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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

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Não reconheço o conceito de raça relativamente ao ser humano. E também não aceito qualquer discriminação com base na cor da pele. Mas uma coisa é a discriminação com base na cor da pele, outra coisa é não reconhecer que a pele tem cor.

É óbvio que chamar preto ou loira a uma pessoa é depreciativo. No entanto, nem o preto, nem o branco, nem o moreno, nem o loiro são, por si só, termos depreciativos. Depende do contexto.

Quando estive em Moçambique, jogava todos os dias à bola na praia com um grupo de jovens moçambicanos. E sendo eu o único branco, não achei estranho que, no decorrer do jogo, dissessem “passa a bola ao branco” ou “marca o branco”, da mesma forma que não me senti ofendido, quando, em Mangualde, os meus colegas diziam “passa a bola ao alentejano” ou “marca o alentejano”.  

E quando se fala de racismo, assente exclusivamente no facto de, nos países europeus, haver uma esmagadora maioria de brancos em cargos públicos, temos de compreender que é natural que haja um predomínio de brancos nos países onde há mais brancos. Aliás, se olharmos para os cargos públicos dos países africanos, assim como da China ou do Japão, verificamos que os brancos são praticamente inexistentes e, na China ou no Japão, também não é comum ver dirigentes de cor negra. Ou seja, onde ainda existe maior diversidade e menos preconceito, relativamente à cor da pele, é precisamente na União Europeia.

No entanto, existem alguns casos de racismo que deviam merecer tratamento clínico.  Refiro-me, designadamente, à petição de Mamadou Ba e Sara Tavares para que a dobragem do filme Soul, em Portugal, seja feita com vozes negras. Vozes negras?!... Será que, em África ou na China, os actores brancos também têm de ser dobrados por vozes brancas?!... A voz não tem cor. É preciso ser muito racista para estender à voz o preconceito da cor da pele.

Santana-Maia Leonardo

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Portugal está tão deslocado na União Europeia como a Guiné Equatorial na CPLP (Comunidade de Países de Língua Portuguesa).

Tal como Guiné Equatorial, Portugal entrou para a CEE, com o compromisso de vir a falar a mesma língua das democracias liberais e dos direitos humanos da Comunidade Europeia, mas a verdade é que, 35 anos após a adesão à CEE, Portugal continua a usar a mesma linguagem que falava antes da adesão: a linguagem do cajado e da cenoura, da perseguição política, do despotismo, do nepotismo, da corrupção, das cunhas e do compadrio.

A indemnização paga pelo Estado português à família do ucraniano é inteiramente justa, porque foi o Estado português que o matou. Os inspectores do SEF foram apenas meros executantes.

Santana-Maia Leonardo

02 Jan, 2021

Um país do avesso

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Charlie Chaplin dizia que “a vida era uma tragédia vista de perto e uma comédia vista de longe”. E a justiça portuguesa e nosso sentido de justiça também são assim: uma tragédia vista de perto e uma comédia vista de longe.

É difícil usar a razão num país que vive do avesso. Quando analisamos um caso concreto e  isolado até parece que a coisa faz sentido. No entanto, quando temos uma vista panorâmica do conjunto, já nada faz sentido.

Vou-vos dar um exemplo: se um carro estiver mal estacionado, o condutor tem motivo para se indignar e revoltar se for multado? Analisado este caso concreto e isolado, a resposta racional num país normal é: Não.

Mas imagine que todos os carros estacionados naquele local estão mal estacionados e só aquele é que é multado? Analisado o caso nesta perspectiva de conjunto, é evidente que já se justifique a revolta do condutor. E agora imagine que todos estão mal estacionados, excepto aquele que é multado, porque o autuante não grama do condutor?

Esta última situação pode parecer absurda e aberrante, mas passa-se frequentemente em Portugal. E não me estou a referir apenas às autoridades rodoviárias, mas a todas as autoridades públicas. Quem tem poder em Portugal exerce-o, quase sempre, de forma arbitrária e despótica. Como dizia António Aleixo, "Faze do pequeno grande,/ Verás que mais tarde, quando/ Se sentir seguro e mande,/ Te faz sentir o seu mando."

O que me admira é não haver mais gente, em Portugal, a puxar pelo cajado e pela espingarda. O povo é manso? Cuidado! Lembrem-se do conselho de Confúcio, "nunca irrites um homem paciente." E sobretudo não se esqueçam que a lei só é dissuasora para aqueles que têm alguma coisa a perder.

Santana-Maia Leonardo

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Eu já não acredito em nada. Mas reconheço que deve haver poucas coisas piores do que ser condenado por um crime tão aviltante como este se estiver inocente. E também sei que, em Portugal, é extremante fácil um inocente ser condenado e um criminoso ser absolvido. 
 
Para Carlos Cruz, ser absolvido deste crime deve ser certamente a sua razão de viver. Mas, para mim, o que mais me angustia e entristece é constatar que o povo português chegou a um tal ponto de degradação moral, degradação essa que se manifesta em todas as instituições, ou não estivessem nelas representadas os legítimos representantes do povo, que seja qual for a decisão, não me merece credibilidade nenhuma.
 
Santana-Maia Leonardo 
01 Jan, 2021

Piccadilly Tavern

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Quando venho a Manchester, é sempre aqui que venho comer e assistir aos jogos de futebol na tv. É futebol 24 horas por dia: no estádio e neste bar.

O futebol inglês é o meu estilo de música preferida. Adoro o futebol inglês e a forma como os ingleses vivem os jogos.

Os ingleses são os pais do futebol mas os seus filhos espalhados por esse mundo fora não conseguiram captar a essência do jogo. Até os jogos na tv são diferentes. Aqui temos o ruído de fundo dos adeptos, os cânticos e a festa, e no intervalo e no final são comentados os principais lances por um ex-treinador, ex-árbitro e ex-jogador que dão a sua opinião com rigor, independência e imparcialidade.

Bruno Lage, com a sua formação inglesa, fala do "jogo a jogo" mas os portugueses não conseguem perceber o que é isso. É necessário viver os jogos em Inglaterra para perceber o que é isso do "jogo a jogo". Os ingleses vivem cada jogo como se esse jogo fosse a própria competição. Por isso, os estádios estão sempre cheios e em festa, independentemente do lugar na classificação, porque, para os ingleses, o mais importante é aquele jogo e, findo o jogo, só já lhes interessa o próximo jogo.

Consequentemente, não existem jornais desportivos, nem programas de comentário desportivo a discutir aquilo que não interessa, ou seja, os jogos passados.

Santana-Maia Leonardo

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