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COLUNA VERTICAL

"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

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"Barcelona respira liberdade e harmonia por todos os poros."

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O movimento da Superliga Europeia foi um golpe falhado, em tudo idêntico ao Golpe das Caldas que antecedeu o 25 de Abril. A UEFA é um estado monopolista do tipo soviético, governado com mão de ferro por uma máfia de burocratas corruptos e gananciosos que vivem à custa de uma fatia muito substancial dos recursos gerados pelos grandes clubes, que são obrigados, assim como os seus jogadores, a participar em provas e competições sem qualquer interesse desportivo ou competitivo.

Os clubes de futebol são hoje empresas de dimensões muito diferentes que vão desde a empresa do tipo familiar à empresa multinacional. Não é, pois, aceitável que empresas multinacionais de Fórmula 1 sejam obrigadas a competir com empresas familiares de corta-mato, apenas para satisfazer as necessidades insaciáveis dos burocratas soviéticos da UEFA. Além disso, os clubes-Fórmula 1 têm encargos que os clubes de corta-mato não têm pelo que não é legítimo que os burocratas da UEFA se apropriem das receitas geradas por aqueles clubes, para alimentar a chusma de parasitas dos seus quadros e as respectivas federações que lhes garantem a eleição. Sendo certo que a estratégia de sacrificar as melhores empresas e os que mais produzem para beneficiar o funcionalismo e aqueles que menos produzem foi sempre a receita que conduziu à miséria os países que a seguiram.

Para dominar a rebelião da Superliga, os burocratas da UEFA contaram com três grandes aliados: o governo inglês, uma vez que a Superliga Europeia circula em sentido contrário ao Brexit; os Clubes-Estado PSG e City que não necessitam de receitas para sobreviver e a quem a UEFA tudo permite, porque são eles que financiam grande parte das suas competições; e a Superliga Inglesa, a única que rivaliza com as quatro maiores ligas do mundo (Super Bowl, Basebal, NBA e Hóquei no Gelo).

Sem a criação de uma Superliga, as ligas continentais, inclusive a espanhola, que depende exclusivamente da capacidade do Real Madrid e do Barça de contratarem os melhores jogadores, se não se reorganizarem, designadamente, aliando-se para ganharem dimensão, correm o risco de se tornarem irrelevantes, face ao poder de atracção crescente da Superliga Inglesa.  

Não deixa, no entanto, de revelar a suprema hipocrisia dos portugueses as razões invocadas por Benfica, Sporting e Porto (e respectivos séquitos) para serem contra o modelo da Superliga Europeia. Na Champions, defendem a solidariedade dos grandes, mas, em Portugal, foram precisamente os grandes que impediram a centralização dos direitos televisivos, apropriando-se da totalidade das receitas, e reduziram os pequenos à indigência, com o argumento de que são os grandes é que vendem. Por sua vez, nos programas desportivos, não concedem sequer o direito à palavra aos pequenos, mesmo quando estes jogam com os grandes, para já não falar no facto de os grandes não descerem de divisão nem sequer quando estão envolvidos em casos de corrupção.

Tal como na anedota, não há como os portugueses para defender com convicção a partilha, fraterna e solidária, das galinhas… desde que sejam as do vizinho.

Santana-Maia Leonardo - O Mirante de 25/4/2021

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