser, para nós, demasiado óbvia para suscitar qualquer pergunta.

Basta, aliás, comparar os 14 mil euros que custaram os dois parques infantis com os 60 mil euros que custaram as 30 oliveiras.

Acontece que, na reunião em que a senhora presidente confirmou a aquisição das valiosas oliveiras, disse uma coisa que, aliada ao teor desta notícia, fez tocar, dentro de nós, uma sineta de alarme.

Disse a senhora presidente que a aquisição das oliveiras «se incluem no financiamento ao projeto do centro Escolar de Alferrarede» (acta nº13/2013 - fls.7).

Ora, nós temos a certeza de que a aquisição das oliveiras não fazia parte do projecto inicial que foi aprovado em reunião de câmara, o que significa que, para estar incluído no projecto, teve de haver uma reprogramação financeira de todo o projecto quando o centro escolar já estava concluído.

É bom não esquecer que o Centro Escolar foi inaugurado em 1 de Junho de 2012, a “Construção do Arruamento Envolvente ao Centro Escolar de Alferrarede, entre a Avenida Dr. Mário Soares e a Rua Prof. Dr. Raimundo Mota - Abrantes", foi adjudicada em 18 de Janeiro de 2012 e as oliveiras foram adquiridas por ajuste directo em 16 de Abril de 2013, o que significa que, se houve uma reprogramação financeira do projecto foi para se ir buscar mais dinheiro, sem necessidade, para gastar inutilmente (do ponto de vista da câmara e do interesse público, obviamente), designadamente, numas oliveiras de uma empresa que pertence ao pai do presidente da câmara de Proença-a-Nova (?!...)

Sendo certo que, se isto foi verdade, custa-nos muito a acreditar que a Câmara Municipal de Abrantes tenha agido sozinha.

Não queremos estar aqui a fazer juízos de intenção, mas queremos ser esclarecidos para podermos dormir com a consciência tranquila de quem cumpriu a sua obrigação de velar pelo bem público.

Ver Secção II do DOSSIÊ IX: Zona Centro