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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

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Todas as instituições, clubes e organizações portuguesas têm uma estrutura do tipo mafioso, assente em cumplicidades e troca de favores que torna muito difícil libertar-se quem aceita entrar nelas.

E, num país com esta morfologia, os maus são sempre os que denunciam e os bons os que encobrem e silenciam por amor ao clube ou ao partido.

Santana-Maia Leonardo 

18 Dez, 2020

O SEF e a Selfie

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"O cidadão ucraniano que morreu no SEF do aeroporto esteve 15 horas manietado com fita-cola e algemas. Foi visto assim por enfermeiros, inspectores, chefes. Ficou numa sala, preso, durante horas, com calças pelos joelhos e cheiro a urina. Médico que passou óbito não viu agressões e deu-a como morte natural. Auto de óbito do SEF também não refere qualquer lesão."

Basta ler esta descrição para se concluir que não estamos perante um assassinato macabro cometido por um delinquente, mas a um assassinato institucional cometido sob a cumplicidade dessa estranha forma de ser PORTUGUÊS AQUI.

Em 2012, na minha terra, encontrava-me num bar repleto de gente, quando comecei a ouvir clientes a pedir ansiosamente, em voz alta, para o dono do bar fechar a porta. E qual era o motivo? À porta do bar, cinco jovens com idades compreendidas entre os 18 e os 20 anos agrediam dois emigrantes brasileiros com mais de cinquenta anos qualquer deles.

O bar, como disse, estava cheio, sobretudo de dezenas de homens novos. No entanto, só eu saí do bar em socorro das duas vítimas, enquanto o dono do bar me pedia, por amor de Deus, para não sair, enquanto fechava a porta nas minhas costas. Felizmente, quando me viram, os jovens suspenderam a agressão e os dois emigrantes, com a cara cheia de sangue, puderam levantar-se do chão e ir à sua vida.

Como todos sabemos, um crime tanto pode ser cometido por acção como por omissão. E quando setenta ou oitenta homens na flor da idade assistem passivamente à bárbara agressão de dois homens com mais de cinquenta anos por cinco jovens, sem fazerem rigorosamente nada, são também, forçosamente, agressores.

Mas é precisamente este o comportamento que já está institucionalizado como modelo de todas as instituições portugueses e que permitiu o encobrimento do que se passou no SEF, no BES, no BPN, no BP, no Montepio, na CGD, no futebol português, no caso dos submarinos e de Tancos, na Operação Lex e no Tribunal da Relação de Lisboa, em muitas esquadras, na viciação dos concurso públicos e de pessoal nas câmaras municipais, nas perseguições políticas e pessoais perpetradas pela administração central, regional e local, etc. etc. etc.

Não! Os culpados não são os MAUS que praticam todos estes crimes, mas os que se autoproclamam BONS, que vêem fazer e deixam acontecer e que, só quando o escândalo rebenta e por medo das reacções da UE, vêm a público, com cara de Odorico Paraguaçu, defender um rigoroso inquérito para ficarem bem na selfie e lançando mão dos nossos tribunais, como tábua de salvação, para adiarem ad eternum uma tomada de posição pública: “não vou antecipar o julgamento dos tribunais.

Tal como disse há muitos anos Edmund Bürke e, mais tarde, Einstein: «o mundo é um lugar perigoso de se viver, não por causa daqueles que fazem o mal, mas sim por causa daqueles que o vêem fazer e deixam acontecer.»

Santana-Maia Leonardo

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Como já várias vezes referi, não só sou anti-prémios individuais no futebol como considero que este tipo de prémios está a ganhar uma relevância mediática que está a destruir e a minar a essência e o espírito do futebol como jogo colectivo e de clubes.

No futebol, por muito bom que seja um jogador, ninguém consegue ganhar sozinho um único jogo. O Liverpool, com um trio de avançados infernal, não conseguiu vencer uma Champions, porque o guarda-redes não esteve à altura, e Portugal foi campeão europeu sem poder contar no jogo decisivo, mais difícil e transcendente com aquele que era considerado o seu melhor jogador.

E este ano a escolha de Messi e CR7 para fazer parte do trio candidato ao The Best é a prova de que a força da marca global Messi e CR7 se sobrepôs a qualquer critério desportivo, num ano em que qualquer das suas equipas ficaram muito aquém das exigências mínimas na disputa de qualquer prova com relevância internacional e o seu contributo individual também ficou aquém das expectativas.

Estranha-se a ausência de Neuer, por exemplo, que fez uma época extraordinária e foi a figura principal do Bayern na conquista da Champions, de Neymar, a principal figura do PSG e que levou este clube pela primeira vez a uma final europeia, ou Mane ou Salah do Liverpool que levaram o Liverpool à conquista da maior e mais mediática liga de clubes do mundo. A liga inglesa, saliente-se, é a única liga de futebol que está entre as cinco maiores ligas do mundo. E veja-se a incoerência: enquanto existem dois treinadores da liga inglesa, não existe um único jogador????!!!....

Santana-Maia Leonardo 

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"A democracia é um mecanismo que garante que nunca seremos governados melhor do que merecemos" (Bernard Shaw).

Se me apontassem uma pistola à cabeça e me obrigassem a votar em Marcelo, iam ter de disparar. Com uma pistola apontada à cabeça, votava em qualquer um, excepto no Marcelo. No Marcelo, nem morto... Detesto hipócritas e aqueles que votam neles.

Felizmente não sou cidadão português, nem corre nas minhas veias uma única pinga de sangue made in Portugal.

Santana-Maia Leonardo