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COLUNA VERTICAL

"A coragem é a primeira das qualidades humanas porque garante todas as outras.." (Aristóteles)

COLUNA VERTICAL

"A coragem é a primeira das qualidades humanas porque garante todas as outras.." (Aristóteles)

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O Benfica foi tomado de assalto por um grupo de gente que viu no clube a empresa ideal para comercializar jogadores. Hoje os dirigentes do Benfica olham para a Champions como os feirantes olham para as feiras. A Champions é a feira Internacional onde o Benfica vai expor o material do Seixal que tem para vender.

E depois conta com a massa adepta ideal. O Benfica é o clube que melhor representa o espírito do português. Os benfiquistas gostam é de jogar com o Paços de Ferreira e com o Tondela. O português comum não gosta de correr riscos. Prefere o emprego público, o vencimento certo ao fim do mês do que correr riscos.

Não há benfiquista que não exulte com o facto de jogarem semanalmente em estádios a abarrotar de benfiquistas. Por vontade deles, em Portugal, toda a gente era do Benfica (e já faltou mais).

Isso até seria compreensível se o objectivo fosse disputar a Liga espanhola, por exemplo, uma vez que, sendo toda a gente do Benfica (ou quase toda), parecia que deixava de ser possível organizar uma liga portuguesa. Mas não. Os benfiquistas querem que todos os portugueses sejam do Benfica para poderem exultar todos os anos, sem correr qualquer risco, com o titulo de campeão português.

E como se organiza uma liga assim? Tal como se organiza agora com clubes fantasma. Só o Sporting e Porto têm existência real. Mas a estratégia do Benfica é secar também estes dois clubes, tornando-se num clube monopolista e dominante no mercado de compra e venda de jogadores (para gáudio dos administradores da SAD) e dos títulos internos (para gáudio dos seus adeptos).

Santana-Maia Leonardo 

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Neste momento, 70% dos juízes de primeira instância já são mulheres o que significa que, muito em breve, os únicos homens com assento nos tribunais vão ser os arguidos. Isto é a consequência natural do facto de as mulheres conseguirem a esmagadora maioria das vagas no ensino superior.

Terão as mulheres o monopólio da inteligência? Serão as mulheres de hoje mais inteligentes do que os homens?  Ou será que os homens de hoje são mais estúpidos do que os homens de antigamente, quando conseguiam a esmagadora maioria das vagas no ensino superior?

Como é óbvio, nem uma coisa, nem outra. Significa, apenas e tão-só, que o sistema, hoje, favorece as mulheres como, antigamente, favorecia os homens.

A fábula de Esopo da raposa e da cegonha já esclareceu esta questão. Se a sopa for servida num prato raso, a cegonha passa fome, mas, se for servida numa jarra alta e com gargalo estreito, é a raposa que passa fome.

Homem e mulher são naturalmente diferentes, tal como a raposa e a cegonha, mas nenhum deles é inferior ao outro. Com efeito, parece já suficientemente demonstrado que a inteligência não tem sexo. Ora, se num sistema de ensino se assiste a uma superioridade tão flagrante de um sexo sobre o outro, tal só pode significar que o sistema favorece esse sexo.

E basta fazer uma análise séria e sem preconceitos de qualquer espécie sobre o nosso sistema de ensino, para concluirmos forçosamente (como eu constatei nos 26 anos em que fui professor) que este está dimensionado preferencialmente para as mulheres.

Em primeiro lugar, porque o sistema de ensino já é dominado maioritariamente pelas mulheres e pela sua mundovisão. Em segundo lugar, porque as mulheres atingem a maturidade muito mais cedo do que os homens e as turmas mistas obrigam os professores a comparar alunos em estádios de crescimento diferentes com clara vantagem para as mulheres. Em terceiro lugar, porque privilegia quase exclusivamente a memória e, como está cientificamente demonstrado, as mulheres têm uma memória muito superior à dos homens. Em quarto lugar, porque é um ensino feito de trabalhos, consultas e projectos, e, quanto a esse aspecto, a paciência e o preciosismo das mulheres é, regra geral, infinitamente superior à dos homens.

No nosso actual sistema de ensino, um homem, regra geral, só consegue obter, na avaliação contínua, as mesmas classificações de uma mulher se for muito melhor do que ela. Mas isto não se pode dizer, porque implicaria pôr em causa um dos dogmas fundamentais da pós-modernidade. E com os dogmas não se brinca. Galileu que o diga.

Santana-Maia Leonardo - O Mirante de 3-9-2021

 

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"(...) Pelo menos num ponto crucial, Popper e Hayek concordaram amplamente: na impossibilidade e até indesejabilidade de concordarmos em tudo. Esta impossibilidade decorre em grande parte da limitação do nosso conhecimento: sabemos muito pouco, cometemos muitos erros, mas - desde que possamos continuar a criticarmo-nos mutuamente - poderemos aprender com os nossos erros.

Esta dupla asserção - de que devemos discordar como condição de nos podermos aproximar de uma padrão de verdade que é objectivo e exterior a nós - constitui o centro da sociedade aberta em que assenta o Ocidente. (...)"

João Carlos Espada - Público de 1-7-2013

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O que se espera de um governante ou de um autarca é que aja como um bom administrador de condomínio, ou seja, causando o mínimo incómodo aos condóminos na fruição da sua fracção e das partes comuns. E, caso seja necessário levar a cabo uma intervenção de fundo, a mesma deverá ser programada não só para causar o mínimo incómodo mas, sobretudo, com o propósito de não se voltar a repetir tão depressa.

Acontece que eu estou com 60 anos de idade e os presidentes de câmara de Lisboa ainda não me permitiram que eu pudesse ir à Baixa sem estar constantemente a tropeçar num estaleiro de obras, obrigando-me a alterar percursos, a perder tempo, anos de vida e paciência. Aliás, os autarcas têm este péssimo hábito de trazer o condomínio permanentemente em obras, não dando aos cidadãos um minuto de sossego e de tranquilidade, achando-se no direito de destruir e alterar as cidades, a seu bel-prazer, sem dar satisfações a ninguém como se cumprissem um mandato divino.

Além disso, se, no século XVIII, as coisas eram feitas para durar toda a vida, no século XXI, tudo é efémero e com prazo de validade muito limitado, fruto de um mundo em mudança permanente. No entanto, os nossos 308 presidentes da câmara e demais governantes só agora chegaram ao século XVIII e vivem fascinados com o marquês de Pombal que querem imitar, a todo o custo.

Com efeito, não há presidente da câmara ou governante que não sonhe fazer uma obra para o milénio, com vista a perpetuar o seu nome. Se fôssemos um país rico, ainda nos podíamos dar ao luxo de ter estas excentricidades. Mas somos um país pobre, com uma mão-de-obra pouco qualificada, com baixa produtividade e com poucos recursos.

Se um pequeno comerciante pensar em recorrer ao crédito para aumentar a sua loja, tem de pensar, antes de mais, se a despesa compensa. Porque, se o rendimento que retirar da loja não for suficiente para pagar as prestações ao banco, mais vale não fazer a despesa, caso contrário fica sem o dinheiro e sem a loja. E se o crédito, então, for para fazer uma vivenda com piscina, o melhor mesmo é não se meter nisso, porque vai acabar por ficar com a dívida e sem a casa, a piscina e a loja. No entanto, os nossos governantes e presidentes da câmara olham para os fundos europeus com a mesma mentalidade do povinho que os elegeu: se um português entrar num hipermercado e vir as sacas de ração para cães com uma promoção de 80% de desconto, compra as sacas todas convencido de que fez um óptimo negócio, mesmo que não tenha nenhum cão.

Ora, Portugal está, ao nível de um pequeno comerciante, cheio de dívidas e com poucos rendimentos. Não é, pois, altura de continuar a alimentar sonhos de grandeza lançando obras megalómanas que não temos dinheiro para pagar, a não ser à custa de muita miséria e sofrimento. Porque os custos das obras, ao contrário do que muito idiota pensa, não se esgotam com a sua realização, é necessário, depois, ter dinheiro para a sua manutenção, conservação e modernização. Além disso, é bom não esquecer que até a melhor auto-estrada só é investimento se tiver um fluxo de trânsito que a justifique, caso contrário é só despesa. Aliás, o interior do país é um hino ao desperdício: está cheio de cidades, vilas e aldeias onde não falta nada, excepto as pessoas para usarem os equipamentos.

Santana-Maia Leonardo - O Mirante de 27-8-2021