Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

COLUNA VERTICAL

"A coragem é a primeira das qualidades humanas porque garante todas as outras.." (Aristóteles)

COLUNA VERTICAL

"A coragem é a primeira das qualidades humanas porque garante todas as outras.." (Aristóteles)

24084296_770x433_acf_cropped.jpg

É de facto uma vergonha que, em pleno séc. XXI, o Parlamento português ainda continue a funcionar num edifício e numa cidade que foi a capital do império colonial e que respira colonialismo e racismo por todos os poros. E a solução não é obviamente eliminar os quadros racistas e colonialistas existentes na Assembleia da República, até porque o próprio edifício é uma expressão do colonialismo, assim como a cidade de Lisboa. E como não está previsto para breve um terramoto como o de 1755, a única solução é mudar o Parlamento, a Presidência da República e o Governo para uma ou mais cidades do interior do país, construindo edifícios governamentais e um Parlamento livres de colonialismo e de racismo, preservando a Lisboa imperial e colonialista como memória da nossa história comum  e um museu vivo que faz a delícia dos turistas nacionais e estrangeiros.

O princípio estruturante desta reforma, que eu venho defendendo há mais de trinta anos, resume-se a isto: governar Portugal como um pequeno país europeu que efectivamente é, tal como a Holanda, em vez de continuar a governar Lisboa como se fosse a capital do império e as restantes regiões do país as suas colónias ultramarinas. Eu sou alentejano e já estou farto de ser tratado como um nativo das cubatas pelos supremacistas brancos de Lisboa que nos despojam de toda a nossa matéria-prima, que são os recursos humanos, em troca de umas bugigangas de cimento armado com que subornam os sobas e os caciques locais.

Ora, a bazuca que aí vem é uma oportunidade única para dinamitar de vez a estrutura colonial e racista do Estado português. E se os nossos governantes, caciques e deputados não são racistas, nem colonialistas, como tanto gostam de apregoar, é esta precisamente a altura de o demonstrarem, passando das palavras aos actos. Ou seja, abandonando a capital do império, colonialista e racista, e deslocalizando para as diferentes regiões, cada uma com a sua especialização (Educação, Turismo, Agricultura, Negócios Estrangeiros, Justiça, Economia, etc.), os ministérios, secretarias de estado, direcções-gerais, Assembleia da República, universidades públicas, quartéis militares e os estados-maiores, tribunais superiores e constitucional, etc. etc. e os diferentes organismos do Estado deles dependentes.

Além disso, a saída de todos estes organismos da Lisboa imperial, racista e colonialista ainda tinha a vantagem de libertar esta região da pressão urbanística e aliviar os transportes públicos. E não nos venham com conversas da treta, porque, com o advento da internet, das plataformas digitais, dos novos meios de comunicação e com a rede de auto-estradas existente, o facto de os edifícios físicos dos ministérios estarem distribuídos pelo território não só não causa qualquer transtorno na prestação do serviço como só tem vantagens.

Finalmente, este seria um passo determinante na luta contra a corrupção, tendo em conta que é precisamente a concentração de todos os poderes na Corte de Lisboa e a entrega do resto do território, despovoado e sem massa crítica, aos caciques, todos eles afilhados da Corte de Lisboa de cujo orçamento dependem, que são os alicerces e as traves-mestras da corrupção portuguesa, uma corrupção estrutural, assente na cunha e no compadrio.

Santana-Maia Leonardo O Mirante de 1-3-2021

05 Mar, 2021

Eis o futebol

Screenshot_20210305-055513_Sport.jpg

O que me encanta no futebol é precisamente a sua efemeridade. A glória no futebol é como aquelas flores que apenas duram um dia. O único título que importa é o que está em jogo. O resto não vale nada.

FB_IMG_1614732815978.jpg

"Caro professor, ele terá de aprender que nem todos os homens são justos, nem todos são verdadeiros, mas por favor diga-lhe que, para cada vilão há um herói, para cada egoísta, há um líder dedicado.

Ensine-o, por favor, que para cada inimigo haverá também um amigo, ensine-o que mais vale uma moeda ganha que uma moeda encontrada.

Ensine-o a perder, mas também a saber gozar da vitória, afaste-o da inveja e dê-lhe a conhecer a alegria profunda do sorriso silencioso.

Faça-o maravilhar-se com os livros, mas deixe-o também perder-se com os pássaros no céu, as flores no campo, os montes e os vales.

Nas brincadeiras com os amigos, explique-lhe que a derrota honrosa vale mais que a vitória vergonhosa, ensine-o a acreditar em si, mesmo se sozinho contra todos.

Ensine-o a ser gentil com os gentis e duro com os duros, ensine-o a nunca entrar no comboio simplesmente porque os outros também entraram. Ensine-o a ouvir todos, mas, na hora da verdade, a decidir sozinho. Ensine-o a rir quando estiver triste e explique-lhe que por vezes os homens também choram. Ensine-o a ignorar as multidões que reclamam sangue e a lutar só contra todos, se ele achar que tem razão.

Trate-o bem, mas não o mime, pois só o teste do fogo faz o verdadeiro aço. Deixe-o ter a coragem de ser impaciente e a paciência de ser corajoso.

Transmita-lhe uma fé sublime no Criador e fé também em si, pois só assim poderá ter fé nos homens.

Eu sei que estou a pedir muito, mas veja o que pode fazer, caro professor.“

Pág. 5/5