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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

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«"(...) Em comunicado, a Secretaria de Estado da Juventude e do Desporto assinalou que, atualmente, com a comercialização individual, “a diferença entre a sociedade desportiva que mais recebe e a que menos recebe é de aproximadamente 15 vezes”, contrastando com outros países com os direitos centralizados, como Espanha e Itália, três vezes mais, Alemanha, 2,5 vezes mais, e Inglaterra, 1,3 vezes mais. (...)" (clicar sobre a foto para ler a notícia)

E os portugueses não têm sequer vergonha de perpetuar por mais sete épocas o regime da ganância assumida e declarada? O que restará daqui a sete épocas desportivas, quando os GANANCIOSOS já tiverem comido até os ossos dos clubes mais humildes?

Portugal, o país mais desequilibrado da Europa e o único país sem centralização dos direitos televisivos, anuncia a revolução para daqui a 7 épocas????!!!...

Não era Mamadou Ba que devia ser expulso para África, mas os portugueses. Os europeus deviam fazer um abaixo-assinado para expulsar os políticos, os dirigentes desportivos, os eleitores e os adeptos portugueses para a Guiné-Bissau, porque os seus comportamentos envergonham a história da civilização europeia e os valores da União Europeia.

Santana-Maia Leonardo

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Enquanto, em Espanha, um rapper é condenado a pena de prisão por ter criticado, de forma ofensiva, a monarquia e as instituições espanholas, em Portugal é o presidente do Tribunal Constitucional que tem de engolir à pressa o que escreveu há uns anos para não perder o cargo.

Pelos vistos, nem os portugueses, nem os espanhóis, perceberam ainda, apesar das condenações sucessivas pelo Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, que não há democracia liberal sem liberdade de expressão e que o direito à liberdade de expressão, como muito bem explicou um juiz numa célebre sentença americana, “não protege o direito a ter razão, mas o direito a não a ter».

O direito à liberdade de expressão, como ensinou Karl Popper, o pai das sociedades abertas, é a trave-mestra das democracias liberais: “A liberdade de expressão deve ter primazia sobre o nosso desejo de não ofender”; “Quando evitar ofensas constitui a nossa principal preocupação, rapidamente se torna impossível dizermos livremente seja o que for.

Em todo o caso, basta ouvir a cantiga do rapper para constatar que a sua letra é de uma violência extrema, quer contra a monarquia espanhola, quer contra os juízes, quer contra regime constitucional, fazendo apelo, inclusive, ao terrorismo, muito para além das expressões usadas por André Ventura contra o regime constitucional português. Com efeito, André Ventura ainda não teve a coragem de chamar a Marcelo e aos juízes “ladrões”, “mafiosos” e “corruptos”, nem sequer de fazer apelo ao terrorismo para atacar a nossa Constituição.

Não deixa, no entanto, de ser curioso que as mesmas pessoas que defendem o direito à liberdade de expressão do rapper, sejam as mesmas que queiram silenciar e, inclusive, ilegalizar aqueles que se manifestam contra o regime constitucional português. Vamos lá a ver se nos entendemos. O direito à liberdade de expressão vale para todos e não é sujeito à censura prévia das elites bem-pensantes que querem controlar o que se pode dizer no espaço público. Como cantava Manuel Freire, “Não há machado que corte a raiz ao pensamento/ não há morte para o vento/ não há morte.”

Quanto ao escândalo público criado pelo texto do actual Presidente do Tribunal Constitucional, ainda é mais revelador do mundo às avessas em que vivemos.

Com efeito, independentemente de se concordar ou discordar com o teor ou a forma do texto, a verdade é que aquele texto representa o que uma larga maioria de portugueses espontaneamente pensa. Ora, a reacção das nossas elites bem-pensantes, exigindo a retratação pública do juiz e pondo em causa a sua independência para o exercício das funções, só vem demonstrar que existe um clima de intimidação cultural contra aquilo que o homem comum espontaneamente pensa. Isto é a prova provada da revolução cultural fascista-leninista que tomou conta do espaço público e que pretende impor à maioria das pessoas uma mundovisão cultural contrária àquela que a maioria das pessoas tem.

Além disso, o fanatismo ideológico dos fascistas-leninistas impede-os de conseguir compreender uma coisa óbvia para o homem comum: a competência profissional é independente das convicções ideológicas. Ou seja, o facto de um médico, advogado, juiz ou pedreiro ser católico, budista, socialista, benfiquista ou homossexual não faz com que trate melhor um cliente que partilhe as mesmas convicções do que um que tenha convicções radicalmente opostas.

Santana-Maia Leonardo O Mirante de 23-2-2021 e Observador de 1-3-2021

24 Fev, 2021

Ser não sendo

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É obviamente uma palermice formular sequer a hipótese de destruir o Padrão dos Descobrimentos por ser um símbolo do Império e dos Descobrimentos.

O que eram os Jerónimos há 150 anos? Uma ruína. E quem é que deu dignidade aos Jerónimos, requalificando o mosteiro com a construção da imponente Praça do Império? E quem é que levou a cabo a reconstrução de grande parte dos monumentos nacionais que há 150 anos estavam em ruínas?

Já vai sendo tempo de nos deixarmos de fantasias de Natal e de acreditar em histórias da Carochinha.

A história de Portugal, como todas as histórias, vai sendo sucessivamente reescrita de acordo com os interesses ideológicos em vigor em cada época, atribuindo-se motivações patrióticas a actos e acontecimentos levados a cabo por gente que nem sabiam o que isso era e que agiram, a maior parte das vezes, por interesse pessoal e por ganância.

Talvez já fosse tempo, como ensina Eduardo Manzano Moreno, professor de investigação do CSIC e na Academia Global Britânica da Universidade de St. Andrews, de "nos deixarmos de armar em astrólogos que decifram constelações nacionais com base no passado e passarmos a ser os astrónomos que escrutinam no universo do tempo os elementos que nos trouxeram até aqui. Talvez desta forma, fôssemos capazes de compreender que o que une as comunidades imaginárias do século XXI são os valores de solidariedade e igualdade que nunca passaram pela cabeça de nenhum dos nossos antepassados."

Santana-Maia Leonardo 

23 Fev, 2021

O chico-espertismo

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Portugal sofre de uma doença incurável e altamente contagiosa que desvirtua e subverte tudo: o chico-espertismo.

Quando foi anunciada essa possibilidade de se fazer mais uma substituição por concussão cerebral, era evidente que o chico-esperto português ia logo aproveitar a oportunidade para fazer mais uma substituição, alegando concussão cerebral.

E os médicos do clube atestarão por sua honra que a lesão que sofreu na perna resulta de uma pancada na cabeça.

Santana-Maia Leonardo 

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Durante meses a fio, a comunicação social portuguesa massacrou-nos diariamente com os números de infectados e mortos no Brasil, atribuindo-os à governação irresponsável de Bolsonaro que tratava a pandemia como uma “constipaçãozinha”.

Acontece que a argumentação da “constipaçãozinha” de Bolsonoro, repetida à exaustão na televisão portuguesa, pelos vistos, acabou por convencer os nossos governantes que, inspirados em Bolsonaro, ainda conseguiram fazer pior, ao ponto de arrebatarmos o título de pior país do mundo. Como diz o nosso Presidente da República, quando os portugueses se empenham a sério conseguem fazer o impossível: o que, neste caso, significa fazer ainda pior do que Bolsonaro. É obra!

No entanto, estranho muito que as mesmas pessoas que culpavam Bolsonaro pelas mortes no Brasil, não atribuam agora, seguindo o mesmo critério, os louros pelo elevado número de mortes a António Costa e à sua ministra da Saúde.

E se, no caso do Brasil, ainda podia fazer sentido o argumento de que o país foi apanhado de surpresa e que havia países ainda piores, no caso português, nem esse argumento se poderá usar, a partir do momento em que somos precisamente o pior. Além disso, o Governo nem sequer pode falar em surpresa, porque a pandemia já por aqui anda há um ano.

O que a gestão desta pandemia veio demonstrar é que um Governo constituído com base em relações familiares e de amizade dificilmente responde a desafios em que se exige competência, rigor e conhecimento. E a incompetência é precisamente a imagem de marca deste Governo, em praticamente todos os ministérios. Tudo boa gente para fazer favores e meter cunhas, mas incapazes de gerir uma chafarica, quanto mais um ministério.

E esta era precisamente a lição que os portugueses deviam colher desta pandemia: a incompetência mata muito mais e é muito mais devastadora de recursos e de postos de trabalho do que qualquer pandemia.  

Santana-Maia Leonardo

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Deve um aluno passar de ano mesmo sem saber? É óbvio que a resposta só pode ser SIM. Basta, aliás, uma pessoa fazer um pequeno esforço de compreensão para perceber que a resposta não pode ser outra. O problema é que, como recordou a escritora brasileira Clarice Lispector, o óbvio é precisamente a verdade mais difícil de enxergar.

Importa, antes de mais, esclarecer que o fim das reprovações na escolaridade obrigatória não tem nada a ver com as passagens administrativas dos tempos de universidade desta geração que nos governa. Pelo contrário, o fim das reprovações é a condição primeira para um ensino de excelência na escolaridade obrigatória, porque é a única que permite que se aumentem os graus de exigência e se desenvolvam e rentabilizem ao máximo as capacidades de cada aluno. É evidente que, só por si, não resolve o problema sem vir acompanhada de outras medidas, designadamente: exames nacionais nos 4.º, 6.º, 9.º e 12.º ano de escolaridade e um novo conceito de turma (cada ano deve corresponder a uma única turma, por forma a poder haver, por disciplina, sub-turmas de recuperação e de excelência e, simultaneamente, permitir a mobilidade entre elas).

A escola selectiva de Salazar, que ainda hoje continua a ser o modelo dos melhores colégios privados, é, sem dúvida, uma escola de sucesso, mas assenta no mesmo modelo das escolas de futebol do Ajax, Barça, Sporting e Benfica. Ou seja, na selecção dos melhores e na eliminação daqueles que não têm aptidões. Se as escolas de futebol fossem obrigadas a manter até aos 16 anos todos os alunos das respectivas cidades, só se fossem loucos é que não passariam de ano todos os alunos, inclusive aqueles que não demonstrassem qualquer aptidão para a prática da modalidade. Ou alguém acha que estes alunos aprenderiam mais se continuassem a jogar nos infantis até aos 16 anos? E os infantis com talento, sairiam beneficiados caso as equipas de infantis estivessem infestadas de pernas-de-pau com 16 anos?

É óbvio que todos os jogadores têm de passar de ano/escalão, independentemente das suas capacidades, para bem de todos. Sendo certo que, ao contrário das passagens administrativas do tempo dos nossos governantes e comentadores, neste caso, não passam todos em igualdade de circunstâncias, porque passam com uma clara diferenciação entre os melhores e os piores e com uma vantagem: a qualquer momento o pior pode dar um salto de qualidade e ser chamado para a primeira equipa (sub-turma de excelência) e o melhor pode passar para a terceira equipa (sub-turma de recuperação). Ou seja, a competitividade e a diferenciação entre os alunos faz-se dentro do seu escalão de idade e não por anos de escolaridade.

Além disso, o simples facto de todos os alunos chegarem obrigatoriamente aos juniores não significa obviamente que fiquem todos habilitados para triunfar nas melhores equipas ou sequer para jogar nalguma equipa.

Para finalizar, apenas dois apontamentos. Sempre que se argumenta com o sucesso que alguns dos alunos retidos tiveram, no ano seguinte, nas disciplinas com menos aproveitamento, era importante saber se o professor tinha sido o mesmo e se o grau de exigência foi o mesmo, caso contrário os dados não querem dizer rigorosamente nada.

Por outro lado, mesmo no actual sistema (irracional e absurdo), é preferível passar, por exemplo, um aluno excelente a línguas e sem aptidões nas demais disciplinas, do que reprová-lo. E porquê? Porque, se passar, consegue manter o nível excelente a línguas e, se reprovar, até nas línguas regride.

Santana-Maia Leonardo - O Mirante de 12-02-2021

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A forma cobarde e racista como as Forças Armadas portuguesas entregaram e permitiram o fuzilamento pelo exército do PAIGC de soldados portugueses negros, no processo de Descolonização após o 25 de Abril, é das coisas mais vergonhosas e ultrajantes da história de Portugal.

Felizmente que já não sou português. Caso contrário, já tinha morrido de vergonha, como efectivamente acabei por morrer.

Marcelino da Mata escapou por uma unha negra e pelos seus próprios meios. Não se trata aqui de discutir de que lado estava a razão na luta colonial, mas de salientar apenas o critério repugnante das Forças Armadas portuguesas que decidiram a sorte dos combatentes portugueses com base na cor da pele: os brancos foram postos a salvo e os pretos entregues ao PAIGC para abate.

Santana-Maia Leonardo 

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