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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

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É verdade que hoje a Liga inglesa é uma liga mais competitiva do que a liga espanhola, mas Barça e Real Madrid continuam a ser, no séc. XXI, os dois maiores clubes do mundo, seja qual for a perspectiva abordada: valor de mercado, receitas, orçamentos, número de adeptos, número de seguidores nas redes sociais ou número de troféus.

Mesmo os grandes futebolistas da liga inglesa colocam o Real Madrid e o Barça no topo da pirâmide. Acima destes dois clubes não há nada.

E tal como no cimo do pico Evereste, é necessário um jogador ser absolutamente excepcional para lá se aguentar, porque o oxigénio rareia.

O normal é mesmo os grandes jogadores sentirem-se mal com a altitude e serem obrigados a descer para conseguirem respirar.

Santana-Maia Leonardo

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Devemos ao 25 de Abril a entrada na União Europeia, o que nos garante a Democracia, a Liberdade e uma sociedade de bem-estar a que não teríamos qualquer hipótese de aceder de outra forma, tendo em conta o contexto iliberal, conformista e conservador (no mau sentido) em que os portugueses cresceram e foram educados, mais vocacionado para a pedinchice, a lamúria e a sabujice do que para liderar, agir e fazer. Todas as instituições do Estado Novo chegaram ao dia 25 de Abril totalmente envelhecidas e corrompidas, incapazes de esboçar uma reacção, ainda que ligeira, ao movimento dos capitães. 

No entanto, o poder político saído do 25 de Abril, em vez de ter arrancado pela raiz as instituições herdadas do Estado Novo, limitou-se a fazer-lhes a poda, o que levou a que estas voltassem a ganhar raízes e a florescer ainda com maior pujança e carregadas dos seus piores vícios: o centralismo, o caciquismo, o servilismo, o maniqueísmo, a corrupção, a cunha, o compadrio, a subserviência, a inveja, o respeitinho, a censura e a cultura iliberal de rebanho e de funil.

Parafraseando Fernando Pessoa, também podemos dizer que, com o 25 de Abril, "cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez”, mas ainda falta cumprir-se Portugal.

Com efeito, as convulsões do período revolucionário, o saneamento em massa das pessoas mais competentes e qualificadas, o assalto das instituições por gente sem qualificações, nem escrúpulos, e a bancarrota que se lhe seguiu, criaram as condições objectivas para a tomada do poder por uma Associação de Malfeitores, a que eufemisticamente se baptizou de Bloco Central de Interesses, cujo único objectivo era o saque e a pilhagem dos fundos comunitários. Esta verdadeira Irmandade da Ganância foi fundada, discretamente, durante o Governo do Bloco Central que tomou conta da Administração Pública e pariu os grandes grupos económicos portugueses, que cresceram à sombra do Estado e se confundiram com ele.

E, quando as leis são feitas precisamente por aqueles que as leis deviam perseguir, a Estratégia contra a Corrupção resume-se sempre em fingir que se combate a corrupção, ao mesmo tempo que se abre a saca para arrecadar os novos fundos.

Vejamos o caso do processo Marquês. Segundo o juiz de instrução, os crimes de corrupção estão todos prescritos, com base no acórdão n.º90/2019 do Tribunal Constitucional que decidiu fixar o início da contagem do prazo de prescrição na promessa de corrupção e não no final do pagamento do suborno, como seria lógico. E quando saiu este Acórdão? Por coincidência (há cada coincidência!), uma semana após a abertura da instrução?!... Até parece que foi de propósito… E, segundo já li em qualquer lado, isto “Só agora começou”…

Basta, aliás, olhar para a cara e para as pernas dos camaradas do animal feroz para constatar isso: as perninhas tremem que nem varas verdes e os rostos revelam uma angústia extrema como se as suas sólidas carreiras políticas estivessem depositadas e a vencer juros na caixa forte do Dono-Disto-Tudo. Cuidado, camaradas! Que isto “Só agora começou…

Mas a irmandade pode dormir descansada, porque todos sabemos como isto vai acabar… ainda que eu já não esteja cá para ver.

Santana-maia Leonardo - O Mirante de 19/4/2021

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A ignorância sempre foi a maior causa de cegueira e a principal responsável pela estupidez militante. Uma coisa é o género gramatical, outra coisa é o género sexual. São duas coisas diferentes e que não se confundem. Uma pedra é do género feminino, do ponto de vista gramatical, mas não é do género feminino, do ponto de vista sexual. Penso que qualquer pessoa estúpida consegue perceber esta evidência.

Do ponto de vista gramatical, em latim, o género masculino é o género neutro. Ou seja, não era nem masculino, nem feminino, do ponto de vista sexual. Do ponto de vista gramatical, o género marcado era o feminino. Ou seja, gramaticalmente, o género masculino era unissexo, enquanto o género feminino era apenas feminino.

Passando a exemplos práticos. Se eu disser: "Chamem um médico!" e me trouxerem uma médica, foi cumprida a minha solicitação. Agora se eu disser: "Chamem uma médica!", a solicitação não é cumprida se me trouxerem um médico. Se eu quiser um médico-homem, tenho de dizer: "Chamem um médico que seja homem". Alguma dúvida?

Santana-maia Leonardo

23 Abr, 2021

As Moscas

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Durante muito tempo, vivi convencido de que os portugueses, em geral, tinham uma consciência ética e a perfeita noção do Bem e do Mal, até pelas suas constantes e vibrantes manifestações de indignação, quer nas mesas de café, quer nas redes sociais, contra a corrupção, o compadrio e as cunhas. Mas estava redondamente enganado.

Para o cidadão português, o Bem e o Mal não são conceitos abstractos que se aplicam a todos por igual, mas conceitos bem concretos e relativos que têm, por única referência, os seus próprios interesses. Por exemplo, a cunha tanto pode ser um Bem como um Mal: é um Bem se beneficiar a sua filha num concurso público; é um Mal se beneficiar a filha do vizinho.

Veja-se como reagiram os portugueses às decisões instrutórias no caso Marquês (Sócrates) e E-Toupeira (Benfica). A indignação extrema, em qualquer dos casos, é exclusiva de quem não é socialista e benfiquista, porque os socialistas e os benfiquistas reagem, logo, com os submarinos e o Apito Dourado. Os beneficiados com as decisões judiciais, por mais incompreensíveis e revoltantes que sejam, declaram sempre, solenemente, a sua confiança inabalável na justiça. Aliás, não há político, banqueiro, agente ou dirigente desportivo que, mesmo sendo apanhado em flagrante, não proclame a sua fé cega na justiça portuguesa, a quem se agarram como o náufrago à tábua de salvação. É, de resto, por estas e por outras, que há, hoje, umas pessoas que confiam mais na justiça do que outras. E mal vai a justiça quando certas pessoas confiam tanto nela…

A corrupção, ao contrário do que aparenta a indignação geral, é um tema a que os portugueses, quando lhes toca a si e aos seus, são absolutamente indiferentes. “Se os outros cá estivessem, faziam o mesmo.” É a resposta pronta que poucos conseguem contrariar.

Portugal é um pequeno país organizado em forma piramidal, assente em micro-poderes de raiz ditatorial que odeiam o mérito, temem a inteligência e perseguem os livres-pensadores. Com se tem visto ao longo da nossa história, os portugueses são como o vinho: os melhores são para exportação.

Ora, um povo, com este tipo de organização e que relativiza a noção do Bem e do Mal aos seus próprios interesses, impede, inevitavelmente, qualquer solução que vise a regeneração social e do sistema, seja por via legislativa, educativa, repressiva ou judicial, na medida em que os comportamentos não se alteram com a mudança de protagonistas, seja de partidos, de dirigentes ou de políticos.

Como diz o povo, mudam as moscas, mas a merda é sempre a mesma. E o mais grave, tal como aconteceu na “Metamorfose” de Kafka, a estrumeira à beira-mar plantada pela política portuguesa transformou os portugueses em moscas, mosquitos e moscas varejeiras, única forma de aqui conseguirem sobreviver. E ninguém espere agora que sejam as moscas, com o seu voto, a eleger alguém para limpar a pocilga. Pelo contrário, vão eleger quem lhes garanta a ampliação da estrumeira.

Santana-Maia Leonardo - O Mirante de 

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Não devemos, obviamente, confundir o Direito, a Moral e a Ética, porque se tratam de três conceitos diferentes e que visam realidades diferentes.

No entanto, isso não significa, como hoje muito boa gente por aí apregoa, que não estejam interligados.

O Direito tem a ver com os actos, a Moral com os hábitos e a Ética com a configuração do carácter.

Ora, uma sequência de actos vai gerando em nós a tendência para os repetir.

Por sua vez, a aquisição de bons hábitos conduz necessariamente à estruturação do carácter.

Moral da história: com um Direito como o nosso, não há moral que vingue nem carácter que não vergue.

Santana-Maia Leonardo - A Barca 15-4-2013

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