Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

1.jpg

Nunca pensei, na minha vida, assistir à suprema humilhação de ver um primeiro-ministro, presidentes da câmara e deputados serem atirados pela borda da fora de uma Comissão de Honra, como se fossem um monte de lixo, e ainda por cima por um presidente de um clube de futebol com o perfil de Filipe Vieira.

Ao menos, podiam ter saído como entraram: PELO SEU PÉ. Assumiam o erro, pediam desculpa aos portugueses e a quem os tinha convidado e saíam pelo seu próprio pé e de cabeça erguida.

Mas, para isso, era necessário serem gente honrada, que se desse ao respeito ou, no mínimo, terem um pingo de vergonha na cara. Reconhecer um erro e assumi-lo é próprio de gente honrada. Agora ser atirado pela borda fora de uma Comissão de Honra por quem os convidou e depois de terem justificado em público a razão da aceitação?!…

Mas os políticos portugueses, em boa verdade, também não merecem ser tratados de outra forma. No fundo, são como o papel higiénico: servem para usar, em caso de necessidade, e deitar fora. 

Santana-Maia Leonardo - Diário As Beiras de 22-9-2020

14 Set, 2020

O meu tio Armando

Tio.jpg

A primeira imagem que guardo do meu tio é o doloroso embarque em 1961, com o Regimento de Cavalaria do Spínola, no navio que o ia transportar a Bessa Monteiro, no seguimento do apelo de Salazar "Para Angola e em força!"

Na manhã do dia 2 de Dezembro de 1967, foi também o meu tio que, na sala de jantar da minha casa de Setúbal, me disse "os homens não choram!", depois de me informar da morte do meu pai. E eu fiz-me forte e não chorei. E durante muitos e muitos anos, nunca dei o prazer a ninguém de me ver chorar.

Em todo o caso, o meu tio não seguia o conselho que me deu como, mais tarde, vim a constatar, uma vez que chorava com muita facilidade. Mas eu segui sempre o seu conselho até ao momento em que a idade me começou a tornar indiferente à opinião dos outros.

Foi também o meu tio que me trouxe nesse dia para Ponte de Sor para casa dos meus avós maternos onde passei a residir desde os 9 anos de idade.

Com a morte do meu pai, o meu tio passou a ser um referencial para mim e, a partir dos meus 16 anos, tornou-se no meu melhor amigo, apesar da diferença de idades.

O meu tio tinha uma forma de estar que o fazia ser amado por toda a gente. Mesmo nas dificuldades, demonstrava grandeza. Era um nobre que gostava de viver entre o povo. Ou seja, UM SENHOR, no verdadeiro sentido da palavra. O meu tio sabia estar, sem nunca destoar, quer entre a gente mais fina e educada, quer entre a gente mais pobre e analfabeta, apesar de ser com a gente do campo e menos letrada que se sentia melhor.

Até porque, como gostava de se definir, era um homem do campo.

A vida nem sempre lhe foi fácil, bem pelo contrário, mas, mesmo nos piores momentos, o meu tio nunca perdeu esse seu maior dom: o prazer de viver.

Até que chegou o dia 14 de Setembro de 2006.

Santana-Maia Leonardo

image.jpg

A aceitação de António Costa para integrar a comissão de honra (honra?!.. só o nome já dá vontade de rir…) de Filipe Vieira é, no mínimo, intrigante e inexplicável. Recordo que Sócrates ainda não foi julgado, nem condenado. No entanto, bastou ter sido constituído arguido para António Costa, que ainda não era primeiro-ministro, achar que devia manter um distanciamento de segurança, relativamente a este seu grande amigo e a quem tanto deve.

Ora, neste momento, António Costa, para além de não ser amigo Filipe Vieira, é primeiro-ministro pelo que, por maioria de razão, devia ter a prudência de manter, pelo menos, o mesmo tipo de distanciamento social que teve com José Sócrates.

Além disso, Filipe Vieira, para além de ser arguido num processo de corrupção de magistrados, o mais grave em toda a história da magistratura portuguesa, cuja acusação está por dias, é um dos maiores devedores do Novo Banco, um dos maiores escândalos da política e da finança portuguesa, cuja auditoria acaba de ser conhecida.

O que leva, então, um primeiro-ministro a colocar a cabeça no cepo por um indivíduo com este currículo, quando o mais elementar bom senso desaconselhava e o código de conduta do Governo proíbe?

Que credibilidade e autoridade moral tem agora António Costa para meter o dinheiro dos contribuintes no Novo Banco, quando oferece a sua honra para apoiar um dos maiores devedores do BES e do Novo Banco?

Como podem os portugueses confiar no projecto lei de luta contra a corrupção de um primeiro-ministro que entrega a sua honra para apoiar um indivíduo que está envolvido num dos processos de corrupção mais graves da justiça portuguesa?

O New York Times publicou, em Abril, um artigo com o título “Benfica, um Estado Soberano”. Pippo Russo, numa entrevista recente à revista Sábado, insinuou que o estado português era um enclave dentro do estado soberano que era o futebol português. E Pedro Guerra, nos seus e-mails, tratava Filipe Vieira como o nosso primeiro-ministro.

Ora, das duas uma: ou Filipe Vieira é efectivamente o primeiro-ministro de Portugal ou tem de haver um motivo escondido muito forte para António Costa aceitar suicidar-se politicamente, despojando-se, em público, da sua honra e da sua credibilidade.

Será que Rui Pinto é capaz de descodificar este mistério?

Santana-Maia Leonardo Diários As Beiras de 15-9-2020

119105160_1723816757769220_4036056506344353268_o.j

Felizmente tenho a minha casa e o jardim da minha casa cheios de osgas, provavelmente o maior equilibrador natural que existe e uma espécie protegida.

Só gente estúpida e ignorante mata uma osga. Mas gente estúpida é o que por aqui não falta.

Infelizmente esta é uma característica muito típica dos portugueses: tratar mal quem lhes faz bem.

9643440pablo-escobar.jpg

Um país sem cultura desportiva é um país de batoteiros e permeável a todo o tipo de corrupção.

A competição pressupõe que cada competidor dê o máximo de si pela vitória (independemente de poder vencê-la ou não), que haja igualdade de armas e que os árbitros (lato sensu) sejam imparciais e independentes. Se algum destes ingredientes faltar não existe verdadeira competição.

Tal como a maioria dos portugueses (a fazer fé nos comentários), Pablo Escobar, um dos maiores narcotraficantes, gostava muito de futebol e de ganhar. Segundo o filho, nunca perdeu um único jogo em toda a sua vida. Sendo certo que era sempre ele o árbitro dos jogos em que participava. Além disso, tinha a faculdade de, durante o jogo, trocar de jogadores com a equipa adversária, escolhendo os melhores para a sua equipa, e os jogos só terminavam quando a sua equipa estivesse a ganhar. Mas estes eram pequenos pormenores sem a mínima importância porque o importante mesmo era ganhar.

Resumindo: eram jogos parecidos com os do campeonato português quando intervém a equipa do Chefe. Como se pode constatar pelos comentários, a equipa de Pablo Escobar faria a delícia dos portugueses e essa sim era verdadeiramente gloriosa. Nunca perdeu um único jogo. Afinal o importante mesmo é ganhar. E quem não pensa como Pablo Escobar, como é o meu caso, é um lírico.

Santana-Maia Leonardo