Os clubes europeus e as lojas portuguesas

O problema do futebol português reside numa contradição insolúvel.
Por um lado, os nossos "gloriosos-grandes-de-trazer-por casa" não querem ser verdadeiramente grandes, caso contrário proporiam à Liga espanhola a criação de uma Liga Ibérica que era do interesse de todos, quer dos grandes clubes portugueses, quer dos clubes espanhóis. Só assim teriam acesso aos investidores e ao mercado global que lhes permitia dispor de financiamento para concorrer com os grandes clubes europeus. É impossível ser um grande clube europeu sem participar numa das grandes ligas europeias de países com mais de 45 milhões de pessoas e que seja vista e vendida para todo o mundo.
Por outro lado, preferindo o aconchego da Liga Portuguesa onde fazem o que querem sem correr riscos. também não estão interessados em criar uma liga competitiva como a holandesa, por exemplo. E porquê? Porque Benfica, Sporting e Porto vivem, hoje, exclusivamente da venda de jogadores.
Veja-se o caso do Sevilha, o Atlético de Madrid, o Real Sociedade, o Valência, o West Ham, o Leicester, etc, clubes que, não sendo grandes clubes europeus, não vivem para vender jogadores. É certo que podem ter de os vender se algum dos grandes clubes europeus os quiser comprar, mas não vivem para os vender. E tanto assim que, quando os vendem, vão buscar outros de valor idêntico.
Essa é a diferença entre os clubes europeus e as lojas portugueses. O Sporting, o Benfica e o Porto vivem, hoje, exclusivamente, do negócio de compra e venda de jogadores. E é por isso que têm tanto interesse em ir à Liga dos Campeões. O seu interesse na Liga dos Campeões não é vencê-la, mas aproveitar a Liga dos Campeões como montra para vender os seus melhores jogadores. Vendem os melhores e depois vão procurar jogadores baratos nos mercados sul-americanos para os rentabilizar com vista a sua revenda.
Isto não são clubes de futebol. São agências de vendas de jogadores.
Santana-Maia Leonardo

