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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

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Segundo consta, os portugueses são, simultaneamente, os europeus que têm maior percepção da existência de corrupção e os que têm mais dificuldade em apontar casos concretos. Esta aparente contradição leva os detentores do poder e os seus acólitos a concluir que a corrupção em Portugal é mais aparente e pontual do que real e generalizada.

Ora, a razão por que os portugueses se recusam a indicar casos concretos é precisamente pelo facto de a corrupção em Portugal ser generalizada, estrutural e endémica. Como não me canso de repetir, Portugal não é um Estado de Direito. Portugal é um Estado de Direito Livre onde quem detém o poder tem à sua disposição uma panóplia de instrumentos legislativos extremamente violentos e repressivos destinados a perseguir e reprimir todos aqueles que não se conformam com  a rede de corrupção que controla e gere o nosso país. Quem tiver a ousadia de enfrentar esta gente em campo aberto e de rosto descoberto tem a vida desgraçada. Basta tão-só a quem detém o poder aplicar a lei de forma selectiva e implacável.

Não é, por acaso, que os portugueses são do Benfica, Sporting e Porto. Os portugueses escolhem sempre as árvores que dão sombra. Aqui valoriza-se sempre o resultado e não os métodos utilizados. E, neste contexto, a corrupção é sinónimo de poder.

Quando fui vereador, como já aqui contei, tendo tido conhecimento de que os concursos de pessoal da câmara estavam viciados (os candidatos a quem se destinavam os lugares ou tinham acesso às provas antes de se realizarem, ou eram os autores da própria prova, ou podiam corrigi-la depois da mesma se ter realizado), apresentei queixa no Ministério Público, tendo apresentado documentos comprovativos e testemunhas.

Passado pouco tempo, fui chamado, pensava eu, para prestar declarações. Enganei-me. Fui chamado para me comunicarem que, relativamente aos concursos de pessoal, o processo ia ser arquivado, porque todas as câmaras faziam o mesmo.

Podia contar aqui outros casos ainda mais escabrosos… Mas, como todos fazem o mesmo, também não quero terminar os meus dias sofrendo mais do que já sofri precisamente por não me conformar em viver num país onde a corrupção funciona em rede e é aceite por todos.

Em Portugal, em boa verdade, não há pessoas corruptas: há um sistema corrupto que obriga as pessoas a corromperem-se para sobreviverem. Como diz um amigo meu, "numa sociedade onde as elites se apropriam do grosso dos recursos, não ensinar aos filhos a legitimidade da vigarice seria privar os mesmos de meios de subsistência."

Há gente honesta em Portugal? Ainda é capaz de haver… mas não generalizemos.

Santana-Maia Leonardo Diário As Beiras  de 30/9/2020  Observador de 3/10/2020

29 Set, 2020

Arthur Schopenauer

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“Todo o homem toma os limites do seu próprio campo de visão como limites do mundo.”

“Para nos tornarmos tolerantes com as opiniões contrárias às nossas, basta lembrarmo-nos que nós mesmos já mudámos de opinião várias vezes.”

“A simplicidade representa o último grau da sabedoria.”

“Quanto menos inteligente um homem é, menos misteriosa lhe parece a existência.”

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“Nunca irrites um homem paciente.”

“O homem de bem exige tudo de si próprio; o homem medíocre exige tudo dos outros.”

«Transportai um punhado de terra todos os dias e fareis uma montanha.»

“A mediocridade é infinitamente mais fascinante do que a competência. A competência tem limites, a mediocridade não.”

“Para conhecermos os amigos, é necessário passar pelo sucesso e pela desgraça. No sucesso, verificamos a quantidade e, na desgraça, a qualidade.”

24 Set, 2020

O poder e o povo

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Há uma expressão do nosso povo para justificar a permanência dos mesmos no poder que revela muito da nossa conivência com a corrupção e a mentira: "se forem para lá outros, fazem o mesmo."

Ora, aquilo que os outros irão fazer deverá ser julgado no momento próprio.  Agora o que se julga numas eleições é aquilo que aqueles que lá estão fizeram.

E se aqueles que lá estão fizeram precisamente o contrário do que prometeram ou têm condutas e comportamentos que põem em causa a sua imparcialidade e independência no desempenho das sua funções, só têm de ser corridos para que a mentira e os comportamentos indignos não sejam premiados.

Com efeito, se o povo premeia, com o seu voto, mentirosos, aldrabões e corruptos, não pode exigir depois que os candidatos não mintam e se comportem como gente séria.

Quem quer gente séria no governo tem de começar por castigar nas urnas os mentirosos, os aldrabões e os corruptos.

Santana-Maia Leonardo

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Mais importante do que dar ouvidos àqueles que falam em nome do Sá Carneiro é reler Sá Carneiro. E vejamos como ele definia o seu partido:

«Numa época em que, em certas sociedades, o poder é pertença de minorias compostas pelos detentores do grande capital e por membros da tecno-estrutura; em que, noutras sociedades, dele se apropriou uma classe burocrática que domina não só todo o aparelho de Estado como todas as estruturas económicas e sociais – ou se quer apropriar uma elite de intelectuais auto-iluminados que pretendem pôr em prática os seus dogmas e as soluções mais ou menos originais que conceberam – pergunto-me: poderão as sociais-democracias retirar o exclusivo do poder às minorias oligárquicas, promovendo a sua efectiva transferência a nível político, económico ou social, para toda a população, desde os órgãos do Estado às unidades de produção?(…)

O Programa que aprovámos mostra bem que o nosso caminho tem de consistir na construção de uma democracia real. Não basta apenas rejeitar, ainda que claramente, as via oferecidas pelo neocapitalismo e pelo neoliberalismo, por incapazes de resolverem as contradições da sociedade portuguesa e de evitarem a inflação, o desemprego, a insegurança e a alienação na sociedades que constroem. Não bastam reformas de repartição ou redistribuição de riqueza, sobretudo pela utilização da carga fiscal. Há que introduzir profundas reformas estruturais, que alterem mecanismos do poder e substituam à procura do lucro outras motivações que dinamizem a actividade económica e social. Propomo-nos, assim, construir não apenas uma simples democracia formal, burguesa, mas sim, uma autêntica democracia política, económica, social e cultural.A democracia política implica o reconhecimento da soberania popular na definição dos órgãos do poder político, na escolha dos seus titulares e na sua fiscalização e responsabilização; exige a garantia intransigente das liberdades individuais, o pluralismo efectivo a todos os níveis e o respeito das minorias; não existe se não houver alternância democrática dos partidos no poder, mediante eleições livres, com sufrágio universal, directo e secreto.

A democracia económica postula a intervenção de todos na determinação dos modos e dos objectivos de produção, o predomínio do interesse público sobre os interesses privados, a intervenção do Estado na vida económica e a propriedade colectiva de determinados sectores produtivos; pressupõe ainda a intervenção dos trabalhadores na gestão das unidades de produção.A democracia social impõe que sejam assegurados efectivamente os direitos fundamentais de todos à saúde, à habitação, ao bem-estar e à segurança social; exige a abolição das distinções entre classes sociais diversas e a redistribuição dos rendimentos, pela utilização de uma fiscalidade justa e progressiva.

Finalmente a democracia cultural consiste em garantir a todos a igualdade de oportunidades no acesso à educação e à cultura e no favorecimento da expressividade cultural de cada um.(…) A aprovação dos estatutos veio consagrar o carácter eminentemente democrático do Partido, que, aliás, ficou bem expresso na forma como decorreu este Congresso: a participação entusiástica e espontânea de tantos dos delegados prolongou as nossas horas de trabalho, exigiu-nos um esforço suplementar. Mas mostrou bem que a democracia é a única maneira de um grupo, tão numeroso, chegar ao consenso entre variadas opiniões, sem submissão a despotismos iluminados.»

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O Vitória pode ser ENORME... se contribuir para a limpeza e higienização do futebol português (clicar sobre a foto para ler a notícia).

O Vitória foi um clube honrado que teve o azar de se cruzar com uma geração de dirigentes, parida pelo modus vivendi da política portuguesa, que achou que a venda da honra era a única solução para ir mantendo o clube no bordel em que se transformou a I Liga.

Mas a vida de puta pobre acaba sempre mal, sobretudo quando o mercado está controlado por 3 chulos muito poderosos e com uma organização mafiosa atrás deles.

Santana-Maia Leonardo

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