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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

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29 Jan, 2021

Que povo este!

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Há uma frase de Miguel Torga que retrata na perfeição o povo português:

Que povo este! Fazem-lhe tudo, tiram-lhe tudo e continua a ajoelhar-se quando passa a procissão”.

Nos países europeus, nos EUA e no Canadá, uma simples falsificação de um currículo obriga à demissão de um governante, um escândalo de corrupção leva à queda de um Governo e a má gestão da pandemia provoca uma derrocada eleitoral.

Em Portugal, suceda o que suceder ganha sempre aquele que se sabe que vai ganhar. Se alguém pensa que os fogos, o SEF, Tancos, o procurador europeu ou a má gestão da pandemia, vai tirar um único voto a António Costa está absolutamente enganado, como ficou demonstrado nestas eleições presidenciais em que António Costa venceu em todos os tabuleiros.

As eleições em Portugal são uma mera rotina incapaz de surpreender quem quer que seja. O povo português, à semelhança de um rebanho de ovelhas, responde sempre ao assobio do pastor por muito mau que seja.

Desde que há eleições em Portugal, o Presidente da República é sempre reeleito e o primeiro-ministro que termina o mandato vence sempre as eleições.

E isto já é assim desde o séc. XIX.

O nosso problema é estrutural e tem a ver sobretudo com a forma como nos organizamos.

50 anos após o 25 de Abril, continuamos a ser uma democracia iliberal assente no amiguismo e no compadrio e que tem horror à palavra “mérito”.

Falar em seriedade e competência é ser fascista. Não é, pois, de estranhar que Portugal ande sempre pela cauda da Europa. É o preço de sermos governados com base nas relações familiares e de amizade. 

Fomos o país europeu que suportou mais tempo a Inquisição e que teve a ditadura mais longa.

É, por isso, natural que faça o Presidente ou Governo o que fizerem, na hora de colocar o voto na urna, o povo acabe sempre por ajoelhar quando passa a procissão.

Santana-Maia Leonardo

 

26 Jan, 2021

Malato tem razão

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Malato tem razão.

Eu deixei de ser português pela razão precisamente oposta.

Malato nasceu no Alentejo, mas sempre foi um lisboeta e sempre pensou como um lisboeta.

Eu, pelo contrário, nasci em Lisboa, tenho casa em Lisboa, mas sempre fui alentejano.

Malato descobriu agora que é lisboeta e que tem vergonha de ter sido alentejano, por causa do voto em Ventura.

A situação é semelhante à minha, mas ao contrário. Eu já há muito tempo que deixei de ser português e tenho vergonha de ter sido português, quando percebi que Portugal era Lisboa e que, para os lisboetas, incluindo para aqueles que aqui nasceram, o Alentejo é um terreno baldio que apenas serve para eles virem passear o cão ao fim de semana com os seus amigos.

Para os lisboetas, os alentejanos são uma raça sub-humana que é tratada abaixo de cão. Só é pena que ainda haja alentejanos que abanem o rabo, quando cheiram um lisboeta.

Santana-Maia Leonardo 

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Alguns dos meus amigos gostam de me fazer rir, dizendo que  só vão votar… (esta é de partir o coco a rir!...) para que André Ventura não vença as eleições???!!!... Já não me ria tanto desde o dia em que um indivíduo me confidenciou que não saia de casa por ter medo de ser comido por um tubarão???!!!!... Ah! Cada maluco!...

Deixemo-nos de galhofa e falemos a sério para não nos tomarem por lorpas.

O Chega é um partido igualzinho aos outros que apenas tem um objectivo: arranjar um lugar à mesa do orçamento de Estado. E Chega! E André Ventura, à semelhança dos outros líderes partidários, explora o seu nicho de mercado sem qualquer outro objectivo.

Imaginar sequer que o Chega, o PCP ou o BE podem ganhar umas eleições nacionais em Portugal é não conhecer nem o país em que vivemos, nem o povo português. Era, aliás, um bom sinal que o povo português conseguisse ter um rebate cívico desse género como aconteceu com os gregos quando votaram no Syriza. Significava que tinha capacidade de se indignar e de expressar essa indignação num voto contestatário. Mas infelizmente o povo português é um rebanho de ovelhas que, na hora da verdade, responde sempre ao assobio do pastor.

Em todo o caso, mesmo que o Chega, o BE ou o PCP vencessem as eleições, nada mudava, tal como não mudou na Grécia, como eu aqui escrevi, quando os histéricos dos nossos comentadores, para assustar o rebanho, anunciavam o fim da UE e o fim do mundo se ganhasse o Syriza. Ganhou o Syriza na Grécia e... ficou tudo na mesma. Nunca a Grécia foi tão europeísta e civilizada. O mesmo já tinha acontecido com o anti-europeísta Paulo Portas e o seu PP, quando chegaram ao Governo, tal como aconteceu com os partidos da geringonça.

É muito bonito mandar postas de pescada, mas, para se comprar a pescada, é preciso ter dinheiro que é precisamente aquilo que Portugal não tem. E quem Chega ao poder percebe que a única forma de lá se manter é ter dinheiro para pagar aos reformados, aos funcionários públicos e aos políticos que o apoiam. É o que basta para qualquer extremista de blá-blá-blá se transformar num europeísta convicto.

A abstenção é hoje em dia o único voto de resistência contra o poder corrupto, incompetente e irresponsável. Se lerem os jornais ou ouvirem as declarações dos principais responsáveis políticos (Presidente da República, da Assembleia da República, primeiro-ministro, líderes dos diferentes partidos…), assim como dos porta-vozes do regime, o que todos eles temem não é a votação neste ou naquele. O que todos eles temem é UMA ABSTENÇÃO EM MASSA, porque essa é a única manifestação silenciosa que expõe, a nível europeu, os vícios do nosso sistema político.

Santana-Maia Leonardo

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A Assembleia da República acaba de aprovar a vacina mais eficaz contra a COVID-19.

Segundo os especialistas, basta uma única toma para garantir a imunidade à doença para sempre.

E o senhor primeiro-ministro já garantiu que a vacina agora aprovada vai começar a ser administrada pelos mais idosos e pelos grupos de risco que são a grande preocupação deste governo e que urge proteger rapidamente até para aliviar o SNS.

Espero que os governantes, nacionais, regionais e locais, sejam também os primeiros a tomar esta vacina, para bem de Portugal e de todos nós.

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A abstenção é hoje em dia o único voto de resistência contra o poder corrupto, incompetente e irresponsável.

Se lerem os jornais, as declarações dos principais responsáveis políticos e dos porta-voz do regime, o que todos eles temem não é a votação neste ou naquele. O que todos eles temem É UMA ABSTENÇÃO EM MASSA, porque essa é a única manifestação silenciosa que expõe, a nível europeu, os vícios do nosso sistema político.

Santana-Maia Leonardo

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